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Ómicron: Os dados mais recentes sobre a nova Variante de Preocupação da OMS 09 Dezembro 2021

A Ómicron continua a espalhar-se rapidamente pelo mundo e já é causa de Covid-19 em pelo menos 57 países. "Esperamos que esse numero continue a aumentar", admitiu o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) na última atualização sobre a mais recente "variante de preocupação" (VdP).

Ómicron: Os dados mais recentes sobre a nova Variante de Preocupação da OMS

Tedros Adhanom Ghebreyesu afirmou que "certas caraterísticas da Ómicron, incluindo a propagação global e o grande número de mutações, sugerem que possa ter um maior impacto no curso da pandemia". "Exatamente que impacto será, é ainda difícil de saber", admitiu.

"Na África do Sul, o número de casos da Ómicron está a aumentar rapidamente, no entanto, a Ómicron foi detetada quando a transmissão da Delta era muito baixa, por isso tinha pouca competição", explicou o diretor-geral da OMS, pedindo a colaboração de todos os países na vigilância na testagem e na sequênciação desta VdP.

O líder da OMS reiterou que os atuais meios de testagem da Covid-19 funcionam com a Ómicron. Lembrou "os riscos de reinfeção" sugeridos pelos estudos na África do Sul, onde esta variante foi primeiro identificada pela cientista portuguesa Raquel Viana, a 19 de novembro, mas Tedros Ghebreyesus sublinhou ser "ainda muito cedo" para conclusões mais firmes.

Em pouco mais de duas semanas, a nova VdP já se espalhou pelos quatro cantos do mundo e parece provocar sintomas leves ao contrário por exemplo da severidade da Delta, mas também nesta avaliação é ainda cedo para conclusões definitivas.

O diretor-geral da OMS apela para a necessidade, sublinhado pelo surgimento da Ómicron, de tornar "mais equilibrado o acesso dos diversos países às vacinas anticovid, aos tratamentos e aos testes."

Numa tentativa de conter a ameaça de uma variante ainda de gravidade desconhecida além da aparente maior transmissão, muitos governos decidiram agravaram as restrições sociais e fechar fronteiras, sobretudo a países africanos, levando o secrfetárioi-geral da ONU a falar de um "apartheid de viagens".

Com muitos dos infetados com esta nova variante a revelarem-se assintomáticos, estes são os principais sintomas gerados pela Ómicron e que devem ser tidos em conta:

Uma pequena parte dos doentes diagnosticados com a Ómicron na África do Sul revelaram febre alta, tosse recorrente e perda de paladar ou olfato. Os sintomas mais graves registam-se sobretudo em pessoas não vacinadas contra a Covid-19.

A OMS ainda não tem registo de qualquer morte relacionada com a variante Ómicron.

Os especialista recomendam planear muito bem as viagens agendadas para não serem interrompidas devido às restrições de cada país, por uma eventual quarentena ou um confinamento que possa ser imposto de repente.

As duas perguntas que cada viajante deve colocar a si mesmo são:esta viagem pode ser adiada? qual a flexibilidade para eventuais percalços? o orçamento da deslocação é suficiente para um possível agravamento dos custos?

A descoberta

A variante denominada B.1.1.529 foi descoberta pela investigadora Raquel Viana a 19 de novembro, de uma amostra recolhida dez dias antes, e foi reportada à Organização Mundial de Saúde (OMS) a 24 de novembro.

Foi designada, dois dias depois, como “Variante de Preocupação” (VdP) devido sobretudo à rápida propagação verificada e às muitas mutações encontradas. Integrando esta lista foi rebatizada como Ómicron.

O Grupo de Consultoria Técnica para a Evolução do Vírus SARS-CoV-2 da OMS (TAG-VE, na sigla anglófona), reunindo uma rede de laboratórios de referência da OMS para estudar a Covid-19, tem vindo a pesquisar intensivamente a nova variante, tendo encontrado uma série de mutações, inclusive na proteína S ou “spike” (espícula), a responsável pela infeção das células.

Investigadores por todo o mundo estão também a estudar a Ómicron, em termos de transmissibilidade, gravidade das infeções e sintomas verificados, reação às vacinas, aos testes de diagnóstico e aos tratamentos em curso.

As conclusões são ainda escassas, sugerem uma maior capacidade de reinfetar quem já teve Covid-19 do que as variantes anteriores, mas, de acordo com a OMS, não justificam o bloqueio de viagens.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, referiu mesmo estar em curso um "apartheid de viagens" contra certos países africanos, visando sobretudo aquele que identificou a Ómicron e que partilhou os dados com o resto do mundo.

