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Oposição da Guiné Equatorial critica silêncio mediático na campanha presidencial 09 Novembro 2022

O líder da oposição da Guiné Equatorial, Andrés Esono, principal adversário de Teodoro Obiang nas presidenciais de 20 de novembro queixa-se do "silêncio" mediático em relação ao partido que o apoia contra o regime.

Oposição da Guiné Equatorial critica silêncio mediático na campanha presidencial

"A TVGE [televisão estatal] silencia as propostas concretas e claras do CPDS (Convergência para a Democracia Social). Apenas emite os discursos vazios do PDGE (Partido Democrático da Guiné Equatorial", no poder, acusou Esono num texto difundido pela rede social Twitter.

"O CPDS vai fazer chegar as propostas ao povo através de outros canais", acrescentou o líder da oposição que se apresenta pela primeira vez às eleições presidenciais.

A campanha eleitoral para as eleições de 20 novembro - presidenciais, parlamentares e autárquicas - começou na quinta-feira com um total de três candidatos ao cargo de chefe de Estado.

Obiang recandidata-se ao sexto mandato, Buenaventura Monsuy Asumu, líder do Partido da Coligação Social Democrata (PCSD), próximo do regime de Obiang, candidata-se pela quinta vez e Andrés Esono concorre pela primeira vez.

"Instamos o governo (da Guiné Equatorial) a permitir a livre expressão dos cidadãos", disse na semana passada, Ned Price, porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, através de um comunicado difundido pela embaixada dos Estados Unidos em Malabo.

Washington, frisou Price, preocupa-se "com os relatórios sobre detenções e agressões a membros da oposição e da sociedade civil".

O partido da oposição Cidadãos pela Inovação (CI) foi alvo de uma ação das forças de segurança no passado dia 29 de setembro, sendo que o líder - Gabriel Nsé Obiang - foi detido juntamente com 275 apoiantes.

Durante a operação da polícia contra o partido morreram quatro pessoas.

Um dia depois da ação da polícia 135 pessoas foram libertadas.

Vários testemunhos recolhidos peça agência espanhola de notícias EFE indicam que muitos detidos sofreram torturas e maus tratos.

"Não temos nenhuma participação" na campanha eleitoral, disseram fontes do CI acrescentando que o líder do partido "continua sob detenção", sem autorização a visitas ou acesso aos medicamentos de que necessita.

O CI foi ilegalizado por sentença judicial em 2018 mas Nsé Obiang insiste que o partido foi "legalizado" novamente na sequência de uma amnistia geral promulgada pelo governo sobre presos políticos.

As autoridades da Guiné Equatorial já indicaram que a amnistia não abrange a situação do partido de Nsé Obiang.

Nas eleições legislativas de 2017, o CI foi o único partido da oposição que conseguiu um lugar no Parlamento mas o deputado foi condenado em tribunal em 2018.

Nas últimas eleições presidenciais, em 2016, Teodoro Obiang, foi reeleito com mais de 95% dos votos, mas a oposição e observadores internacionais acusaram o partido no poder de fraude contra a oposição.

Obiang, 80 anos, que dirige o país desde 1979 é o chefe de Estado com mais tempo no poder, a nível mundial.

Desde a independência de Espanha em 1968, a Guiné Equatorial é apontado pelas organizações de direitos humanos internacionais como um dos países mais corruptos e repressivos do mundo.

A Semana com Lusa

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