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PAICV: São Vicente continua a liderar os piores indicadores de desenvolvimento do País 11 Abril 2018

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) mostra-se preocupado com a situação por que passa a ilha de São Vicente. É que, ao longo de uma conferência de imprensa realizada esta terça-feira, 10, o presidente da Comissão Política Regional, Alcides Graça, faz um balanço negativo destes dois anos da governação do MpD. O jovem politico do maior partido da oposição considera que a ilha de Monte Cara continua a liderar os piores indicadores deste País, estando várias famílias em situação de extrema pobreza - vivem com menos de um dólar por dia.

PAICV: São Vicente continua a liderar os piores indicadores de desenvolvimento do País

Lamentado estar com um sentimento de “profunda tristeza”, Alcides Graça exige que o actual Governo de « soluções » de Ulisses Correia e Silva faça algo nesta ilha para mostrar que também governa para São Vicente.

“O Governo de Cabo Verde vai completar, brevemente, dois anos de exercício. Foram já aprovados três orçamentos de Estado que, invariavelmente, colocaram São Vicente fora das prioridades deste Governo ao nível de investimento público, com impacto na vida das pessoas. Por isso, estamos muito preocupados com a situação da ilha, que, nalguns sectores, continua a liderar os piores indicadores deste país”, ressalta.

Para o responsável regional dos tambarinas, a estrutura das despesas das famílias sanvicentinas continua a revelar alguma preocupação, com destaque para a satisfação das necessidades primárias e essenciais para a sua sobrevivência. “Muitas famílias vivem em situação de extrema pobreza e São Vicente está praticamente estagnada. Não há investimentos públicos, os incentivos ao investimento privados não saem do papel, o que favorece o marasmo económico em que nos encontramos”, sublinha Graça.

Saúde e o aumento de doenças

O PAICV aponta ainda que o sector da saúde na ilha continua crítico. “Surpreendentemente, temos um dos piores indicadores de saúde do País. Em São Vicente constata-se uma degradação dos indicadores neste sector, com aumento de várias doenças, que em comparação com outros pontos do país estão a conhecer uma redução permanente”, refere.

Desemprego elevado ´

Sem pôr em causa a credibilidade do Instituto Nacional de Estatísticas de Cabo Verde (INECV), Alcides Graça julga que ninguém “de boa fé” que conheça a situação socioeconómica de São Vicente, acredita que foram criados 3.727 postos de trabalho nesta região em 2017.

“Hoje temos uma taxa de desemprego na ordem dos 6%; a taxa de emprego da população activa situa-se na ordem dos 59%). Se isso correspondesse à realidade, a população deveria estar satisfeita e nem manifestaria nas ruas contra a governação do MpD”, relembra.

Projectos encalhados

Esta fotografia, acrescenta Graça, mostra que São Vicente não tem merecido a atenção especial, bastas vezes prometida durante a campanha eleitoral pelo actual primeiro-ministro de Cabo Verde.

Asfaltagem e novo traçado da estrada Cidade /baía, requalificação da estância balnear da Baía das gatas, obras de ampliação do Hospital Baptista de Sousa (HBS), do Centro de Saúde de Monte Sossego do Terminal de Cruzeiros e da Zona económica marítima especial, são de entre outros, projectos que, segundo o PAICV, merecem ser desenvolvidos para que a ilha ganhe outra dinâmica.

Estagnação e falta de atenção do Governo

“Não obstante os anúncios, alguns com pompa e circunstancias, a verdade é que há dois anos que nada arranca nesta ilha, e não está previsto o arranque de nenhuma obra para os próximos tempos. Em termos de obras publicas não há nenhum sinal do governo do MPD nesta ilha, enquanto que noutras ilhas vemos diariamente sinais evidentes de governação do MPD. Nós não temos nada contra a dinâmica das outras ilhas, muito pelo contrário”, entende.

Diante disto, o maior partido da oposição continua a apontar o dedo ao executivo de Ulisses Correia e Silva por ter deixado de investir na ilha. “O Governo não é capaz, ou não está interessado em resolver problemas de estrangulamento da economia local. Aliás, não é admissível que deixe de dar prioridade máxima na resolução do problema de transporte de cargas e mercadorias para o exterior, criado com a saída da TACV do mercado doméstico. É um problema que afecta gravemente os empresários locais com interesse na exportação, que deve ser resolvido o mais rapidamente possível, sob pena de saírem de São Vicente, com todas as consequências inerentes”, adverte Alcides Graça

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