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Transportes aéreos: PAICV considera que retoma dos voos dos TACV é "rodeada de incertezas e envolta em grande intransparência" 30 Dezembro 2021

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV)sauda, à semelhança de outras opiniões já manifestadas, este ressuscitar da Transportadora Aérea de Cabo Verde (TACV) para ligar o País ao mundo e minimizar os custos de um monopólio suportado pelos bolsos dos cabo-verdianos. Entretanto, segundo o Secretário Geral, Julião Varela, espera-se respostas que envolviam a resolução do problema das deslocações domésticas, atualmente operada com um único avião da TAICV/Bestfly Cabo Verde.

Transportes aéreos: PAICV considera que retoma dos voos dos TACV é

“Sem grandes surpresas, apareceu nos céus de Cabo Verde, para depois poisar no aeroporto Nelson Mandela, na Praia, um avião ao serviço da renacionalizada TACV, que ressurgiu das cinzas do que nos foi deixado pela desajustada e inconsistente parceria com a Icelandair. Segundo informações trazidas a público, os TACV começaram a voar sem avião, recorrendo a um aluguer no sistema Wet leasing o que significa que, mais uma vez, pelo menos nesta fase, vamos ter um avião a voar sem a tripulação nacional afetos à empresa de bandeira”, mostra.

De acordo com o Secretário Geral do PAICV, depois das peripécias em torno dos negócios nebulosos e atentatórios aos interesses nacionais, feitos com a Icelandair, o mínimo que se exige é que se faça um novo recomeço com base na transparência e que todas as informações sejam disponibilizadas aos contribuintes nacionais.

“Os cabo-verdianos precisam ter garantias em como os seus recursos não serão, mais uma vez, disparatados por uma decisão pouco ponderada sem se acautelar os interesses nacionais. Aliás, é bom que esta decisão tenha efeitos imediatos nos custos de bilhetes, mas todos precisam saber claramente quais os planos futuros, que custos irão ser assumidos e para quando as soluções duradoiras e estáveis para os destinos onde reside a maioria da diáspora cabo-verdiana», saleinta Julião Varela.

Para a oposição (PAICV), a pergunta que paira no ar é: “por que é que só agora se recorreu a esta saída de wet leasing, deixando o país por mais de um ano sem saída e obrigando os cabo-verdianos a suportar todas as dificuldades para viajar, de regresso e para fora, com custos elevadíssimos».

“O Governo tem que garantir-nos a todos que não estamos perante mais uma aventura, como das outras vezes, com soluções avulsas sem consistência e rodeada de incertezas. O Governo deve também aproveitar esta oportunidade para esclarecer a opinião pública, o que é feito do avião arrestado na sequência do escandaloso e falhado negócio da privatização dos TACV em que Cabo Verde não recebeu nem um centavo e os Cabo-Verdianos são hoje, chamados a suportar milhões em avales e garantias concedidos a Icelandair, hoje assumidos pelo erário publico depois da reversão, para o Estado, dos 51% da empresa que pregou calote ao Governo”, aponta, acrescentando que “coincidentemente”, a retoma dos voos dos TACV acontece ao mesmo tempo que se reúne a Assembleia Geral da empresa para, entre outras, apreciar e aprovar as contas.

Isso acontece também, conforme Varela, sem surpresas porque “já se sabe que as contas não vão bem e que vinham sendo acumulados avultados prejuízos, mesmo no momento considerado de bonança para os governantes. Todos já sabiam que a Icelandair vinha multiplicando prejuízos de ano para ano, menos o Governo que mergulhou numa atitude de avestruz”, realça.

Para o PAICV, esse negócio em 2017 teve um prejuízo de 3,7 mil milhões de escudos, prejuízo esse duplicado em 2018 para 6,7 mil milhões de escudos. “Mesmo o ano de 2019, considerado o melhor da gestão do Governo do MPD, acumulou prejuízos no valor de mais de seis mil milhões de escudos cabo-verdianos”.

A oposição entende que esta também é, “seguramente”, a oportunidade de o Governo esclarecer a todos qual o montante que foi retirar ao INPS para socorrer ao seu parceiro e como pensa repor este montante para não perigar a sustentabilidade das prestações destinadas aos contribuintes do sistema de proteção social.

“O PAICV e os cabo-verdianos aguardavam também, respostas que envolviam a resolução do problema das deslocações domésticas, atualmente operada com um único avião, ou seja, a TACV pela experiência acumulada e recursos humanos disponíveis está em condições de assumir essa responsabilidade, sendo uma empresa pública através da qual o governo materializa a sua política de transporte.

O partido tambarina espera que o Plano de Negócio anunciado pelo Conselho de Administração traga soluções “consistentes e previsíveis”, que envolvam o mercado doméstico e que acarrete menos prejuízos para os trabalhadores, em particular, e para os cabo-verdianos, de um modo geral, conforme Julião Varela.

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