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Parlamento: PAICV critica “fragilidade do sistema educativo” e diz que existe um “estado educativo clandestino” 10 Outubro 2018

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) criticou hoje as “fragilidades no sistema educativo e a desorganização” no arranque do ano lectivo que, na óptica do partido da oposição, está a transformar-se num “estado educativo clandestino”.

Parlamento: PAICV critica “fragilidade do sistema educativo” e diz que existe um “estado educativo clandestino”

As críticas ao sistema educativo foram feitas pela deputada nacional do PAICV Filomena Vieira, no Parlamento, durante a sua intervenção no momento dedicado a perguntas dos deputados ao Governo.

Segundo a deputada, neste momento está-se a presenciar o aprofundar de fragilidades anteriormente existentes e, por outro lado, de forma “inacreditável ao surgimento de grandes e novos problemas”.

A titulo de exemplo, Filomena Vieira citou o lançamento tardio do concurso para recrutamento de docentes quando os alunos já estão com um mês e meio de aulas.

“Algo absolutamente inacreditável e inimaginável é que após a abertura do ano lectivo a 17 de setembro que o Ministério da Educação anuncia um concurso para a colocação de 300 docentes. O concurso será a 22 Outubro, mais de um mês e tal após o início das aulas”, criticou a eleita do PAICV comparando esta situação com o período após 25 de Abril e com os primeiros anos da independência.

“Estamos a falar de largas centenas de alunos sem professores. Se acrescentarmos a este calendário o prazo para eventuais reclamações após o concurso, a fixação das listas, as hipotéticas transferências. A questão ensurdecedora será quando é que estas largas centenas de alunos terão professores”, indagou, para depois responder que, provavelmente, só deverão começar aulas em Dezembro, o que considera “gravíssimo”.

Outro problema, conforme Filomena Vieira, refere-se aos professores do 5º e 6º ano que, apesar de estarem a trabalhar, estão preocupados porque voltaram a horários com carga horária superior ao que o estatuto permite.

Estes, avançou a deputada, sentem-se defraudados e desmotivados porque não receberam as horas extraordinárias prometidas no ano passado e não podem recursar esta carga horaria devido ao regime de docência optado pelo Governo.

Filomena Vieira também insurgiu contra o modelo do agrupamento escolar que, nas suas palavas, “foi imposto” ao sistema educativo sem respaldo da Lei de Bases do Sistema Educativo, considerando-o ilegal, e sobretudo imoral.

Isto porque, ajuntou, este modelo tem obrigado os alunos contrariamente ao que lei estipula a percorreram vários quilómetros para terem acesso à educação.

“A situação mais gritante é a que vivem aos alunos do 5º e 6º ano em São Nicolau. Falamos de crianças de 10 e 11 anos da zona de Carriçal, que estão obrigadas a assistir as aulas na Ribeira Brava a uma distância essencialmente de 40 quilómetros”, protestou realçando que este sistema está a obrigar as crianças a ficar no internato longe da convivência familiar.

Acrescentou ainda Filomena Vieira, que o Governo prometeu à comunidade educativa um subsídio de transporte que também não veio. Uma media que se remota aos anos 80, considerou, questionando se fosse voltar a um subsidio de isolamento “num Cabo Verde moderno e independente.”

Em jeito de conclusão, a deputada do PAICV criticou a falta dos manuais escolares e pediu ao primeiro-ministro que “não reaja,” mas que “aja para dar a felicidade prometida e cumprir o seu Programa do Governo.” A Semana/Inforpress

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