Como estão a reagir as vacinas à ÓmicronA OMS apela aos diversos países para partilharem os dados dos respetivos "doentes covid" hospitalizados para se acelerar o conhecimento da Ómicron e recomenda aos cidadãos as medidas elementares para conter a infeção:

  • distanciamento social de pelo menos um metro;
  • uso de máscaras homologadas;
  • ventilação regular de espaços fechados;
  • evitar espaços sobrelotados;
  • lavar regularmente as mãos;
  • tossir ou espirrar protegendo-se com o cotovelo ou um lenço;
  • vacinar-se tão rápido quanto possível.

Os dados preliminares sugerem um maior risco de reinfeção, em comparação com as VdP anteriores, mas ainda não há uma conclusão clara desta ameaça. As vacinas continuam a ser consideradas eficazes e os testes PCR detetam a Ómicron.

Não é claro que a nova variante cause mais doença grave do que as anteriores, incluindo a Delta. Os dados preliminares mostram apenas um aumento de hospitalizações, particularmente na África do Sul.

Dois anos de SARS-CoV-2

Há cerca de dois anos que convivemos por todo o mundo com o vírus SARS-CoV-2, a causa da Covid-19. Ao longo deste tempo, este último membro da família coronavírus já infetou mais de 263 milhões de pessoas por todo o planeta, impulsionado por pelo menos cinco VdP.

Em cada organismo infetado são produzidas e propagadas réplicas, o que permite ao vírus adaptar-se e evoluir face ao original que provocou a pandemia.

Pelo menos, desde de setembro de 2020 há variantes a preocupar os especialistas de saúde devido ao potencial de serem mais resistentes ou de causarem uma forma mais grave de Covid-19.

Mas afinal o que são as variantes do vírus da Covid -19?

Os vírus, de uma forma geral, começam por infetar um hospedeiro e a partir dele replicam-se, ou seja, produzem cópias de si mesmos.

Porquê nomes do alfabeto grego?

O TAG-VE, a equipa de especialistas da OMS, tem vindo a estudar a evolução do SARS-CoV-2 e partilhar informações para todo o mundo, mas para facilitar a comunicação com os diversos países decidiram renomear as VdP com nomes que fossem facilmente pronunciáveis por todos sem criar estigmas.

Foi, por isso, decidido recorrer-se ao alfabeto grego para tornar as partilhas de informação mais ágeis: Alpha, Beta, Gamma, Delta e, agora, Ómicron são, para já, os nomes em utilização mundialmente.

A maioria dos vírus são constituídos de RNA, um material genético, por exemplo, mais instável do que o DNA. Essa característica faz com que haja maior possibilidade de sofrer alterações ao longo do tempo, modificando ligeiramente a respetiva sequência genética.

As alterações na sequência são conhecidas como mutações genéticas. Os vírus com mutações são apelidados estirpes ou variantes.

Algumas das mutações podem não alterar as propriedades do vírus, outras podem até ser prejudiciais aos próprios vírus, mas algumas podem acabar por permitir uma "vantagem seletiva" e até tornar o vírus mais "amigo" do hospedeiro e torna-lo benigno.

No caso do SARS-CoV-2, o vírus causador da Covid-19, a OMS classificou como “Variantes de Preocupação" (VdP) as que apresentam potencial de provocar infeções graves ou de se propagarem com mais facilidade. Estas estirpes ou variantes são mantidas sob forte vigilância.

A pandemia de SARS-CoV-2

O surto deste coronavírus, denominado SARS-CoV-2 e que provoca a doença Covid-19, terá surgido em dezembro de 2019, num mercado de rua de Wuhan, embora alguns estudos admitam que o vírus já estivesse presente há mais tempo naquela cidade chinesa.

O primeiro alerta endereçado à Organização Mundial de Saúde aconteceu a 31 de dezembro referindo o caso de uma pneumonia desconhecida. O primeiro registo na Europa surgiu a 24 de janeiro, em França, quatro dias depois da confirmação do vírus nos Estados Unidos.

Médicos em França sugerem, entretanto, ter assistido o primeiro paciente no país com Covid-19 a 27 de dezembro depois de repetirem em abril as análises de exames a antigos doentes com sintomas suspeitos da nova doença.

De acordo com os registos oficiais, a pandemia entrou em África, pelo Egito, a 15 de fevereiro, e dez dias depois chegou à América do Sul, pelo Brasil. A pandemia bloqueou a maior parte do mundo desde meados de março de 2020.

Dois anos depois e com a pandemia ainda ativa, há mais de 266 milhões de infeções diagnosticadas e de 5,2 milhões de mortos.

A vacinação contra a Covid-19 começou em dezembro de 2020, continua a diferentes velocidades por todo o mundo, mas há diversos países já a inocular pessoas com uma terceira dose de reforço de vacinas inicialmente desenvolvidas para serem eficazes apenas com duas doses, mas sem um prazo conhecido.

Existem atualmente 5 variantes de preocupação (VdP) para a OMS: Alpha, Beta, Gamma, Delta e Ómicron. C/EN

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