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O maior desafio de Cabo Verde é planificar o território marítimo como se fosse território terrestre – ministro 07 Julho 2022

O ministro da Cultura e ministro do Mar considerou hoje, no Mindelo, que o “maior desafio” de Cabo Verde é planificar o território marítimo como se fosse território terrestre e ainda promover a sua preservação.

O maior desafio de Cabo Verde é planificar o território marítimo como se fosse território terrestre – ministro

Abraão Vicente teceu essa afirmação no ato de abertura do seminário “Áreas protegidas e património subaquático no contexto do desenvolvimento sustentável” enquadrado no projeto Margullar 2, que inclui as regiões ultraperiféricas e da Macaronésia como Madeira, Açores, Canárias e os países terceiros, geograficamente próximos que concordam em participar no programa, como o caso de Cabo Verde e o Senegal.

O ministro, lembrando que o “grande território” cabo-verdiano é mar, acredita que também o “maior desafio” é planificar o território marítimo como se fosse o território terrestre.

“Valorizá-lo, promover o seu desenvolvimento sustentável e fazer com que a economia não seja de facto um antagonista do desenvolvimento e da preservação ecológica”, sustentou, adiantando que as riquezas subaquáticas existem em qualquer parte do mundo, mas, “o diferencial é como preservar e como tratar o conhecimento aí retirado”.

Daí o lamento de não se ter conseguido retirar da Cimeira do Oceanos, realizada na semana passada em Lisboa (Portugal) uma declaração e que fosse vinculativa a todos os países.

“Só as universidades e o conhecimento científico e plataformas como a Macaronésia podem ir suprindo a falta que uma declaração vinculativa aos grandes países do mundo em relação à preservação dos oceanos”, afiançou Abraão Vicente.

A independência “não será completa enquanto não tivermos autonomia de recurso para financiarmos linhas de investigação, com interesses próprios e com capacidade de implementarmos as recomendações a partir de uma realidade que seja nossa”, advogou o ministro, que criticou a falta de investimento estrangeiro e dos países vizinhos na investigação oceânica em Cabo Verde.

Defendeu ainda ser nessa perspectiva que a Macaronésia pode dar um contributo, já que por serem arquipélagos “partilham das mesmas inquietações” e podem entre si “construir não só projetos museológicos, mais também de investigação, e ainda consolidar as universidades e fazer com que o oceano seja a grande porta para o desenvolvimento sustentável e para total integração no âmbito das nações”.

O ato contou ainda com a intervenção da chefe do Património do Conselho de Lanzarote (Canárias), que assegurou que a situação de partilha entre as regiões passa por contar com “elevado potencial turístico”, devido às particularidades naturais, ambientais e geográficas.

“A promoção do património natural e cultural é entendida como uma oportunidade para o desenvolvimento de ações, assegurando medidas de preservação, conservação, valorização e qualificação”, frisou Rita Marrero Romero, para quem a cooperação pode aumentar o número de visitante para esses lugares.

O representante do presidente da Câmara Municipal de São Vicente, José Carlos da Luz, por seu lado, afiançou que a preservação dos oceanos “dependerá da consciência de cada um, das atitudes e da capacidade de perceber o quão importante é um assunto dessa natureza”.

O seminário que decorre durante a manhã de hoje, no auditório Onésimo Silveira, na Universidade do Mindelo, vai ser debatido com a contribuição de especialistas e debruçando sobre dois temas centrais: “Arqueologia subaquática – gestão de espaços protegidos” e “Biodiversidade marinha e conservação de espécies e turismo”.

A Semana com Inforpress

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