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’Novo normal’ na praia: Copacabana palco de protestos, homenagem aos mortos de Covid-19 16 Junho 2020

É a praia mais famosa do Brasil e foi na última quinta-feira, 11, palco de uma iniciativa que correu mundo: cem cruzes colocadas no areal a simbolizar os mais de 40 mil brasileiros vítimas de coronavírus. Mas pouco depois veio um homem e começou a derrubar as cruzes, de imediato recolocadas por um pai que perdeu o filho que exclamava: "Mas que desumanidade!".

Sem máscara, o idoso que ia a arrancar as cruzes gritava: "Isso aqui é um atentado contra as pessoas. Tá criando pânico".

Essas imagens do idoso a derrubar as cruzes, colocadas em memória dos mais de quarenta mil mortos de coronavírus no Brasil, tornaram-se um fenómeno global. E já se conhece a sua identidade.

"Chama-se Hequel da Cunha Osório, tem 78 anos, é aposentado, morador do Leblon, apoiador do presidente Jair Bosonaro e já foi filiado ao PSDB", diz a imprensa brasileira.

Outros elementos foram divulgados pela rede Globo: Hequel da Cunha Osório foi presidente da Companhia Estadual de Gás do Rio de Janeiro no governo Marcelo Alencar (1995-1999) e é dono de uma empresa de engenharia, a HCO Consultoria de Engenharia L.tda.

Mais: "é pai e sócio de Hequel Pampuri Osório, condenado pela CVM-Comissão de Valores Mobiliários em 2015 por insider trading, ou seja, uso indevido de informação privilegiada para obter lucro".

Como? Hequel Pampuri, que era advogado do Grupo Amil, empresa de seguros de saúde, esteve envolvido na venda da AMIL à norte-americana United Health. Usou o nome da mãe, Maria Alice Pampuri, para comprar títulos. Por isso, foi multado em R$ 122.280 reais pela CVM.

’Respeito’, pediu pai que perdeu filho vítima de Covid-19

Respeito pelas dezenas de milhares de vítimas e por um número ainda maior de familiares enlutados: "Precisamos respeitar mais uns aos outros", diz o homem que diante do vandalismo do idoso Hequel volta a fixar as cruzes nas campas rasas.

Chama-se Márcio António do Nascimento Silva, tem 55 anos, é taxista e entrevistado em casa, conta que em 18 de abril lhe morreu o filho, Dutra, de 25 anos, vítima de Covid-19: "Ele era jovem, saudável. Nunca teve doença nenhuma. Foi um choque, ainda estou em choque. Foi por isso que coloquei as cruzes de volta e falei o que tinha que falar".

"Eu senti como se ele tivesse desrespeitado o meu filho. Eu não tinha nada a ver com o protesto", "só saí de casa para caminhar. De repente, vi aquele gesto de falta de respeito, falta de empatia. Eles não tinham o direito de impedir a manifestação", explicou o pai enlutado à TV Globo.

Fontes: Referidas. Foto (Redes Sociais): Fincar cruzes na praia em protesto contra a má gestão do governo que causa mortes é "o novo normal". Na praia quiçá mais famosa do mundo, Copacabana, o pai de uma vítima do coronavírus repõe as cruzes que um septuagenário pró-Bolsonaro (atrás, a segurar a bandeira) derrubou.

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