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Oito países do mundo concentram o maior número de pessoas com fome 04 Fevereiro 2019

Oito países concentram o maior número de pessoas (56 milhões) que necessitam de alimentos urgentemente, sendo que em cinco deles a fome crónica não pára de crescer devido aos conflitos. Estas informações foram avançadas, recentemente por entidades internacionais ligadas à Organização das nações Unidas (ONU).

Oito países do mundo concentram o maior número de pessoas com fome

Iémen, Sudão do Sul, Afeganistão, República Democrática do Congo (RDC) e a República Centro-Africana, são os países onde a insegurança alimentar aumentou no final de 2018, sinal que a violência e a fome são "muito persistentes", segundo organizações internacionais citadas pela agência espanhola Efe.

Estas informações são avançadas pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (PAM) no seu último relatório divulgado recentemente.

Para o especialista da FAO, Luca Russo, a República Democrática do Congo é o país onde se regista uma mudança dramática. “ A prevalência da fome neste país africano disparou 11% num ano devido à intensificação dos confrontos no Leste e à crise de pessoas deslocadas no centro do país”, sublinha, acrescentando que cerca de 13 milhões de pessoas precisam de ajuda de emergência no país, um número apenas superado pelo Iémen, com quase 16 milhões de habitantes, ou seja, mais da metade da população, numa situação de crise alimentar.

"Há muitos iemenitas que estão realmente a morrer, mas não são o suficiente para se declarar fome", afirma à Efe Luca Russo, adiantando que a operação humanitária no país tem servido como contenção, embora seja muito difícil chegar a certas zonas onde as pessoas não conseguem alimentar-se”, mostra.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), é provável que mais pessoas corram o risco de passarem à fome, caso a ajuda for interrompida, a guerra se intensificar e portos como o Al Hudeida, o principal ponto de entrada para ajuda e importação de alimentos, forem fechados.

Ainda, segundo o assessor da Rede de Sistemas de Alerta precoce para a Fome, Peter Thomas, o único desses países em conflito, onde o clima está a agravar a seca é o Afeganistão, que enfrenta um complicado período de escassez depois de uma das piores épocas de chuva em quase dez anos. “Mais de 10 milhões de afegãos sofrerão um défice alimentar crítico nas áreas rurais se não forem ajudados”.

Enquanto isso, a mesma fonte acrescenta que no Sudão do Sul, o conflito alastrou-se para a maior parte do território, tendo registado sido registado altos níveis de deslocações e numerosas famílias continuam com acesso restrito ao mercado e sem poderem cultivar os campos.

De referir, que a República Centro-Africana, o Sudão do Sul e o Iémen estão na lista dos dez países e regiões em que o centro de análise considera estarem em risco de uma escalada de violência e em que a União Europeia poderia promover ações para promover a paz.

Peter Thomas garante qure atualmente, há operações humanitárias massivas no mundo que abrangem milhões de pessoas mensalmente, mas que em certos casos, as necessidades aumentam quando a assistência não consegue chegar a quem mais necessita. “Esta situação deve-se, em parte, a ataques contra os que fornecem esta ajuda. No ano passado, registaram-se 284 vítimas, das quais 104 perderam suas vidas”, aponta a base de dados sobre a segurança dos trabalhadores humanitários.

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