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PAICV denuncia situação de caos em Santiago Norte: Liderança regional acusa o governo pelo abandono das famílias e incumprimento das promessas eleitorais 29 Julho 2020

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, Oposição) denuncia aquilo que considera ser a «situação de caos que se vive em Santiago Norte», mostrando-se preocupado com o atual estado social da população e das famílias na Região. Carla Carvalho, que é vice-presidente da Comissão Política Regional (CPR)l, descreve que a situação das famílias em Santiago Norte é cada vez mais difícil, realçando que não há emprego nem esperança. «O compromisso para a criação dos 45 mil empregos dignos não viu a luz do dia. O que os jovens e as famílias da Região receberam foi a dependência com a promoção do ’txapu na mon’, contribuindo para o aumento da pobreza», advertiu a jovem dirigente tambarina, que pede, por isso, um plano especial para essa região da ilha maior de Cabo Verde.

PAICV denuncia  situação de  caos  em Santiago Norte: Liderança regional acusa o governo pelo abandono das famílias e  incumprimento das promessas eleitorais

A situação no interior de Santiago é de caos generalizado. O alerta parte da Comissão Política Regional do PAICV, com base nos dados oficiais que mostram que os principais indicadores sociais e económicos degradaram na Região com a governação do MpD. “O que assistimos é que a população economicamente ativa diminuiu em cinco dos seis municípios, a taxa de emprego diminuiu em todos os municípios, o desemprego aumentou em três dos seis municípios, a população inativa aumentou em cinco dos seis municípios”, enumera Carla Carvalho.

Segundo a análise da Comissão Política do PAICV, a situação social da população e das famílias da Região Norte de Santiago está-se tornando cada vez mais difícil. “Não há emprego, não há esperança; o compromisso para a criação dos 45 mil empregos dignos não viu a luz do dia; o que os jovens e as famílias da Região receberam foi a dependência com a promoção do “txapu na mon” contribuindo para o aumento da pobreza”, descreve a Vice-presidente da Comissão Politica Regional daquele Partido.

Carla de Carvalho acredita que todo e qualquer programa de desenvolvimento da Região tem que passar, “impreterivelmente” pelo desenvolvimento da agricultura e da pecuária e, consequentemente, pela mobilização de água, pela empresarialização do sector agrícola, pela agro-indústria e pela promoção do turismo.

Plano especial para Santiago Norte

“É mais do que urgente, um Plano Especial para Santiago Norte, como sendo uma única forma da real participação da Região no processo de desenvolvimento do País”, exige a responsável do PAICV, acrescentando que no sector da agricultura, até este momento, não se conhece qualquer projecto ou programa deste governo vocacionado para alavancar a atividade económica geradora de riqueza e do emprego.

“Aliás, as grandes bacias hidrográficas da região estão completamente abandonadas. O programa de mobilização de água, muito propagandeado pelo governo, não produziu qualquer resultado até este momento. Nos domínios da pecuária, a situação é pior. Os criadores não têm acesso ao crédito, não contam com qualquer tipo de suporte e nem sabem aonde bater, porque o governo lhes dispensa atenção mínima. Sobre a pesca ninguém fala. É um sector completamente ignorado, como se ela não existisse. É uma situação vergonhosa, não há crédito para os pescadores, não há formação e não há um programa para as pescas. Sobre a promoção do turismo, em particular do turismo rural, nada se conhece. Nem as poucas iniciativas privadas contaram com qualquer suporte deste governo. A visita do Primeiro-ministro aos municípios da Região tendo o turismo como foco foi uma mão cheia de nada”, aponta.

A jovem dirigente da oposição ponta ainda o dedo ao chefe do executivo cabo-verdiano, pela sua má governação e pelo incumprimento das várias promessas durante as campanhas eleitorais de 2016. É que, segundo Carla Carvalho, Santiago Norte é a casa de um quarto da população de Cabo Verde e assiste ao retrocesso dos indicadores sociais e económicos, para o desespero dos jovens e das famílias.

Região de 121 mil almas abandonada

Nas eleições de 2016, Ulisses Correia e Silva, ganhou-as com algumas promessas para alavancar estes setores na Região, mas nenhuma delas foi cumprida, nomeadamente criação de um Parque Tecnológico de Agropecuária; Construção de portos de recreio e de pesca; Aumento da exportação para a mercado nacional e turístico; Qualificação da Assomada, transformando-a em capital regional. Por isso, perguntámos onde está a felicidade prometida para a população de Santiago Norte?”, questiona.

Diante desta situação, o PAICV classifica a governação do MpD e de Ulisses Correia e Silva de “definitivamente e completamente” negativo e destaca algumas potencialidades da Região que estão abandonados e alheios ao programa do governo, designadamente agricultura, pecuária, pesca e turismo.

De salientar que Santiago Norte é, depois de Santiago Sul, a segunda maior região do país, composta por seis municípios, com uma população estimada em 121 mil pessoas. A mesma é portadora de fortes potencialidades, com destaque para os domínios da agricultura, da pecuária, das pescas e do turismo, sectores esses considerados estratégicos para o processo de desenvolvimento de Cabo Verde.

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