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Carta de revolta remetida ao Diretor Nacional de Saúde: Enfermeiros do Maio denunciam clima de terror e persiguição no Centro de Saúde da ilha 19 Julho 2020

Em carta remetida ao Diretor Nacional da Saúde(DNS), cinco dos 10 enfemeiros do Centro de Saúde do Maio denunciam que estão a viver «um clima de terror e medo» neste momento. Tudo, segundo a missiva a que este jornal teve acesso, por cuasa da alegada persiguição perpetrada contra eles pelo atual Delegado de Saúde na ilha. «O clima que se vive no Centro de Saúde do Maio é um clima de terror e medo permanente. O descontentamento com a forma de chefiar e dirigir os recursos humanos no Centro de Saúde é generalizado. Só que outros colegas não quiseram dar a cara com medo de represália por parte do Senhor Delegado de Saúde. Os enfermeiros estão permanentemente a ser ameaçados com processos disciplinares sem nenhuma justificação». O documento reafirma que enfermeiros laboram num autêntico clima de terror por causa da postura do Delegado de Saúde e ilustram com fatos. «O enfermeiro Alexandre foi uma vez humilhado pelo senhor Delegado de Saúde que, em tons agressivos, lhe disse: ´duspi bata bu poi li e ca bu parci li nunca mais´. E, em seguida, deu ordens ao Administrador para cortar dia de trabalho ao enfermeiro Alexandre, como se este fosse trabalhador das faimo». Por isso, os enfermeiros referidos exigem uma intervenção urgente por parte do Ministério da Saúde para repor a normalidade no funcionamento do citado centro de Sáude na ilha, num momento em que todos os esforços a nivel da gestão dos recursos humanos devem estar recentrados na luta contra a pandemia de Covid-19. Confira detalhes sobre a reivindiação desses profissionais da saúde, na carta dirigida à DNS e que publicamos a seguir.

Carta  de revolta remetida ao Diretor Nacional de Saúde: Enfermeiros do Maio denunciam clima de terror e persiguição no Centro de Saúde da ilha

CARTA DOS ENFERMEIROS DA ILHA DO MAIO

Assunto: Denuncia dos Enfermeiros contra atos do Delegado de Saúde do Maio

Excelentíssimo senhor Diretor Geral da Saúde

C/c Ministro de Saúde e Presidente do Sindicato dos Enfermeiros

Cidade Porto Inglês, 13 de Julho de 2020

Nós, os Enfermeiros, do quadro do Pessoal da Direção Geral da Saúde, colocados no Centro de Saúde da Ilha do Maio, estando descontentes com a forma como o senhor Delegado de Saúde vem tratando os signatários no exercício das suas funções, vêm por este meio denunciar a pratica do mesmo, que, no entender dos signatários, viola a conduta ética de um dirigente de serviço público, como também viola os mais elementares direitos dos signatários, enquanto enfermeiros e profissionais da Saúde.

Senhor Diretor Geral da Saúde, são 10 os Enfermeiros que estão afetos ao Centro de Saúde do Maio, muito embora sejam apenas os subscritores desta carta os assinantes a denunciar as atitudes e comportamentos indígnos do senhor Delegado de Saúde perante os enfermeiros da Ilha do Maio.

Na ilha do Maio a classe dos enfermeiros e outros funcionários do Centro de Saúde estão descontentes com as atitudes, a forma desprezível de tratar os colaboradores, a prepotência e a arrogância que este Delegado de Saúde evidencia no tratamento com os seus colaboradores. Só para se ter uma ideia do comportamento deste Delegado, vamos contar um episódio que passou numa reunião, que é o seguinte: Muito recentemente foi convocado uma reunião para ser discutido diversos assuntos relacionados com o exercício da função dos signatários, para melhor servirem a profissão que escolherem por amor e gosto de servir as pessoas. Em plena reunião, no momento que os enfermeiros queriam falar e exprimirem as suas opiniões, o senhor Delegado simplesmente levantou-se, deu costa aos enfermeiros reunidos e foi-se embora sem dar cavaco a ninguém. E, diga-se, não é primeira vez que ele tem feito isso aos enfermeiros. Ora, esta atitude do senhor Delegado de Saúde é incorreta e é um desrespeito aos enfermeiros presente na reunião, e também, de tamanha irresponsabilidade, porque nesta reunião se discutia assuntos importantes. Até porque, o assunto que se discutia era de extrema importância para a prevenção sanitária, tendo em conta que o tema era a Covid -19, o primeiro caso que tinha aparecido na Ilha do Maio. O Senhor Delegado de Saúde repreende e "sanha" nos enfermeiros como se estes são crianças que estão a ser educadas por ele, o que é inadmissível, porque os signatários são pessoas adultas e com famílias constituídas.

