POLÍTICA

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Nova tarifa de eletricidade: UCID pede Orçamento Retificativo para eliminar IVA do custo de energia e evitar aumento do preço 11 Setembro 2021

A UCID pediu esta sexta-feira ao Governo um Orçamento Retificativo para eliminar o IVA do custo de energia elétrica e um projeto-de-lei para saneamento financeiro da Electra, evitando que os consumidores suportam os custos do aumento de energia, levando assim ao “aumentar o roubo de energia”. Este apelo foi feito pelo presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição), António Monteiro, em São Vicente. O mesmo acredita também que todos os sucessivos governos falharam na política energética.

Nova tarifa de eletricidade: UCID pede Orçamento Retificativo para eliminar IVA do custo de energia e evitar aumento do preço

Segundo a Inforpress, António Monteiro que falava em conferência de imprensa na sede do partido no Mindelo disse que “todos os governos falharam na política energética” porque “todos sabem da flutuação de combustíveis fósseis no mercado internacional”.

O político também defendeu que o aumento no custo de energia vai “aumentar o roubo de energia, porque as pessoas não vão conseguir pagar um preço mais caro”.

António Monteiro, que é quadro da Empresa Pública de Distribuição de Energia e Água (Electra), explicou que são dois parâmetros globais que alteram o custo de venda de energia eléctrica.

O primeiro, adiantou, refere-se aos os custos não relacionados com os combustíveis e o segundo é o custo relacionado com o combustível.

No seu entender, no parâmetro sobre o custo não relacionado com combustível “há uma ineficiência tremenda”.

Isto porque, elucidou, esta parcela “integra várias questões, nomeadamente a problemática das dívidas da Electra que são mais de 11 milhões de contos, que têm que ser amortizadas ao longo dos tempos e cujos custos caem no bolso dos consumidores”.

“Nesta matéria, o Governo deve reanalisar a empresa e fazer um saneamento financeiro para podermos retirar dos custos do kwt/hora esta parcela que acaba por ter algum significado”, defendeu.

Sobre o parâmetro referente aos custos dos combustíveis, o presidente da UCID mostrou que a variação dos combustíveis no mercado internacional, com a aproximação do custo 380 ao do gasóleo, leva a tomar algumas decisões.

“Os dados que temos relativamente a estes custos chama-nos atenção para rapidamente definirmos uma política energética diferente da que tem hoje. Porque para determinar o custo do quilowatt-hora entra não só a eficiência da rede, a percentagem de energias renováveis que se introduz na rede e queremos crer que nesta matéria o Governo tem falhado”, criticou a mesma fonte.

Segundo António Monteiro “se o Governo tivesse tomado uma atitude pro-activa até esta parte para ter um índice de penetração superior ao que existe, que neste momento que ronda dos 19 por cento (%) por cento, não teria, de certeza absoluta, um consumo elevadíssimo do fuel 380 nas grandes centrais como as do Sal, de São Vicente e de Santiago e nas centrais de médio porte que utilizam o fuel 180”.

O mesmo lembrou que o Governo anterior, do PAICV, tinha dito que até 2020 teria uma ilha com energia 100% renovável. E, nesta mesma altura, as restantes ilhas estariam com uma penetração de mais 50% de energias renováveis, mas, isso foi só anúncio.

Também recordou que o actual Governo, no programa 2018-2040, propõe ter até 2030 uma penetração de até 50% de energias renováveis para em 2040 atingir o topo.

“Já deveríamos ter hoje ter leilões para que os interessados na produção de energia renovável estejam a concorrer e ter os equipamentos a serem montados para, futuramente, diminuirmos a factura eléctrica no bolso dos consumidores”, disse apelando o Governo para “acelerar o programa de energias renováveis porque os aumentos nos custos são brutais e os cidadãos não o conseguem suportar”.

Sobre o facto de o ministro da Energia, Alexandre Fontes, ter afirmado que “os consumidores não vão pagar mais do que se pagava em 2019″, António Monteiro disse que “é um contra-senso”.

O mesmo lembrou que o roubo de energia a nível doméstico na capital do País é superior a 34%”. Neste item, clarificou, “a média, incluindo as grandes empresas e instituições do estado, é que dá 34”, o que no seu entender “é muito elevado e não se faz nada, quando existem tecnologias para impedir consumo sem contrato”.

António Monteiro também falou, sem citar nomes, que “há uma empresa pública que deve quase de dois milhões de contos à Electra, o que “também põe em perigo a tesouraria da empresa”. E, sustentou, “é o consumidor quem paga”.

A Agência Reguladora Multissectorial da Economia (ARME) anunciou que foi feito o ajustamento das tarifas de venda de energia eléctrica aos consumidores finais das empresas Electra e AEB, a vigorar a partir de 01 de Outubro.

As tarifas de electricidade da Electra vão sofrer um ajuste de 6,43 escudos (quase seis cêntimos de euro) por cada kwh (quilowatt-hora) facturado e em todos os escalões, “correspondendo um aumento da tarifa média ponderado pelas quantidades facturadas de 2020 de 30,53%”.

Traduz-se na prática em aumentos que vão de 25,51% no segundo escalão da baixa tensão normal, até 37,73% para o escalão único de média tensão, enquanto a tarifa para a iluminação pública aumenta 35,04%.

As tarifas sociais da baixa tensão fornecidas pela Electra vão aumentar de 25,51% a 35,04% a partir de 01 de Outubro.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project