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Caso de derrota de Cabo Verde na CEDEAO: Orlando Dias não esperava que o Governo escolhesse outra pessoa 22 Dezembro 2017

O deputado do MpD e vice-presidente do Parlamento da CEDEAO, que também se disponibilizou para a presidência daquela organização regional, Orlando Dias, disse, hoje,22, que não esperava que o Governo indigitasse uma outra pessoa para a Comissão da CEDEAO que não ele, mas que continua a trabalhar para que Cabo Verde venha a assumir a presidência da organização. “Foi um erro. A CEDEAO não perde com isso. Cabo Verde é um país com 500 mil habitantes e é um mercado pequeno, enquanto a CEDEAO tem 340 milhões de habitantes. Cabo Verde perde com isso, mas tem a possibilidade de recuperar, melhorando o seu trabalho junto da comunidade”, indicou Orlando Dias,

Caso de derrota de Cabo Verde na CEDEAO: Orlando Dias não esperava que o Governo escolhesse outra pessoa

Orlando Dias, um dos que se disponibilizaram para ser indicado por Cabo Verde para presidir à Comissão da Comunidade Económica dos Países da África Ocidental, fez estas declarações em conferência de imprensa para reagir ao facto de o país ter sido preterido a favor da Costa do Marfim para conduzir os destinos da comunidade nos próximos quatro anos.

Lembrou que há mais de um ano e meio foi contactado pela Nigéria e Gana, dois membros de peso na CEDEAO, da possibilidade de Cabo Verde assumir a presidência da comunidade em 2018, uma vez que, por ordem alfabética, poderia ser a vez do arquipélago.

“Na altura, estes dois países comunicaram-me que tínhamos um problema da dívida superior a 20 milhões de euros e que devia ser resolvido”, afirmou Orlando Dias, acrescentando que, na sequência desta advertência, trouxe cartas do Parlamento da CEDEAO para as “autoridades competentes cabo-verdianas, com o objectivo de tentarem negociar esta dívida”.

Segundo ele, aconselhado por Nigéria e Gana, disponibilizou-se internamente para ser candidato à presidência da Comissão daquela organização sub-regional, tendo comunicado esta sua intenção às autoridades cabo-verdianas.

“Estava convencido que seria eu o candidato (de Cabo Verde) escolhido, tendo em conta o percurso que tenho na CEDEAO”, enfatizou, acrescentando que “conhece bem” a comunidade, além de as relações interpessoais na organização sub-regional serem “muito importantes”.

Revelou aos jornalistas que decidiu declarar publicamente a sua disponibilidade depois de o comissário cabo-verdiano para as Tecnologias Informacionais da CEDEAO, Isaías Barreto, o ter feito, mas que o fez para que as pessoas também soubessem que havia mais pessoas disponíveis.

“Duas ou três semanas depois da publicação no jornal A Nação que, eventualmente, haveria uma outra pessoa (José Luís Livramento) em relação à qual o Governo estaria a pensar, fui comunicado que, de facto, o Governo estava a pensar numa outra pessoa e não na minha”, precisou Orlando Dias, adiantando que em Novembro houve esta “reafirmação”.

Na conferência de imprensa, deixou transparecer que não esteve de acordo com o Governo, quando este lhe comunicou sobre a pessoa escolhida para a Comissão da CEDEAO, argumentando sempre com o seu percurso ao nível da comunidade.

“Em Novembro, recebi uma nova comunicação reafirmando que a escolha era outra pessoa e não Orlando Dias”, assegurou, adiantando que, apesar disso, continuou a trabalhar no sentido de Cabo Verde conseguir a presidência da CEDEAO, porque, diz, “coloca os interesses nacionais acima de tudo”.

Instado se o candidato escolhido por Cabo Verde terá contribuído para a sua derrota, respondeu que só sabe que o “candidato que o Estado proponente escolhe pode não ser aceite, porque a CEDEAO tem os seus princípios”.

“Aceitam candidato que acham que tem condições e tenha ligações com a comunidade”, afiançou, numa referência às decisões que possam ser tomadas ao nível da organização.

À pergunta se, efectivamente, os “arranjos políticos” invocados pelas autoridades cabo-verdianas impediram que o país presidisse à Comissão a partir do próximo ano, respondeu que “há vários factores”, mas preferiu destacar a questão das contribuições que, de acordo com as suas palavras, tem “um peso importante”.

“O facto de o Governo ter negociado em Dezembro a questão da dívida e a Comissão ter aceite, não significa que os ministros ou Chefes de Estado aceitaram”, indicou Orlando Dias, para quem “vários países membros têm dívidas, mas não são comparáveis às de Cabo Verde e nem ficaram muitos anos sucessivos sem pagar”.

“Em termos profissionais, Cabo Verde é o maior devedor”, explicou.

Orlando Dias evita falar em como o trabalho de casa não foi bem feito para levar o país a presidir à Comissão da CEDEAO, mas admite que houve “várias falhas no processo”, as quais devem “servir de lição” para, no futuro, “Cabo Verde trabalhar melhor essas questões”.

“Ao estarmos na comunidade temos que participar em todas as reuniões técnicas e isto não vem acontecendo. Quando há reuniões do conselho de ministros, Cabo Verde deve ser representado pelo ministro que tutela a área, porque a comunidade dá importância a isto”, comentou o vice-presidente do Parlamento da CEDEAO, queixando-se que “nem sempre isto tem acontecido”.

Para ele, quando há candidaturas para cargos na CEDEAO, o assunto deve ser trabalhado antes, ou seja, nas reuniões técnicas e do conselho de ministros.

“As relações interpessoais na CEDEAO contam. Os nossos governantes devem ter uma melhor relação com os seus homólogos”, concluiu.

Dias considera ser uma “excelente medida” a criação do cargo de ministro que se ocupa de questões de integração de Cabo Verde na CEDEAO.

Em declarações aos jornalistas logo após se conhecer o próximo presidente da Comissão, o ministro dos Negócios Estrangeiros disse que é a CEDEAO que ficou a perder.

“Foi um erro. A CEDEAO não perde com isso. Cabo Verde é um país com 500 mil habitantes e é um mercado pequeno, enquanto a CEDEAO tem 340 milhões de habitantes. Cabo Verde perde com isso, mas tem a possibilidade de recuperar, melhorando o seu trabalho junto da comunidade”, indicou Orlando Dias, recordando que o arquipélago tem ainda a possibilidade de ser vice-presidente da Comissão.

“Deve haver uma ofensiva diplomática imediatamente junto dos estados da CEDEAO para que Cabo Verde assuma a vice-presidência da Comissão e, deste modo, trabalhar para a presidência em 2022”, sugeriu o ex-candidato que se mostra “disponível para servir” o país.

C/Inforpress

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