POLÍTICA

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PAICV alerta para a crise grave de insegurança reinante no país e na Capital em particular 03 Setembro 2021

O SOS está lançado. O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, Oposição) alerta para a grave crise de insegurança que se vive no país, particularmente na Capital cabo-verdiana. Em conferência de imprensa realizada esta sexta-feira, 03, o líder interino do partido, Rui Semedo, adiantou que a segurança é um "desígnio" nacional que deve ser tratada como um recurso estratégico para o desenvolvimento do país. O político desmonta que o chavão «de tolerância zero à criminalidade» e a criação da Secretaria de Estado de Segurança, anunciados recentemente pelo governo de Ulisses Correia e Silva, não resolverão, por si só, a situação da insegurança grave reinante no arquipélago, com impacto negativo na atividade económica, principalmente junto de investidores externos.

PAICV alerta para a crise grave de insegurança reinante no país e na Capital em particular

Para o presidente do PAICV, é urgente a normalização e a pacificação das relações entre as instituições com a missão de garantir a segurança às pessoas, colocando em evidência os princípios da interligação, da complementaridade, da cooperação e de uma relação institucional saudável, voltada para cumprir a missão de garantir este bem essencial, que é a segurança do país, das pessoas e de bens.

Rui Semedo lembra ainda que os meses de Julho e Agosto foram "dramáticos" para a cidade da Praia, com assaltos à mão armada às pessoas nas ruas, nas suas habitações e nos seus estabelecimentos, deixando para trás um número expressivo de vítimas mortais, enlutando as famílias e indignando os cidadãos que lutam para o seu ganha-pão e para o crescimento e desenvolvimento deste país.

Destaca a mesma fonte que a questão da segurança do país tem sido trazida, com muita frequência, para a esfera pública, uma vez que as medidas apresentadas pelo governo para garantir este bem essencial para as pessoas não se tem revelado nem "satisfatórias e muito menos eficazes".

"Nos últimos dias a situação foi tão grave e insustentável que o próprio Governo reconheceu publicamente, primeiro pela voz do Ministro da Administração Interna, depois secundado pelo Primeiro-ministro, que a criminalidade tem aumentado. Isso quer dizer que a situação atingiu um nível tal, que nem o Governo consegue mais esconder a realidade, que há muito já era reconhecida e denunciada pelas pessoas, tendo em consideração o impacto arrasador no seu dia-a-dia", aponta o líder da oposição.

Rui Semedo admite que foi necessário que mais vidas fossem "ceifadas" para que o Governo se despertasse da sua "longa e preocupante letargia e impotência perante o crescimento descontrolado da criminalidade urbana, que tira tranquilidade às pessoas de bem".

"As pessoas desesperam-se, manifestam e protestam, clamando por medidas adequadas e ajustadas à realidade vivenciada, mas o Governo sempre tem teimado, tentando convencer a si mesmo, que a situação estava sempre sob controlo e que todos, que estavam preocupados com a insegurança, estavam a ver fantasmas", denuncia.

Grito de desespero com assaltos e necessidade de atuação concertada

Segundo Semedo, de relembrar que, há poucos dias, os taxistas tiveram que sair à rua, mais uma vez, para demonstrar o seu desespero e manifestar a sua preocupação pela gravidade da situação e o risco que se tornou o exercício da sua profissão nesta cidade, tal é o nível de violência, de que são vítimas, nos dias de hoje.

"O grito de desespero dos taxistas é o eco de muitas vozes inconformadas retidas no silêncio das suas angústias e engasgadas pela dor de ter perdido, prematura e injustificadamente, um ente querido. Nos bairros, praticamente tomados de assalto por grupos organizados para a delinquência, nenhum estabelecimento funciona na tranquilidade impactando, negativamente, nos resultados dos pequenos negócios e refletindo no rendimento das famílias e na pequena economia local", aponta Rui Semedo, acrescentando que os episódios de prisão, soltura e prisão de novo dos presumíveis assassinos de um importante empresário desta cidade e de outros envolvidos em outros homicídios são demonstrativos de "falhas graves" no sistema de segurança.

"O Primeiro Ministro vem falar de aumento de estruturas ou criação de uma nova estrutura, como se o principal culpado por toda esta tormenta são as estruturas existentes, enquanto todos sabem que o problema é bem diferente e as respostas passam por um melhor aproveitamento e uma qualificada rentabilização das estruturas e dos recursos existentes. Por outro lado, em matéria de segurança a credibilidade e a confiança são fundamentais para se agir em bloco, focado no objetivo essencial e com consciência clara que todos estarão a remar na mesma direção", evidencia.

Para o PAICV, o Governo deu um "grande passo" ao reconhecer a gravidade da situação da insegurança do país, mas Rui adianta que falta ter a coragem para dar um outro passo que é sentar-se à mesa com todos, universidades, especialistas, organizações da sociedade civil e trabalhar na estruturação de respostas mais adequadas para os desafios da atualidade. "Estamos a falar da mobilização nacional para fazer face a grave crise de segurança. A segurança é um desígnio nacional e deve ser tratada como um recurso estratégico para o desenvolvimento de Cabo verde", sublinha.

Uma outra preocupação do partido tambarina é garantir estabilidade e segurança profissional, material e emocional aos próprios agentes da segurança para poderem desempenhar de melhor forma a sua missão.

"Pareceu-nos existir uma concorrência desnecessária para demonstrar serviços, por uns e por outros, uma verdadeira disputa de protagonismos enquanto a preocupação da população está centrada na proteção da sua integridade física e na segurança dos seus patrimónios e dos seus bens", conclui o presidente do PAICV.

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