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Alerta: Oposição diz que Cabo Verde enfrenta desafios com sucesso, mas alerta que no plano social as coisas tendem em ser dramáticas 14 Dezembro 2022

O PAICV, em jeito de balanço na sessão parlamentar deste último mês do ano, considerou, hoje, que Cabo Verde é de facto um país especial, porque enfrenta com sucesso os desafios, destacando as conquistas nacionais conseguidas a nível do desporto e da cultura. Mas, conforme o presidente Rui Semedo, nem tudo neste país é desporto e cultura e «a contrastar com esta dimensão há uma realidade do quotidiano das pessoas, o país real onde as coisas tendem a ser dramáticas».

Alerta: Oposição diz que Cabo Verde enfrenta desafios com sucesso, mas alerta que no plano social as coisas tendem em ser dramáticas

Em declaração política, Rui Semedo destacou que temos em Cabo Verde um povo a quem foi testada toda a sua capacidade de resiliência e de resistência e que durante este ano atingiu o limite da sua possibilidade de aguentar os sacrifícios.
É a seca cujos efeitos insistiram em nos perseguir, com toda a sua fúria e dureza, é a pandemia que que sacudiu todas as nossas ancoras, desamparou famílias e desestruturou empresas e é a guerra que veio guindar os preços para cume das montanhas das nossas vidas e afundar o poder de compra para níveis rasantes”, salientou Semedo.

Para piorar as coisas, ainda mais, tivemos que enfrentar a crise de um governo gordo, despesista e gastador, ineficiente e insensível e desconectado com a realidade e o sentimento das pessoas”, completou.

Para este partido da oposição, o Governo não esteve à altura de estruturar medidas para aliviar ou impedir que as pessoas sofressem de forma tão pesada os efeitos da crise.

As pessoas viveram em grandes dificuldades, o nível da pobreza aumentou, a taxa de desemprego disparou para níveis incomportáveis, o desemprego jovem subiu para níveis máximos, os preços dos produtos elevaram-se para patamares altíssimos e viver com dignidade passou a ser uma miragem”, continuou.

Segundo a mesma fonte, as respostas do governo perante estas situações desesperantes do povo foram mais na perspetiva da intensificação da propaganda e a exploração do marketing como instrumentos para anestesiar as pessoas e vender uma realidade falsa.

Setor primário abandonado e carreiras profissionais estagnadas

Denunciou que a agricultura não mereceu a devida atenção, a água continua a escassear, tanto para o consumo das famílias como para a atividade agrícola, e as promessas da sua disponibilização não estão a sair do papel.

«A pesca continua a ser um parente pobre e durante este ano não registou nenhum investimento público para melhorar o desempenho do sector. A economia marítima, no seu todo, parece estar à espera de melhores dias com oportunidades perdidas, investimentos adiados e potencialidades desaproveitadas», enumerou.

Criticou que as respostas às exigências de normalização das diversas carreiras profissionais continuam a ser adiadas com impactos negativos na motivação de várias categorias profissionais.

Administração Pública partidarizada

Prosseguindo no seu balanço do ano político, Semedo referiu que o país continuou a ter muitos desperdícios em termos de recursos humanos, recursos materiais e recursos Financeiros no meio de muita intransparência na gestão dos recursos públicos.

«A Administração Pública foi posta a jeito para uma desmedida e descarada partidarização, onde cargos são desenhados para servir interesses e apetites partidários em detrimento da busca da eficiência e da eficácia do Estado que deveria estar focado na missão de servir os cabo-verdianos, com respeito com igualdade, com dignidade e sem discriminação, de qualquer natureza», destacou

Acrescentou que a «Administração, que deveria ser isenta, está a ser dirigida com base em privilégios de grupos ou de clãs de referência para o recrutamento de dirigentes para a Administração direta ou indireta do Estado».

Caos nos transportes, insegurança e declaração de contingência para S.Vicente

Alertou que os transportes teimam em não se libertar das assombrações e maus olhados, apesar de todos os exorcismos e de todas as esconjuras.

«A criminalidade campeia solta e a insegurança emerge como um dos problemas mais graves do país, reclamando medidas urgentes sob pena de se comprometer o futuro destas ilhas», denunciou.

Rui Semedo realçou ainda que a democracia ressente da falta de diálogo e da negociação políticas e está condicionada pela arrogância que parece ter instalado na cultura e nas atitudes dos atuais detentores do poder.

«A declaração de contingência para S. Vicente, nestas condições, é mais uma facada no coração da democracia. São Vicente pode ser ajudado a resolver os problemas da chuva sem este expediente de contingência», criticou o presidente do maior partido da oposição na sua declaração política durante a sessão plenária de hoje da Assembleia Nacional.

