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Disputa no PAICV: José Maria Neves insurge-se contra ataques pessoais e aconselha ser tempo de se arrepiar o caminho 09 Dezembro 2019

Num post que acaba de publicar na sua página de Facebook, o ex-Primeiro Ministro e líder do PAICV, José Maria Neves, analisa o processo da disputa interna no mesmo partido, admitiu que houve erro na escolha do candidato presidencial em 2011, mas alerta que é tempo de se arrepiar o caminho. «Cada ataque a um militante ou dirigente atual ou antigo é um golpe desferido no coração do próprio partido, que supostamente se defende.Quem é militante e defende os princípios e os valores do PAICV não ataca os seus companheiros, na ilusão de que ele é ’santo’ e o outro é diabo, ele é o eixo do bem e o outro o eixo do mal», aconselhou. José Maria Neves alertou ainda que «a política do terror e da inimizade» nunca produziram bons resultados, pedindo que todos parem de fazer ataques pessoais. « Peço, pois, aos meus companheiros que paremos com os ataques pessoais, porque independentemente do lado da barricada em que estivermos, estamos a destruir o Partido, quando desferimos golpes fatais àqueles que pensam de forma diferente de nós e que erigimos em inimigos a abater». Confira detalhes do referido post, que publicamos a seguir.

Disputa no PAICV: José Maria Neves insurge-se contra ataques pessoais e aconselha ser tempo de se arrepiar o caminho

TEMPO DE ARREPIAR CAMINHO

1. Devemos ter a humildade de reconhecer que cometemos, todos nós, erros graves em 2011, quando nos dividimos em torno da questão presidencial. Eu, que era então líder do Partido, tenho mais responsabilidades e assumo-as na plenitude. Só quem não age deixa de errar.

Enquanto instituição, o Partido saiu muito fragilizado e com enorme desgaste emocional. Foi necessário intenso diálogo entre nós, com humildade e sentido de responsabilidade - devemos respeito àqueles que, antes nós, fundaram e construíram o PAICV. Organizamos uma Conferência Nacional e em 2013 o Congresso da Reconciliação. As feridas de uma guerra de família levam tempo a sarar.

2. As lutas intrapartidárias são, devem ser, naturais nos partidos democráticos. São processos decisórios e de escolha das lideranças que são inerentes à democracia que caracteriza os partidos modernos moderados de esquerda ou de direita.

Em Cabo Verde, as disputas no seio dos partidos, todos eles, têm-se transformado em fontes de conflitos e de divisões internas. As razões estarão relacionadas com imaturidade emocional e falta de inteligência contextual. Cada um quer ter toda razão e na busca de mais e mais e cada vez mais razão acaba por afogar-se nas próprias derivas e contradições.

Nos partidos a adesão é voluntária. Todos amam igualmente o partido a que livremente aderiram e ninguém é mais militante do que o outro. É sempre perigoso alguém arvorar-se em titular da consciência moral do partido a que pertence, assumindo-se como inquisidor mor e único com capacidade de impor o bem aos outros.

As disputas só revelam vitalidade se as mesmas são feitas com base em ideias e propostas alternativas de governação partidária.

Todos perdem quando uma disputa se resvala para ataques pessoais e destrutivos de carácter.

Cada ataque a um militante ou dirigente atual ou antigo é um golpe desferido no coração do próprio partido, que supostamente se defende.

Quem é militante e defende os princípios e os valores do PAICV não ataca os seus companheiros, na ilusão de que ele é “santo” e o outro é diabo, ele é o eixo do bem e o outro o eixo do mal.

A política do terror e da inimizade nunca produziram bons resultados.

3. Peço, pois, aos meus companheiros que paremos com os ataques pessoais, porque independentemente do lado da barricada em que estivermos, estamos a destruir o Partido, quando desferimos golpes fatais àqueles que pensam de forma diferente de nós e que erigimos em inimigos a abater.

Podemos discordar e disputar em torno de ideias, com a consciência clara de que a democracia também pode ser compromissos.

Precisamos de respeito mútuo e de autocontrole. Todos nós somos poucos para a grandeza da obra que nos espera.

Resgatemos o espírito de amizade e de companheirismo que devem nortear as relações entre membros de um mesmo partido.

O PAICV é mais do que cada um e todos nós juntos.

(José Maria Pereira Neves, post publicado na sua página de facebook)

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