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Parlamento: PAICV alerta sobre crise de governação e as políticas que não estão a reduzir a pobreza em Cabo Verde 29 Julho 2022

O líder da bancada parlamentar do PAICV afirmou hoje, durante a abertura do debate do Estado da Nação, que as políticas adotadas pelo atual governo do MpD inverteram a caminhada de sucessos para a redução da pobreza em Cabo Verde, que vinha sendo imprimida e que mereceu a avaliação do País como campeão da luta contra a pobreza nos anos anteriores no governo de José Maria Neves. João Batista Pereira concluiu que a «Nação vive uma crise de governação», que tem de ser superada com a maior brevidade possível.

Parlamento: PAICV alerta sobre crise de governação e as políticas que não estão a reduzir a pobreza em Cabo Verde

Olhando para o todo nacional, de norte ao sul do país, de Santo Antão à Brava, temos de dizer que o Governo em funções tem, também, a sua quota parte de responsabilidade diante das dificuldades que o país e os cabo-verdianos atravessam presentemente, gerando uma quarta dimensão da crise, que podemos designar de crise de governação”, disse João Baptista.

Segundo este parlamentar, o aumento exponencial da dívida pública de Cabo Verde atingiu o aumento exponencial da dívida pública de Cabo Verde, atingindo assim o valor histórico de cerca de 294 milhões de contos.

Acresce-se a isso, o aumento dos passivos contingentes, que já atingiu a cifra dos 37, 5 milhões contos, por causa do uso abusivo de garantias do Estado por parte deste Governo, fazendo disparar a divida total do país para cerca de 331,5 milhões de contos, ou seja, quase o dobro da Produção Interna Bruta”, continuou.

Diante desta realidade, prosseguiu afirmando que escalada do endividamento público, que “expõe toda a sociedade cabo-verdiana”, particularmente as próximas gerações, diante do perigo e das consequências de insustentabilidade da dívida já vinha, portanto, de 2016 e não pode ser imputada apenas aos efeitos da crise.

“Na Educação, a qualidade do ensino está a deteriorar-se de forma preocupante. É inaceitável que, da avaliação feita a alunos do 2.º e 6.º anos nas disciplinas de Português e Matemática, só 9,1% conseguiu atingir os objetivos da avaliação e que apenas 6 em cada 10 alunos revelou ser capaz de responder às questões colocadas”, apontou.

É diante deste “quadro sombrio” que, conforme disse, o Governo, embalado pelo slogan propagandístico “não deixar ninguém para trás” decide forçar a passagem de alunos impreparados, não se dando conta que, agindo assim num setor tão estratégico como a Educação, está a relegar para trás uma geração inteira e, em consequência, todo este país e todos nós.

Principais indicadores em queda

Continuando a traçar o quadro negro por que passa Cabo Verde com a atual governação de Ulisses Correia e Silva, Baptista apresentou estatísticas com números sobre vários indicadores e sectores:

  • A recessão económica de 2020, mas também as políticas desajustadas deste Governo, inverteram a caminhada de sucessos para a redução da pobreza em Cabo Verde, que vinhas sendo imprimida e que mereceu a avaliação do País como campeão da luta contra a pobreza nos anos precedentes.
  • A situação agravou-se claramente e colocou milhares de cabo-verdianos na pobreza temporária.
  • O número de empregados em Cabo Verde caiu de 209 mil, em 2016, para 186.627 empregados, em 2020. Ou seja, a Nação registou uma perda de mais 20 mil empregos, em quatro anos.
  • Os inativos aumentaram de 140 mil para mais de 193 mil, ou seja, mais 53 mil pessoas engrossaram a já longa lista dos desanimados.
  • Estima-se em 74.630 o número de jovens que estão fora da educação, do emprego ou da formação (NEET).
  • O número de pobres em Cabo Verde atinge os 186 mil, sendo que 115 mil estão a viver em situação de pobreza extrema,
  • Cerca de 181 mil cabo-verdianos estão afetados pelas crises de alimentos e de nutrição em Cabo Verde e vivem em situação de insegurança alimentar.
  • O número de barracas aumentou em Cabo Verde, pois há um elevado défice habitacional no país.

Caus nos transportes e contratos leoninos

A situação de caus que se vive no setor dos transportes mereceu também um lugar de destaque na comunicação do líder parlamentar do PAICV durante o debate sobre o Estado da Nação em 2022.

Nos transportes, a Nação continua impávida e serena a ver até onde vai a capacidade do Governo de inventar desculpas, na vã tentativa de fintar a grave crise de conetividade entre as ilhas, e entre estas com o mundo, que a Nação vive”, prosseguiu.

Em relação aos transportes, João Batista disse que os cabo-verdianos sabem que, nesse setor, o governo tomou uma série de decisões erradas e fez um conjunto de negócios absolutamente obscuros, leoninos e lesivos do interesse público Nacional.

“Os resultados estão à vista! O transporte marítimo entre as ilhas piorou substancialmente, hoje as coisas quedam-se cristalinas: viajar entre as ilhas e a diáspora tornou-se um ato penoso, imprevisível e insustentável para o bolso da maioria dos cabo-verdianos, nos transportes aéreos, a privatização, por ajuste direto, feita pelo Governo redunda simples e designadamente em mais de 7 milhões e 450 mil contos em avales concedidos pelo Estado à empresa, que constituem, agora, dívida pública a ser paga por todos os cabo-verdianos”, frisou.

Por isso, aquele líder parlamentar concluiu que para a maioria dos cabo-verdianos e para além das crises da seca, da pandemia e da guerra, a Nação vive, igualmente, uma crise de governação, que tem de «ser superada com a maior brevidade possível».

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