Vitórias e proposta para criação de fundo para competições internacionais

“Apesar das vicissitudes diversas, apesar dos contratempos constantes, apesar das dificuldades profundas os cabo-verdianos continuam a dar-nos razão para comemorar, razões para alegrar os nossos corações e acreditar que, sim, é possível continuar a sonhar e a perseguir os nossos sonhos”, destacou o parlamentar.

Neste particular, salienta as várias conquistas que Cabo Verde conseguiu no desporto. «Sentimo-lo quando a seleção sénior masculina de andebol conquistou a medalha de prata no Campeonato Africano das Nações. Apreciámo-lo quando os nossos basquetebolistas nos colocaram no 4.º lugar do power ranking do apuramento para a Copa Mundial da FIBA. Saboreamo-lo quando Cabo Verde subiu ao pódio com duas medalhas de prata no campeonato do Mundo dos paraolímpicos, de Túnis 2022. Estimamo-lo quando vimos Yanick Duarte no Master de jiu-jitsu, disputado na Espanha e na Escócia. Admiramo-lo quando os nossos pugilistas conquistaram sete medalhas (quatro de ouro, um de prata e dois de bronze) no campeonato da Zona II da modalidade. Ou ainda a conquista de primeiro lugar dos 54 quilos por um outro pugilista. Contemplamo-lo quando Lino Rodrigues se sagrou campeão do mundial fisiculturismo ou quando um outro colega seu se sagrou vice-campeão na categoria do Men’s Physique».

Semedo considerou que «estas referências é uma forma de render homenagem neste ano de 2022 a todos os nossos e as nossas atletas» nas mais variadas modalidades, que estão a esforçar-se para dar a si próprios e a todos nós estas alegrias que não podemos pagar.

«Uma forma de pagar séria, e esta é uma proposta, constituirmos um fundo nacional para a participação de Cabo Verde nas competições internacionais para, primeiro garantir que nenhum cabo-verdiano, em condições de competir, ficasse de fora das competições internacionais; segundo, que todas as equipas de todas modalidades possam participar, sem sobressaltos e sem humiliações, nos compromissos internacionais, e terceiro, para que haja uma fonte estável para financiar os compromissos internacionais», propôs em termos de políticas alternativas.

Grandes conquistas na cultura

Analisou também que o país sentiu o mesmo dinamismo e entusiasmo no que à atividade cultural. «Pudemos testemunhá-lo no dinamismo editorial e na diversificação da produção literária, na retoma das atividades massivas ligadas à música, ao teatro, à dança e a outras manifestações culturais e pudemos também ver vários trabalhos e criadores a serem reconhecidos».

Salientou o caso do poeta José Luiz Tavares, que foi galardoado com dois prémios: um selecionado para a primeira edição das bolsas de Residência Literária Eça de Queiroz e segundo, o prémio Ulysses 2022. «Temos ainda a escritora Dina Salústio agraciada com o Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia 2022».

Rui Semedo testemunhou também o revitalizar do batuque, cada vez mais reconhecido e com perspetivas de crescer e se projetar além-fronteiras e a língua nacional a ser introduzida na agenda dos debates nacionais, o que poderá indiciar um bom prenúncio.

Num outro registo, estamos ainda a tempo de felicitar, prossegue Semedo, a Stephany Amado pelos feitos recentes no Japão, 1ª Dama e Miss Internacional África.

«Um país com esta dinâmica cultural tão pujante é um país com ALMA e um país com uma ação desportiva tão intensa e tão reconhecida é um país com VIDA. Estas situações demonstram-nos que é possível sim e que não devemos perder as esperanças para um futuro melhor», admitiu.

PAICV disponível ao consenso sobre as grandes questões

Segundo asseverou Rui Semedo, o PAICV se disponibiliza para o diálogo e entendimentos sobre as grandes questões nacionais, colocando em primeiro lugar os supremos interesses dos cabo-verdianos que esperam dos políticos uma atitude patriótica e responsável.

«O PAICV acredita que se pode fazer política diferente nestas ilhas e que há espaço para se fazer mais e melhor para acudir as populações sofredoras para além de uma relação saudável com todos que queiram contribuir para um Cabo Verde mais desenvolvido, mais justo, mais solidário e com oportunidades para todos», enfatizou o líder do maior partido da oposição, que aproveitou a última sessão plenária da AN para desejar «Boas Festas a todas e a todos, Feliz Natal e votos de um Ano Novo com esperanças renovadas».

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