Senhor Diretor Geral da Saúde, o que queremos é simplesmente que sejamos respeitados e tratados com urbanidade por parte do senhor Delegado de Saúde, coisa que tem faltado nele. O senhor Delegado de Saúde já acostumou espancar a mão forte na mesa e disse a um enfermeiro: " li qui ta manda é mi". Ora, não está em causa saber quem manda ou quem deixa de mandar, porque todos nós sabemos quais são as funções de um Delegado de Saúde, sabemos que quem manda é realmente ele que exerce funções de chefia sobre todos os demais colobaradores, mas, é sobretudo, a forma de exercer a chefia sem respeito pelos seus colaboradores.

O clima que se vive no Centro de Saúde do Maio é um clima de terror e medo permanente. O descontentamento com a forma de chefiar e dirigir os recursos humanos no Centro de Saúde é generalizado.Só que outros colegas não quiseram dar a cara com medo de represália por parte do Senhor Delegado de Saúde. Os enfermeiros estão permanentemente a ser ameaçados com processos disciplinares sem nenhuma justificação. Os enfermeiros laboram num autêntico clima de terror por causa do senhor Delegado de Saúde. O enfermeiro Alexandre foi uma vez humilhado pelo senhor Delegado de Saúde que, em tons agressivos, lhe disse: "duspi bata bu poi li e ca bu parci li nunca mais". E, em seguida, deu ordens ao Administrador para cortar dia de trabalho ao enfermeiro Alexandre, como se este fosse "trabalhador das faimo".

Com o devido respeito, não é com atitude deste tipo descrito no parágrafo anterior que se possa corrigir algo se estiver errado. Pelo contrário: é uma atitude humilhante para o enfermeiro Alexandre, e também desrespeitoso para a sua pessoa. Atitude do tipo, senhor Diretor Geral, configura até crime de injuria, porque o senhor Delegado de Saúde ao dizer ao enfermeiro Alexandre " duspi bata bu poi li e ca bu parci li nunca mais", não quis outra coisa que não seja ofender a honra, dignidade e consideração do referido enfermeiro. Senhor Diretor Geral, é primeira vez que a ilha do Maio está a ter um Delegado de Saúde que relaciona com os enfermeiros tão mal. Para além de ameaça verbal com processo disciplinares permanente aos enfermeiros, o senhor Delegado de Saúde chegou até ao cúmulo de fazer repreensão escrita ao enfermeiro Alexandre, sem qualquer processo disciplinar, o que é ilegal, porque repreensão escrita é uma sanção disciplinar, que, como tal, só pode ser aplicada ao funcionário no âmbito de um processo disciplinar, no qual poderá exercer o seu direito de defesa, como vem consagrado no Estatuto do funcionalismo publico, e na Constituição da Republica de Cabo Verde, no seu art35, n7.

Para finalizar, senhor Diretor Geral da Saúde, o que neste momento estamos a denunciar e a reclamar, é para que aja uma intervenção superior para corrigir o que está mal. Nos acreditamos que é possível corrigir comportamentos errados, porque todos nós estamos sujeitos a erros, que com chamada de atenção possamos corrigir os nossos erros. A classe dos enfermeiros.

(Com os 5 subscretores da carta remtetida ao DNS, Artur Correira)

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