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PAICV diz “duvidar” se o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros teve “iniciativa de pedir a sua demissão” do Governo 14 Janeiro 2021

O Partido Africano da independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) disse hoje duvidar se o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades, Luís Filipe Tavares, teve a “iniciativa de pedir a sua demissão” do Governo.

PAICV diz “duvidar” se o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros teve “iniciativa de pedir a sua demissão” do Governo

“O próprio Presidente da República [Jorge Carlos Fonseca] manifestou a sua estranheza pelo acto de ter estado momentos [da demissão de Luís Filipe Tavares] com o titular da pasta dos Negócios Estrangeiros e não ter sido informado de nada”, precisou o vice-presidente do PAICV.

Segundo Rui Semedo, momentos antes o ex-responsável da pasta dos Negócios Estrangeiros esteve a defender os seus posicionamentos e o nomeado.

O líder da bancada parlamentar do partido da estrela negra fez essas considerações em conferência de imprensa para se pronunciar sobre a exoneração de Luís Filipe Tavares, na sequência de uma reportagem publicada pelo canal privado português de televisão (SIC) que envolve o recém-nomeado cônsul honorário de Cabo Verde na Flórida, Estado Unidos da América, tido como um dos principais financiadores do partido da extrema direita em Portugal, Chega, liderado por André Ventura.

“…Estamos perante uma repentina crise de consciência do ministro que decidiu, em fracções de segundo, apresentar a sua demissão, ou estamos perante um grande deslealdade e falta de respeito institucional com relação ao mais alto magistrado da Nação”, acusou o PAICV.

Para o maior partido da oposição, com a nomeação de cônsul honorário, “Cabo Verde ficou ligado directamente e indirectamente à promoção da extrema direita internacional”.

Na perspectiva dos tambarinas, isto “envergonha” os cabo-verdianos, além de “manchar” a democracia cabo-verdiana, que celebrou nesta quarta-feira, 13, os seus 30 anos da sua existência.

Rui Semedo lembrou que o cônsul honorário tem a responsabilidade de “representar o Estado Cabo Verde junto das comunidades”, assim como “promover eventos e encontros e promover o desenvolvimento das relações comerciais, para além dos cuidados particulares com os direitos dos cidadãos cabo-verdianos, designadamente, os que poderão ter problemas com a lei e necessitem de apoios especiais”.

No caso dos “complexos dossiês de deportação”, pergunta Semedo, de que lado se posiciona uma pessoa que “promove o racismo, defende a discriminação e se age por impulsos xenófobos”.

Para o vice-presidente do PAICV, quem tem “especiais obrigações de passar a pente fino os dados da idoneidade dos titulares candidatos à representação do País no exterior é mais o Estado que envia do que o Estado que recebe”.

“O que aconteceu é suficientemente grave para colocar Cabo Verde no epicentro de um grande escândalo que irá ter repercussões de contornos imprevisíveis tanto a nível interno como a nível externo nas relações com outros países e organizações”, indicou o PAICV.

No dizer do vice do PAICV, a situação torna-se ainda “mais escandalosa”, quando a cerimonia de tomada de posso do cônsul honorário em causa envolveu outros sujeitos, com “honras militares e intervenção e intervenção do Protocolo do Estado, jamais visto em qualquer parte do mundo”.

“Nunca em Cabo Verde ninguém se lembraria de semelhantes honrarias para a posse de representantes diplomáticos”, concluiu.

Instado sobre a possibilidade de se chamar o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, ao Parlamento para explicar a nomeação do cônsul honorário Caesar DePaço, não descartou esta hipótese, acrescentando que o seu grupo parlamentar vai analisar o assunto.

Na reportagem de investigação intitulada “A Grande ilusão: cifrões e outros demónios”, divulgada esta segunda-feira na SIC, César do Paço é apontado como principal financiador do Chega, partido da extrema-direita de Portugal.

As informações divulgadas apontam ainda que Caesar DePaço foi acusado em 1991 em Portugal de crime de roubo qualificado, tendo o Ministério Público decretado a sua prisão preventiva, seguindo de um mandado de captura. Contudo, não chegou a ser julgado porque fugiu.

Entretanto, em declarações à imprensa, o chefe do Governo, Ulisses Correia e Silva, já admitiu que Caesar DePaço não vai continuar no cargo. A Semana com Inforpress

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