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Óbito/Assomada: Presidentes da câmara e da assembleia lembram de José Alves Fernandes como “grande homem” 27 Dezembro 2020

Os presidentes da câmara e assembleia municipal de Santa Catarina comprometeram-se hoje em não deixar o nome, a bandeira, a memória e o legado do presidente José Alves Fernandes, falecido quinta-feira, caírem no esquecimento.

Óbito/Assomada: Presidentes da câmara e da assembleia lembram de José Alves Fernandes como “grande homem”

Jassira Monteiro e Eurico da Moura, respectivamente, presidentes da câmara e da assembleia municipal, que falavam na cerimónia de homenagem ao José Alves Fernandes, entre lágrimas, aproveitaram o “momento de dor” para endereçarem as “sinceras condolências” e palavra de conforto e de solidariedade à família enlutada do malogrado.

Segundo a Inforpress, Jassira Monteiro que assume a presidência da Câmara Municipal de Santa Catarina após a morte de Beto Alves, como também era conhecido o falecido, falou do exemplo, da simplicidade, da humildade, da sua extraordinária capacidade de trabalho e dos sonhos que aquele “homem visionário” tinha para com Santa Catarina.

“Beto Alves era um exemplo de integridade, honestidade, seriedade e de serviço público, e que todos os que trabalharam com ele soube incutir (…)”, destacou, comprometendo-se imprimir o seu legado e sua memória para que possam seguir em frente e para que possam ser dignos dele [Beto Alves].

“Um peso enorme caiu na nossa cabeça. Um peso de responsabilidade e não deixar cair a bandeira de Beto Alves. Peço aos amigos, amigas e a todo os santa-catarineses que nos unamos para estarmos à altura do legado de Beto Alves e do seu exemplo. Sejamos dignos da quota bandeira do referencial de ideias e das novas práticas políticas daquele que será eternamente o presidente da Câmara Municipal de Santa Catarina”, exteriorizou Jassira Monteiro.

Conforme a mesma fonte, na mesma linha, o presidente da Assembleia Municipal de Santa Catarina, Eurico da Moura, comprometeu-se também em não deixar que o nome, a bandeira e o legado de Beto Alves caem no esquecimento.

O autarca falou da sua “simplicidade, naturalidade e maturidade na sua participação nos desafios do novo governo municipal”, lembrando da sua disponibilidade alinhado com a filosofia do projecto da boa governação.

Para ele, todos vão lembrar da “brilhante” trajectória humana, social e política deste “grande homem”.

Após o velório nos Paços do Concelho e cerimónia de homenagem, na Praça Central, que também contou com a intervenção do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, seguiu-se para a cerimónia religiosa, Igreja de Nossa Senhora de Fátima e para a casa do malogrado.

Por volta das 13:00, o féretro seguiu-se em romagem para o cemitério de Nhagar, Assomada.

A câmara de Santa Catarina, prossegue a Inforpress, decidiu decretar três dias de luto municipal, em “homenagem e memória” do presidente José Alves Fernandes, iniciado na sexta-feira.

Além do primeiro-ministro, participam nas cerimónias fúnebres o Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, vários outros membros do governo, autarcas da ilha de Santiago e o presidente da Câmara Municipal de Santa Catarina do Fogo, Alberto Nunes, deputados nacionais, a presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), Janira Hopffer Almada, e vários outros políticos.

José Alves Fernandes, 44 anos, encontrava-se nos cuidados intensivos do hospital central da Praia, depois de ter sido transferido do Hospital Regional Santa Rita Vieira, de Santa Catarina.

Na terça-feira, o director clínico do HAN, tinha considerado que o autarca se encontrava num estado “muito crítico”, correndo risco de vida, mas que os serviços hospitalares estariam a trabalhar na tentativa de “reverter esta situação muito preocupante”.

O presidente da câmara de Santa Catarina, confirmou o clínico, sofreu uma lesão por uma arma de fogo na região temporal esquerda, que lhe causou um “traumatismo crânio encefálico grave” e que, tudo indica, segundo sinais observados, que “o disparo teria sido feito a uma muita curta distância”.

A Tomografia Axial Computorizada (TAC) realizada na clínica privada Cardiomed, segundo avançou Victor Costa citado ainda pela Inforpress, “confirmou essa lesão por arma de fogo com fracturas e também com lesões intraparentematoso, portanto a nível do cérebro, com hemorragias que se transforma numa situação muito reservada e prognóstico muito reservada para vida do paciente”.

A Polícia Judiciária (PJ), por seu lado, em comunicado de imprensa, apontou para indícios de tentativa de suicídio, após as diligências preliminares e informações recolhidas no local, prometendo, entretanto, prosseguir com as averiguações.

Nascido na localidade dos Engenhos, Santa Catarina, Beto Alves, de 44 anos de idade, residia em Achada Riba, cidade de Assomada e antes de entrar nas lides políticas era professor e formador.

Licenciado em Ciência Política (ramo de Estado e Administração Pública) pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa, com pós-graduação em Direito das Autarquias Locais, foi director de Saneamento e Fiscalização, bem como director do Ambiente e Saneamento, durante o mandato de Francisco Tavares de 2008 -2012.

De 2012 a 2016 exerceu as funções de vereador do Pelouro da Água, Energia, Ambiente, Saneamento e Protecção Civil, acumulando ainda as funções de presidente do conselho de administração do extinto Serviço Autónomo de Água e Saneamento de Santa Catarina (SAAS).

Em 2016 foi eleito presidente da Câmara Municipal de Santa Catarina, tendo renovado o mandato nas últimas eleições de 25 de Outubro pelas listas do Movimento para a Democracia (MpD), conclui a Inforpress.

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