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O que os princípios e valores têm a ver com a nossa vida 01 Outubro 2018

Para cada vez mais recrutadores, é melhor contratar uma pessoa com princípios e baixo desempenho do que aquele que tem ótimo desempenho mas sem integridade. Dessa forma, aliar valores pessoais e profissionais à nossa trajetória de vida pode ser a chave não só para melhores desempenhos, mas para uma vida melhor profissional e pessoal.

Por: Adrião Simões Ferreira da Cunha *

O que os princípios e  valores têm a ver com a nossa vida

Não tenho dúvidas que as pessoas com bons Princípios serão sempre funcionários mais confiáveis, pois as pessoas com integridade dizem a verdade, mantêm a sua palavra, assumem responsabilidade pelas suas ações, admitem erros e corrigem-os. Quem não gostaria de ter pessoas assim na sua equipa?

Para cada vez mais recrutadores, é melhor contratar uma pessoa com princípios e baixo desempenho do que aquele que tem ótimo desempenho mas sem integridade. Dessa forma, aliar valores pessoais e profissionais à nossa trajetória de vida pode ser a chave não só para melhores desempenhos, mas para uma vida melhor profissional e pessoal.
Mas qual é a diferença entre Princípios e Valores? Por que parecem tão semelhantes e são tão importantes na nossa vida?

Os Princípios dão base para a formação dos Valores. Enquanto os Princípios são pressupostos universais que definem regras essenciais que beneficiam um sistema maior que é a humanidade, Valores são regras individuais que orientam, como bússolas internas as crenças, as decisões e as ações.

A melhor analogia que ouvi sobre princípios e valores foi a do carvão e do diamante. Os princípios são como o diamante, além de mais preciosos, assemelham-se também por serem rígidos, constantes e inquebráveis. Os princípios são, portanto, preceitos universais rígidos, regras incontestáveis e direcionamentos de conduta universal e atemporal. Eles por si só não se quebram, mas sim as pessoas que não os seguem. Exemplos de princípios: amor, equilíbrio, pertinência, ordem.

Os valores, por sua vez, são como o carvão, mais maleáveis, individuais, subjetivos, influenciados pelo ambiente externo, como o contexto, a época, a cultura, o objetivo, o tempo, o interesse. São portanto frágeis se não forem pressionados de forma adequada se nano tiverem princípios como a sua base. Por serem padrões sociais são subjetivos e contestáveis, podem ser éticos ou não, dependendo de quem, ou qual cultura, o adota.

Valor é o que cada um está e princípio é o que cada um é, independentemente das circunstâncias ou influências externas.

Os princípios essenciais são aqueles que estão alinhados com a nossa essência (que é espiritual, divina, perfeita, verdadeira, imutável, sistémica e, portanto focada no bem comum) eles dão base e ingrediente para a formação de crenças e valores também essenciais como ética, integridade, verdade, justiça, colaboração, fé, desenvolvimento contínuo, meritocracia, compaixão, inclusão, generosidade, equilíbrio, respeito, etc.

Cada pessoa possui os seus próprios valores pessoais e profissionais, que determinarão sua atitude perante a vida e como as suas escolhas serão feitas. Por exemplo, se uma pessoa tem como princípio a regra de outro, que é faça aos outros o que gostaria que fizessem a ela, é natural que tenha valores também essenciais como respeito, justiça, integridade, verdade, confiança, colaboração, gentileza, etc.
Imagine que tem como princípio o bem comum, e um dia a sua liderança desafia o valor da sua integridade e pede para fazer algo que vai prejudicar a organização em que trabalha para aumentar os seus ganhos pessoais. Sente-se pressionado e se não tivesse a força do princípio como uma bússola moral internalizada na sua alma, o seu valor não se sustentaria e quebrar-se-ia, deixando a sua consciência incomodada no início até substituir o valor por um outro.

Uma pessoa de princípios não é perfeita, mas a sua busca em permanecer no caminho guiado pelo o que é certo é tão grande, que comete um delito, ela incomoda-se tanto e é tão pressionada pela própria consciência que procura redimir-se rapidamente, contar a verdade e pagar o preço externo, para não ter de pagar o preço interno pesado e cobrador do precioso princípio que foi desrespeitado.

Quem não comunga valores essenciais (que buscam um bem comum), fere um princípio que busca o equilíbrio. A forma sistémica de compensar essa desharmonia (já que estamos todos interligados) é através do peso da consciência, da culpa e dos demais sofrimentos, conflitos e desgastes que afetam todas as áreas, dimensões e gerações e existem para indicar que algo precioso foi desrespeitado.

Como já foi dito, não se quebra um princípio, mas a pessoa que o desrespeitou! Se não for por essa caminho do amor, que a conduta seja por inteligência, uma vez que todos colhem o que plantam (e fogem do caminho da dor!)

O facto é que a verdade liberta e viver sob princípios é libertador. Isso tem a ver com a sua e a nossa vida!

Lisboa, 28 de Setembro de 2018
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* Estaticista Oficial Aposentado - Antigo Vice-Presidente do Instituto Nacional de Estatística de Portugal

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