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PAICV acusa Governo de promover “intransparência e nacionalização” nos processos da privatização 22 Agosto 2019

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição) acusou hoje o Governo de promover “intransparência e nacionalização” nos processos da privatização, “afastando as empresas nacionais e financiando as estrangeiras com recursos internos”.

PAICV acusa Governo de promover “intransparência e nacionalização” nos processos da privatização

Em conferência de imprensa na Cidade da Praia, o secretário-geral (SG) do PAICV, Julião Varela, disse que “interpretando o sentimento dos cabo-verdianos”, o seu partido manifesta a sua preocupação com a governação económica do país e a confusão que “agora se instala” entre privatização e nacionalização das empresas estatais.

“Além do estabelecimento do contrato de concessão para transporte marítimo, foram anunciadas as privatizações da Electra e da EMPROFAC, uma das empresas mais lucrativas do país, a venda da participação na INPHARMA e a concessão de serviços portuários”, citou.

Das privatizações até agora feitas, acrescentou, não há “qualquer capital” proveniente do estrangeiro, salientando que quem tem assumido o “financiamento de todo o processo” é o Governo, que, traduzindo em outras palavras, segundo afirmou, “quem diz o executivo diz os contribuintes cabo-verdianos”.

Segundo Julião Varela, além de assumir todo o passivo dos TACV (Transportes Aéreos de Cabo Verde), cerca de 15 milhões de contos, o Governo já gastou, só em 2018, 2,5 milhões, isso, conforme o mesmo, sem contar com os avales e garantias concedidas à empresa, “sendo o último valor conhecido, 22 milhões de euros, para a sua tesouraria.

“Apesar de toda essa injecção financeira, ainda nos dizem que a Cabo Verde Airlines (CVA) terá prejuízos nos três primeiros anos”, lembrou, questionando se a Icelandair tem “algum interesse especial em que a CVA dê lucro.

A mesma fonte reiterou ainda que para a referida empresa, “dar lucro ou prejuízo, tanto faz”.

“Afinal, por cada um dos seus Boeings, retirados da circulação no quadro da substituição da frota na Islândia, ganha 3.800 dólares (USD) por cada hora de voo, desde já fixado, um mínimo de 300 horas por mês, ou seja, um total de USD 1. 140 000, enquanto a prática internacional, em iguais circunstâncias, regista, por exemplo, o montante de USD 480. 000 por mês para um Boeing 787”, analisou.

Para este dirigente partidário, quanto mais aviões a Icelandair colocar ao serviço da CVA, mais ganha pela via de aluguer.

No que se refere ao transporte marítimo, Julião Varela assegurou que, “para a surpresa de todos”, o Governo “acabou de nacionalizar a Fast Ferry”, comprando todas as acções dos privados, o que, no entender dele, o executivo é agora dono dos três barcos da referida empresa, agora colocados à disposição da Transinsular, apesar de serem considerados inadequados para os “nossos mares”.

“Depois de ter administrativamente afastado os armadores nacionais do concurso para a concessão de transportes marítimos interilhas, através das exigências fixadas no concurso, tentou remediar o mal, patrocinando a entrada de alguns armadores com o capital social de 49% e, agora, magistralmente, dá uma machada na empresa que nos últimos anos deu um grande contributo para a ligação entre as ilhas de Cabo Verde, a CV Fast Ferry, um investimento, outrora muito estimado dos emigrantes cabo-verdianos”, recordou.

O secretário-geral do maior partido da oposição, assegurou que, além dos referidos três barcos, o Estado vai remunerar a empresa com 10 por cento (%) sobre o resultado da exploração anual, assim como compensá-la com os eventuais prejuízos na exploração da frota.

De acordo com este responsável, anualmente o Governo vai servir de avalista para empréstimo para a tesouraria da referida empresa. É neste sentido que o mesmo questiona se “é dessa forma que se demonstra a paixão pelos empresários nacionais”.

“De zigue zague em zigue zague, este Governo, ora privatiza, ora nacionaliza. Nacionalizou a CV Telecom com o dinheiro do INPS (Instituto Nacional de Previdência Social), adquire 27% das acções, na CECV (Caixa Económica de Cabo Verde) e agora compra todas as acções da Cabo Verde Fasty Ferry”, lamentou, acrescentando que se o objectivo é atrair capital estrangeiro, “até agora não houve mobilização”.

“O PAICV entende que o país tem outras prioridades e que os privados cabo-verdianos devem e merecem ter apoios e não conversa fiada”, enfatizou. A Semana com Inforpress

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