OPINIÃO

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Santa Maria: Construções na orla marítima e grito de alerta 27 Julho 2022

A parte estruturante deveria entrar ao mesmo tempo com as medidas de mudanças das atividades laborais e industriais da Vila de Santa Maria, na criação do plano de gestão e proteção da orla marítima, com mudanças ou aprovação de leis adequadas para a proteção de bens públicos da referida orla marítima, proteção dos corredores de areia e limitação de altimetria das edificações, com mãos pesadas na fiscalização dos bens públicos, evitando o canibalismo, por parte das “autoridades locais e central”, das zonas preservadas, para favorecerem amigos e parceiros privados, em benefícios próprios, como deixam transparecer as fortes amizades e prioridades, assumidas como relações de parcerias publico/privadas, que se transformaram em palavras-chave.

Por: Efrem Soares

Santa Maria: Construções na orla marítima e grito de alerta

O PROBLEMA DA “CIDADE” DE SANTA MARIA, ILHA DO SAL, NA ORLA MARITIMA, NÃO FOGE Á REGRA DO TODO CABO VERDE, É ESTRUTURANTE E É GRITANTE POR UMA CIDADE QUE SE DIZ TURISTICA.

Nos anos 90, os visionários na altura, depois de verem a tendência que já se evidenciava, no segmento do turismo na Vila de Santa Maria, determinaram que a sua atividade passaria, a partir da altura, a ser exclusivamente na vertente do turismo.

Juntamente com as Canárias, estes visionários apoiaram a criação da empresa CABOCAN, para a gestão, infraestruturação e vendas de terrenos na zona de expansão turística, hoje, com uma boa lotação de hotéis.

Determinaram a saída da fábrica de conserva de peixe da zona, hoje, a mais polémica da Praia de Santa Maria, transferindo-a para a Vila da Palmeira que já estava identificada, desde os anos 80, e mesmo antes da independência, como uma zona de expansão industrial, nos ramos de energia, onde as companhias petrolíferas, a Shell antes da independência e a Enacol após independência, já estavam sedeadas.

O sector da pesca funcionava, mas não a grande escala, mas já existia a fábrica de conservação de lagostas vivas para a exportação. Infelizmente a fábrica de conservas de peixe, apesar de transferida, nunca funcionou. Na indústria pesqueira, a captura, até agora, não atingiu a dimensão dos anos 80 e do período colonial, que era praticada em Santa Maria, sendo que a conservação do peixe e lagosta para exportação deixou de existir no Sal.

A decisão da construção da central de produção de energia e água em Palmeira, devido as melhores condições para a captação da água do mar, que consolidou ainda nos anos 80, como a primeira central única de produção e distribuição de energia e água de Cabo Verde, pode-se considerar uma grande visão dos anos 80.

Esta visão pôs fim ao funcionamento da central elétrica e dessalinizadora que fornecia energia elétrica à Vila de Santa Maria e água para toda a Ilha, localizada no espaço de então que mais tarde viria a ser o Hotel Odjo D`água.

Os titulares do tão falado de momento, “porto antigo”, QUINTALONA, espaço privado da companhia Fomento de Cabo Verde, nos anos 80, com a queda de exportação, abandonaram todo mundo à sua sorte e foram-se embora.

Voltaram nos anos 90 com o crescimento da indústria turística, para assumiram os terrenos das propriedades e vende-los para o ramo turístico, porque o nosso Estado não se apropriou, pela via da expropriação legal, dos bens da companhia para resolver o problema dos trabalhadores que foram abandonados à sua sorte e que, graças ao Hotel Morabeza, sobreviveram.

Na altura, justificava-se como espaço privado, porque a atividade que praticava estava ligada ao mar “DOCA”, mas hoje...!

A parte estruturante deveria entrar ao mesmo tempo com as medidas de mudanças das atividades laborais e industriais da Vila de Santa Maria, na criação do plano de gestão e proteção da orla marítima, com mudanças ou aprovação de leis adequadas para a proteção de bens públicos da referida orla marítima, proteção dos corredores de areia e limitação de altimetria das edificações, com mãos pesadas na fiscalização dos bens públicos, evitando o canibalismo, por parte das “autoridades locais e central”, das zonas preservadas, para favorecerem amigos e parceiros privados, em benefícios próprios, como deixam transparecer as fortes amizades e prioridades, assumidas como relações de parcerias publico/privadas, que se transformaram em palavras-chave.

Elegemos Deputados para fiscalizar, fazer e aprovar leis para a preservação dos bens do estado, mas não sabemos para quê já que fazem o oposto, defendem a cor política, lucrando com o tão falado e badalado parceria publico/privada, que todo mundo sabe em que se baseia, enganam o povo com a criação de postos de trabalho e o resto já sabemos, salário de miséria, aumento de barracas e pobreza extrema.

Em toda a parte do mundo existe um limite para construir nas proximidades do mar e há regras a serem seguidas e cumpridas, mas, infelizmente, ainda não chegamos na era da civilização, «o homem cabo-verdiano« voltou a ser um dos piores predadores da raça humana, com desculpas, baseadas no desemprego, na seca, na pandemia da covid e agora na guerra da Ucrânia.

Usam e abusam de palavras estruturante, sustentabilidade e proteção ambiental, em benefícios próprios.

Penso que ainda vamos a tempo de corrigir o mal, antes que seja tarde de mais e transferir este perigo para os nossos sucessores e próximas gerações.

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