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A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Agredido brutalmente questiona TIR em casos de assaltos na Praia: “Os crimes que existem em Cabo Verde deve-se à falta de educação dos nossos cidadãos”-José Maria Djedje 05 Maio 2021

O Fundador da Escola de Preparação Integral de Futebol (EPIF), José Maria Ramos Lobo, mais conhecido por Djedje, disse ao Asemanaonline que a maior causa dos crimes existentes em Cabo Verde, com destaque na cidade da Praia, é devido à falta de educação dos cidadãos cabo-verdianos e por causa da não aplicação da lei na dimensão em que deve funcionar. Contou-nos que foi agredido brutalmente por um grupo de jovens delinquentes, deixando-o em estado de coma, desfigurando-lhe a cara consideravelmente e partindo-lhe os joelhos. Revoltado, Lobo revela que os agressores ficaram em liberdade sob regime de Termo de Identidade e Residência (TIR) prontos para novos assaltos e assassinatos, como aconteceu com o que matou recentemente com o cidadão evangelista Italdino em Safende, Praia - confessa que de nada serviram os encontros que teve com a Provedoria da Justiça, a Procuradoria-Geral da República e a Presidência da República.

Agredido brutalmente  questiona TIR em casos de assaltos na Praia: “Os crimes que existem em Cabo Verde deve-se à falta de educação dos nossos cidadãos”-José Maria Djedje

Djedje, como é conhecido sobretudo no meio desportivo, defende que existe uma necessidade de se educar as crianças “desde berço” para poderem aprender ser e estar na sociedade, argumentando que Cabo Verde tomou a independência para que haja uma governação em todos os sectores da melhor forma possível. Mas adianta estar desiludido com o que está a acontecer no país que o viu nascer.

Em entrevista ao jornal A Semana, o fundador da escola EPIF, que dedicou e ainda dedica a sua vida a educar e a formar crianças, contou-nos que foi agredido brutalmente por um grupo de jovens delinquentes, deixando-o em estado de coma, desfigurando-lhe a cara consideravelmente e partindo-lhe os joelhos.

“A minha vida inteira, dediquei-me a educar crianças para não serem bandidos e assaltar pessoas na rua. Mas fui agredido por jovens que poderiam estar perfeitamente a fazer outras coisas que não seja a bandidagem. Tenho, no entanto, a consciência de que não posso formar todas as crianças em Cabo Verde, porque isso não está no meu alcance. Fui agredido por cinco jovens, que sinceramente não estava à espera: atacaram-me e defendi na medida do possível, mas como eram muitos, conseguiram me apagar pro alguns momentos, depois fiquei em estado de coma e fui parar ao hospital. Desfiguraram a minha cara consideravelmente, quebraram o meu joelho e atingiram a parte cerebral, porque até hoje, ainda sinto algumas tonturas”, declarou.

Mesmo estando hospitalizado, José Maria pediu para visitar um dos agressores que se encontrava preso no momento antes de ser levado ao tribunal, justificando que sentiu-se obrigado a falar com aquele jovem e mostrar-lhe aquilo que tinha feito com ele. O mesmo adiantou que fez isso para ver se aquele jovem tomaria consciência e refletisse para nunca mais cometer aquele crime com quem quer que seja.

“Acredito que os jovens estão a drogar de tal maneira até ao ponto de perderem o controle de tudo e chegam a cometer um grau de violência enorme, por causa disso. Os jovens estão todos perdidos e não têm noção do que é humanismo. Não têm noção do que é matar uma pessoa e deixar famílias e filhos sem comer, sem condições de estudar, porque o pai responsável por isso foi assassinado pelos delinquentes”, ressaltou.

Descontente com a Jusitça e TIR

José Maria mostrou-se descontente com a forma como esse processo foi resolvido no Tribunal. Segundo o mesmo, depois de ter visto todas as provas e de reunir todos os agressores, o Juiz decretou Termo de Identidade e Residência (TIR) aos jovens Apesar disso, assegurou que não ficou de mãos atadas porque quer que a justiça seja feita, recorrendo à Procuradoria-Geral da Justiça e até agora nada foi feito.

Conforme ressalta, o espírito da aplicação do TIR previsto na lei nestas circunstâncias, é o mesmo que dizer aos bandidos: “Estamos a deixar-vos mais um dia fora para continuarem a assaltar e matar pessoas e só depois tomaremos providências”.

Djedje confessa que chegou a dizer isso no tribunal para despertar a consciência do juiz e suplica pela mudança da lei, que a seu ver não está a funcionar como dever ser.

“Falei também no tribunal sobre o indivíduo que matou recentemente o cidadão evangelista Italdino em Safende, na Praia, que no momento se encontrava sob TIR. E só foi preso depois de ter matado essa pessoa. Ou seja, as medidas só são tomadas nessas circunstâncias, somente quando há perdas de vida humana. A pergunta que fica é esta: porque é que não tomam medidas antes disso acontecer”?, questionou.

Mais centros de recuperação e prisões para delinquentes

Revoltado com o rumo que o país está a tomar, o fundador da EPIF efende que é necessário criar centros de recuperação para colocar os jovens delinquentes. Propõe ainda que é preciso construir mais prisões e colocar os delinquentes perigosos em péssimas condições de sobrevivência para reflectirem e aprenderem a respeitar pessoas. Esse comportamento dos jovens, segundo argumenta Djedje, deve-se ao facto de em Cabo verde não se está a fazer nada para reverter a situação da criminalidade e justiça existentes no país. MC/Redacção

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