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Situação crítica no ensino: PAICV alerta sobre milhares de estudantes que abandonam ensino superior 21 Julho 2020

Carla Carvalho, membro da Comissão Politica Nacional do PAICV, denunciou, hoje, em conferência de imprensa realizada na Praia, aquilo que considera ser a situação grave por que passa o ensino superior em Cabo Verde. É que, segundo argumentou, milhares de estudantes universitários têm abandonado o estudo, por estarem a viver uma situação socioeconómica difícil devido à pandemia de novo coronavírus em Cabo Verde e falta de soluções para o problema pelo Governo da República.

Situação crítica no ensino: PAICV alerta sobre milhares de estudantes que abandonam ensino superior

“Desde 2016, que tem ocorrido uma retumbante redução do efetivo de estudantes, deveriam estar no ensino superior cerca de 13 mil estudantes, mas temos cerca de 10 mil. Portanto, menos três mil do previsto, o que traduz uma tendência para o abandono dos estudos, devido ao impacto da pandemia no projeto financeiro dos familiares e, consequentemente, nas despesas e na educação dos filhos”, argumenta, Carvalho para quem, o nível do ensino superior corre sérios riscos de definhar e morrer. “Mesmo que o estado direcione todos os seus recursos para o setor, se as famílias não estiverem bem, os estudantes não estarão bem, logo, o setor do ensino e formação não estará bem”, referiu.

Conforme a análise do PAICV, o ensino superior é suportado, em grande parte, pelas famílias cabo-verdianas, sobretudo as instituições privadas, onde as propinas chegam a cobrir acima de 80% das despesas de funcionamento. Em tempos de crise quem paga as maiores faturas são os trabalhadores, logo, as famílias. “No nosso caso, as faturas chegam em dobro, uma vez que a maioria das famílias depende das remessas dos emigrantes, e estes, infelizmente, passam pelas mesmas dificuldades”, aponta.

Carla Carvalho sugere que os poderes públicos adotem, pelo menos, duas frentes, designadamente o poder financeiro das entidades do ensino superior para poderem investir nos equipamentos, estudos e pesquisas, melhorando a qualidade e a competitividade do País e um empoderamento das famílias no processo de formação dos seus educandos.

Por conta da fragilidade da economia do País, o PAICV considera que este setor depende, em grande medida, da boa vontade da comunidade internacional, seja em forma de apoio orçamental, seja em forma de empréstimos, sem a qual Cabo Verde se encalacra e não consegue responder aos desafios do seu processo de desenvolvimento.

“Neste contexto, desde que surgiu o coronavírus, batizado com o nome de pandemia do Covid-19, que se assiste ao grito do governo junto da comunidade internacional, pedindo ajudas e empréstimos para fazer face ao flagelo, e assim socorrer as famílias e a economia. “Aliás, informações vindas a público mostram que, efetivamente, a comunidade internacional tem sido benevolente com o governo e com o nosso País, disponibilizando fundos, em forma de empréstimos e ajudas orçamentais em montantes significativos, nomeadamente a União Europeia (67 milhões de euros), FMI (32 milhões de euros), BAD (30 milhões de euros) e Nações Unidas (120 milhões de dólares)”, enumera, Carla Carvalho.

Para essa dirigente do maior partido da oposição, o desemprego jovem, a insularidade do País, a precariedade laboral, sobretudo no contexto atual, são alguns fatores que minam a economia familiar e descredibilizam os projetos educacionais previstos para o futuro.

Esta membro da Comissão Política Nacional do PAICV, até este momento, não se viu e nem se apercebeu dos projetos ou programas do governo para salvar o setor do ensino superior, ainda em processo de consolidação. “Sabe-se que o governo acabou de criar uma nova universidade pública, mas não se conhece uma única medida pública para evitar que as instituições do ensino superior sejam sucumbidas pelos impactos da recessão económica em curso”, esclarece, sublinhando que o atual governo está a executar um orçamento retificativo no valor de 75 milhões de contos, cerca de dois milhões de contos acima do orçamento inicial previsto para o ano em curso.

Nesta ótica, o PAICV propõe que este orçamento seja capaz de envolver-se, de forma expressiva, inclusiva e responsável, no setor do ensino superior para salvar as instituições e os estudantes.

“Será fundamental desenvolver políticas que tenham em conta as especificidades do país, enquanto arquipélago, mas também que adeqúe a estes novos tempos impostos pela pandemia, nomeadamente com recurso às TIC, garantindo sempre a universalidade e a qualidade do ensino e formação através da criação de condições para a investigação e o acesso às ferramentas tecnológicas para a docência, produção e disseminação do conhecimento”, opina.

Como conclusão, o PAICV exige que se pare com os discursos para passar à prática, visto que, o próximo ano letivo já aqui vem, e faz-se urgente que o governo apresente as suas soluções às famílias e às instituições do setor.

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