POLÍTICA

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PAICV qualifica de «triste incidente» o caso de recusa de entrada de 8 africanos no país 05 Abril 2021

Em comunicado, o PAICV qualificou de «triste incidente» a decisão do Governo de governo de Cabo Verde que impediu a entrada ao país de oito supostos turistas africanos, sendo um cidadão guineense, um camaronês, um jordano, um queniano, um costa-marfinense e três nigerianos, todos do mesmo voo, proveniente de Dacar. O maior partido da oposição alerta que este «não é um caso isolado porque episódios com igual consequência são bem mais frequentes do que possamos imaginar, envolvendo personalidades, como se pode ilustrar com o caso do investigador guineense que foi largamente noticiado por vários órgãos de comunicação social e retomado amplamente nas redes sociais».

PAICV qualifica de «triste incidente» o caso de recusa de entrada de 8 africanos no país

Diz o maior partido da oposição que, nestes dias, está a correr o mundo, mais uma vez, uma “triste e constrangedora” notícia de turistas nigerianos que foram impedidos de entrar em Cabo Verde (ver esta edição), um país membro da CEDEAO que, em princípio, deveria beneficiar das normas comunitárias de livre circulação. “Com efeito, três nigerianos apresentaram queixa contra o Governo de Cabo Verde pelo facto de terem sido impedidos de entrar nestas ilhas e terem sido deportados como se de criminosos se tratassem”, reporta o PAICV, em comunicado remetido ao Asemanaonline.

Avança que, segundo a queixa a que a LUSA teve acesso, os turistas nigerianos baseiam na ideia de discriminação, uma vez que cidadãos de outras proveniências foram deixados entrar sem qualquer problema e estes foram impedidos de transpor as nossas fronteiras sem uma justificação aplausível. Entretanto, sabe-se que juntamente com os três nigerianos foram deportados mais três cidadãos estrangeiros, sendo um queniano, um costa-marfinense e um guineense.

Conforme o cumunciado referido, o maior partido da oposição alega que as queixas foram apresentadas ao Governo da Nigéria, que é também membro da CEDEAO, com “grande expressão e com fortes influências” junto de outros países da nossa comunidade que parece estar a ser desvalorizada e desprezada por Cabo Verde.

“Este triste incidente, infelizmente, não é um caso isolado porque episódios com igual consequência são bem mais frequentes do que possamos imaginar, envolvendo personalidades como se pode ilustrar com o caso do investigador guineense que foi largamente noticiado por vários órgãos de comunicação social e retomado amplamente nas redes sociais”, lembra o PAICV, acrescentando que com relação a este incidente o Governo de Cabo Verde está habituado a se remeter ao “mais profundo silêncio, fugindo das suas responsabilidades e fingindo que nada esteja a acontecer”.

Cúmulo de falhas e desrespeito contra CEDEAO

O PAICV critica, por outro lado, que o Governo desta República, que sempre se preocupou com a sua credibilidade e a utilidade junto dos parceiros e das diversas comunidades a que pertence, parece que deixou que o profissionalismo seja substituído por um amadorismo militante que põe em causa o bom nome do País e a sua respeitabilidade.

O comuncado referido recorda que com a CEDEAO Cao Verde tem estado a acumular falhas atrás de falhas, cada uma mais grave que outra, como o processo da nossa candidatura aos órgãos cimeiros desta organização e a reação imatura e intempestiva e o tratamento pouco respeitoso e sem qualquer dignidade dos cidadãos desta nossa comunidade de países irmãos.

“Temos que ser capazes de valorizar a África, nosso continente, o espaço que nos torna grandes e mais valorizados junto de outras comunidades de outros espaços geográficos. Aliás, a nossa política externa tem que ter um novo norte e deixar de cometer gaffes e erros que envergonham a comunidade nacional e põe em causa a confiança e o respeito conquistados durante anos de investimento numa diplomacia responsável que sempre nos orgulhou a todos. Temos que despir de todos os complexos e relacionar com os outros de forma digna, com respeito pelos compromissos que firmamos em vários espaços regionais e internacionais”, aconselha.

Ainda, segundo o comunicado, nos últimos tempos a relação de Cabo Verde com a CEDEAO tem estado em erosão permanente, designadamente, com o dossier em torno de Alex Saab, enviado especial da Venezuela, que tem sido objeto de várias decisões dos diversos órgãos da Comunidade da África Ocidental. “Cabo Verde pode estar em situação de sanção por incumprimento, sem qualquer justificação do Governo, das decisões quer do Tribunal quer de outras instâncias da CEDEAO”, lê-se na nota do PAICV.

O partido tambarina é da opinião que o Governo de Cabo Verde, “embora nos seus últimos dias do seu mandato”, tem que definir claramente o que pretende dessa nossa comunidade e que tipo de relação pretende ter com os países do nosso continente africano.

Diplomacia e caso do Consul de extrema direita

“Ainda está fresco na memoria dos cabo-verdianos a nomeação de cônsules honorários ligados a partidos de extrema direita que, por ser exageradamente escandaloso, levou à demissão de um Ministro”, ressalta.

Dainte desta desorientação diplomatica, o PAICV defende que um país como Cabo Verde, que tem uma vasta comunidade espalhada pelo mundo fora, tem que ter muito mais cuidado no tratamento de todos aqueles que passam ou visitam estas ilhas. Propõe que a orientação da nossa política externa deve ser “Por um país que respeita as diferenças, mais justo, mais tolerante, com menos preconceitos, que abraça e integra a todos. Por um Cabo Verde Para Todos”, conclui o comunicado que vimos citando.

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