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Covid -19: José Maria Neves escreve sobre silêncio e meditação nos tempos de distanciamento social e confinamento forçados 28 Abril 2020

O antigo chefe do governo de Cabo Verde preferiu, hoje, na sua crónica, falar do silêncio nestes tempos de distanciamento social e de confinamento forçados por causa do Covid - 19. Um silêncio, segundo ele, sisudo, pesado, impenetrável, que nos acicata a perscrutar a alma e a meditar. « Meditar sobre a vida, a morte, o amor, o outro que está longe, o vizinho do lado, as impossibilidades do presente e a invisibilidade do futuro. Como estamos, onde estamos, para onde desejamos caminhar?» José Maria Neves desafia que prefere pensar e voar, como um pássaro, mesmo incomodando, a claudicar perante a escuridão das noites ignaras! «Prefiro a chuva que lava a alma e o vento que afasta os maus fluídos e o pensamento que clareia a noite. Eu só faço porque penso, todos os dias, todas as noites!», conclui o seu artigo, que está também na sua página de faceboock e pode ler a seguir.

 Covid -19: José Maria Neves escreve sobre silêncio e meditação nos tempos de distanciamento social e confinamento forçados

O SILÊNCIO E UM PÁSSARO

Quando cai a noite, o silêncio, nestes tempos de distanciamento social e de confinamento forçados, como um pássaro, invade-nos o quarto pelas frestas da janela. Um silêncio sisudo, pesado, impenetrável, que nos acicata a perscrutar a alma e a meditar. Meditar sobre a vida, a morte, o amor, o outro que está longe, o vizinho do lado, as impossibilidades do presente e a invisibilidade do futuro. Como estamos, onde estamos, para onde desejamos caminhar?

As perguntas são muitas, os caminhos também, não é fácil - nada é fácil na vida - escolher entre tantas possibilidades.

As opções possíveis são a verdade, a transparência, a justificação pública das decisões, a prestação de contas...

Mesmo as passadas em claro, as noites são escuras. Se em silêncio penso, já a escuridão tolda a alma, mata o pensamento.

É certo que como escreveu o vate em “O GUARDADOR DE REBANHOS, “Pensar incomoda como andar à chuva/Quando o vento cresce e parece que chove mais”.

Prefiro pensar e voar, como um pássaro, mesmo incomodando, a claudicar perante a escuridão das noites ignaras!

Prefiro a chuva que lava a alma e o vento que afasta os maus fluídos e o pensamento que clareia a noite.

Eu só faço porque penso, todos os dias, todas as noites!

José Maria Pereira Neves

( Ex - Primeiro-ministro de Cabo Verde)

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