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Violência contra mulher em Cabo Verde: Aumento da VBG durante a pandemia de Covid-19 - Praia tem maior número de casos 02 Mar�o 2021

A perda de empregos decorrente da crise provocada pelo Covid-19 em Cabo Verde afetou várias pessoas, inclusive as vítimas da violência baseada no género (VBG) que tiveram que ficar dependentes dos seus parceiros - o número de vítimas, entre Abril e Maio de 2020, aumentou principalmente no período de confinamento social. Segundo os dados oficiais, os casos da VBG aumentaram sobretudo nos concelhos da Praia (71), em São Vicente (55), no Fogo (26), no Sal (22) e em Santa Cruz ( 21).

Por: LC/Redação

Violência contra mulher em Cabo Verde: Aumento da VBG  durante a pandemia  de Covid-19 - Praia tem maior número de casos

Este jornal foi investigar para apurar como tem estado a prática da VBG em Cabo Verde desde que começou, a 19 de Março de 2020, a pandemia de novo coronavírus no arquipélago.

O relatório divulgado na página do ICIEG confirma um aumento de 8% dos casos de VBG nos meses de abril e maio de 2020 ( de 267 para 289), comparativamente com o mesmo período de 2019. Este foi o período em que se registou maior número de confinamento de pessoas no país devido à pandemia de Covid-19.

Segundo dados oficiais, a nível nacional, a cidade da Praia é, no período em referência, a região que registou mais casos (71) da violência contra a mulher. Logo depois estão os concelhos de São Vicente com 55 agressões, São Filipe com 26, Sal com 22 e Santa Cruz com 21 VBG.

Em entrevista ao Asemanaonline, a responsável do Gabinete de VBG no Sal e primeira subchefe da Polícia Nacional, Celestina Nascimento Garcia, revelou que houve com Covid-19 um aumento de casos de VBG e que as mulheres continuam a ser as que mais sofrem com este crime. "O ficar em casa contribuiu para o aumento da violência doméstica no país”, enfatizou com base nos dados oficiais.

Segundo a mesma fonte, o abuso de bebidas alcoólicas é uma das principais causas da VBG em Cabo Verde e a dependência financeira é o principal motivo do silêncio de mulheres agredidas em casa. “Muitas mulheres agredidas não denunciam o agressor porque dependem financeiramente dele, principalmente neste período que as mulheres provavelmente estão sem trabalho e passando por alguma dificuldade financeira”, fundamentou a responsável do gabinete de VBG da Policia Nacional na ilha mais turística de Cabo Verde.

Para esta oficial da PN, os homens também sofrem da violência baseada no género, apesar de serem a minoria e de muitos temerem ainda fazer a denúncia. "Apesar da evolução registada, ainda temos uma sociedade machista, sobretudo naqueles lugares com mais homens. Há sitios em que as mulheres têm ainda muito pouca voz”, revelou.

Medidas do ICIEG e apelos para denúncias contra violência

Durante o período de confinamento social devido à covid-19, o ICIEG implementou várias ações para controlar os crimes de violência baseada no género em Cabo Verde. Neste particular, destaca-se o lançamento da campanha “Bu ka sta bo só”, em conjunto com a Policia Nacional, os centros de atendimento às vítimas e o Ministério Público, que, pelos vistos, teve muita procura.

Celestina Nascimento Garcia aproveita ainda para deixar uma mensagem de sensibilização às vítimas. “As pessoas devem estar mais atentas ao comportamento dos seus parceiros, porque na maioria das vezes o caso começa com uma agressão verbal, num momento de ‘stresse’, e só depois a agressão física concretiza. Por isso, é preciso cortar essas coisas logo na primeira oportunidade”, enfatizou.

Já Zandira Brito, psicóloga clínica em serviços de saúde, que é também técnica do ICIEG no Sal, apela às vítimas a fazerem denúncias. “A minha mensagem é dirigida aos homens e mulheres de Cabo Verde. É preciso que repensemos as nossas atitudes e os nossos comportamentos. É preciso consciencialização de que VBG é um problema sério, que afeta a vida de todos os envolvidos, deixando marcas em todas as esferas da vida da pessoa, seja ela vítima (direta ou indireta) ou agressor. É preciso acabarmos com essa naturalização da violência que tem perpetuado na nossa sociedade”, expresso Zandira Brito à reportagem/investigação do Asemanaonline.

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