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PAICV afirma que classe docente vive “um quadro negro” e tem sido “desvalorizada” pelo Governo 26 Abril 2022

O deputado do PAICV Armindo Freitas afirmou hoje que os professores cabo-verdianos vivem “um quadro negro e de angustia” e continua a ser uma classe “desvalorizada e desprestigiada” pelo Governo nos últimos anos.

PAICV afirma que classe docente vive “um quadro negro” e tem sido “desvalorizada” pelo Governo

A afirmação do deputado do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) foi feita durante uma declaração política na segunda sessão parlamentar deste mês, que terá como ponto alto o debate com o primeiro-ministro, no dia 28, sobre o sector da segurança.

Fazendo referência à celebração do Dia do Professor Cabo-verdiano assinalado no passado dia 23, o PAICV, segundo o parlamentar, considera que passados 32 anos da instituição da data, a classe tem ainda “reivindicações inaceitáveis para serem cumpridas”.

“Este ano, por exemplo, o mês de Abril e a data foram ensombradas pela inequívoca e inegável onda de descontentamento generalizado, por parte da classe docente, como ficou demonstrado pelas declarações dos vários sindicatos e de toda a classe docente”, asseverou, lembrando que foram realizadas manifestações em várias ilhas para uma melhor valorização e justiça social para com a classe.

Destacou a importância da profissão, que abrange o ensino básico, secundário, médio e superior, tendo sublinhando que os professores e formadores têm “um lugar de destaque” nas sociedades mais evoluídas do mundo actual e tem “melhores condições de trabalho e valorização”.

Em Cabo Verde, referiu, não obstante “alguns ganhos” resultantes dos investimentos na educação, com reflexo no exercício da profissão docente, confronta-se hoje com uma classe profissional desvalorizada.

“O grupo parlamentar do PAICV reconhece e enaltece o contributo inigualável dos docentes na construção do país. Reconhecemos, o papel matricial que os professores sempre tiveram na alfabetização, na formação de todas as classes profissionais, na educação de todas as gerações desta grande nação cabo-verdiana”, afirmou, destacando os investimentos feitos na governação do PAICV, entre 2001 e 2016, na melhoria de condições de trabalho dos professores cabo-verdianos.

Para Armindo Freitas, os professores cabo-verdianos vivem a angústia de verem a classe a ser desvalorizada e desprestigiada, perante um Governo e um Ministro da Educação “propagandistas”, “sorrateiros” e de retóricas circunstanciais e ocasionais e que vêm adiando soluções para a classe.

“Não obstante a angústia e quadro negro em que vivem os professores cabo-verdianos, estando este Governo do MPD no seu segundo mandato, incapaz até de implementar um estatuo herdado e deixando acumular já seis anos de pendências, os professores cabo-verdianos, com o espírito heróico de sempre, continuam a prestar um serviço de excelência ao País”, afirmou.

Exortou, neste sentido, o executivo a deixar de lado as retóricas circunstanciais e ocasionais, a adoptar uma verdadeira política de valorização da classe docente e implementar a Política Nacional para a Docência em Cabo Verde, para que, reforçou, efectivamente a profissão seja valorizada e a eficácia e qualidade no ensino seja garantida.

Questionou por outro lado, o Governo para quando pretende assumir compromissos do Estado com a educação e classe docente, nomeadamente reformas, implementação e adequação do estatuto da classe, evitando este ziguezague ao professor e tornar a classe bem remunerada.

Por seu turno, o deputado do Movimento para a Democracia (MpD, poder) Damião Medina, afirmou que a declaração política do PAICV “deixa a todos incrédulos” e mostra que o PAICV é “um partido corajoso”, porque “deixou na rua de amargura” mais de cinco mil professores, com pendências por resolver de 2008 a 2016.

“Este exercício que o PAICV esteve aqui a fazer, podemos considerar de remissão dos pecados, tendo em conta a dívida que tem para com os professores com os professores”, declarou, salientado que o PAICV tem “uma grande dívida” para com os professores e que o mesmo “não pode zerar” o trabalho feito pelo executivo sustentado pelo MpD.

O actual Governo, ainda segundo Damião Medina, “não tem lição de moral para receber do PAICV”, porque o mesmo, justificou, já resolveu vários problemas que afectam cerca de sete mil professores, num orçamento que ronda os 700 mil contos.

Por sua vez, a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição), na voz da deputada Dora Pires, enalteceu o contributo que os professores têm dado no processo de construção e desenvolvimento de Cabo Verde ao longo dos anos.

Defendeu, neste sentido, a necessidade de melhores condições para a classe docente cabo-verdiana, reconhecimento, valorização dos professores, que ao seu ver passa por um ajuntamento dos educadores, pais encarregados de educação, sociedade civil e o Governo.

“É necessário ter um meio envolvente gostaríamos de fazer um apelo para que as escolas sejam cada vez mais apreciáveis, que haja boas condições, que as bibliotecas também estejam bem apetrechadas”, concluiu. A Semana com Inforpress

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