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Caso privatização da TACV: PAICV pede investigação ao negócio que já provocou «um grande prejuízo» a Cabo Verde 22 Junho 2021

O PAICV alerta que chega a hora de as autoridades competentes investigarem, a "fundo", os contornos do negócio sobre a privatização da TACV/CVI, que considera ter provocado um "grande prejuízo" para Cabo Verde – contabiliza-se mais de 20 milhões de euros só em aval do Estado. A afirmação é do presidente do partido, Rui Semedo, que convocou, hoje, a imprensa para reagir à decisão do governo, anunciada através do Primeiro-ministro, de reverter o contrato com o parceiro estratégico ( Icelandair, acionista maioritária na Cabo Verde Airlines), face ao desfecho "infeliz de um negócio que todos sabiam que já tinha falido há muito tempo".

Caso privatização da TACV: PAICV pede investigação ao negócio que já provocou «um grande prejuízo» a Cabo Verde

"Estamos perante um negócio, chamado de privatização, que não nos trouxe absolutamente nada. Não nos trouxe mercado, não nos trouxe capital e não nos trouxe experiência nenhuma", mostra, acrescentando que é um negócio onde o parceiro estratégico "ganha tudo e Cabo Verde perde tudo", e em toda a linha, a começar por um aluguer (leasing) absurdo, em condições muito desfavoráveis se comparado com os preços praticados no mercado normal de transportes aéreos», destaca o conferencista..

Segundo a mesma fonte, todos já previam esse cenario, com exceao feita ao Primeiro-minsitro que, segundo Semedo, acreditou num conto de fadas que levou Cabo Verde a perder milhoes de contos. "Todos já sabiam, menos o Primeiro Ministro que, cegamente, acreditou num conto de fadas que levou o país a perder milhares de contos para além da perda de tempo, de oportunidade e de investimentos rentáveis e credíveis. Todos devem estar lembrados que estamos perante uma privatização em que o vendedor, em vez de receber, pagou dinheiro ao comprador e que o mesmo parceiro não pagou nem um tostão com relação ao compromisso assumido».

Para Rui Semedo, o PAICV continua a defender que negócios desta natureza devem ser feitos com transparência, com rigor, com envolvimento dos sujeitos políticos e com firmeza na defesa dos interesses nacionais. "O PAICV já tinha alertado sobre este negócio lesivo aos interesses do país e fê-lo de forma repetida e continuada porque sabia que tinha do seu lado a razão e a verdade", lembra.

Simulação de voos sem efeitos

Rui Semedo salienta ainda que, mesmo quando o Governo "simulou" a vinda do avião nas vésperas das últimas eleições legislativas, o PAICV teria alertado a todos que "estaríamos perante uma encenação com o fim exclusivamente eleitoralista e que o avião não iria voar para nenhum país".

"Tanto tínhamos razão, que o avião de facto não conseguiu realizar um único voo desde que chegou para testemunhar as eleições e garantir alguns votos ao Senhor Ulisses Correia e Silva. Hoje todos sabemos que o país foi literalmente enganado, mas já não se pode fazer mais nada porque as eleições já foram feitas, os resultados já foram proclamados e o Governo já foi investido", ressalta.

Este líder do maior partido da oposição sublinha que o "episódio mais recente" foi a encenação de tentar descolar o avião no Sal, fazendo crer que desentendimentos, descoordenação ou outros problemas impediram aquela operação tantas vezes anunciada e tantas vezes adiada.

"O próprio Governo não estava interessado que o avião levantasse voo, pois se fosse sua vontade ver o avião no ar, acreditem que o avião voava de facto, porque o mesmo Governo que obrigou a ASA a investir neste saco sem fundo, pagando até o salário dos trabalhadores, conseguiria de certeza convencer a ASA a autorizar aquela operação", argumenta.

Na ópitca do presidente do PAICV, a situação poderia ser resolvida desde que os donos dos aviões ou, se quisermos, o parceiro estratégico retirou todos os seus aparelhos para serem colocados num lugar onde o Governo de Cabo Verde não podia fazer "absolutamente nada".

Aliás, Rui Semedo entende que este negócio não podia nunca ter acontecido naquelas condições tão "desvantajosas, quanto vexatórias para o país, mas parece que outros interesses, que não são, seguramente, os convergentes com os interesses de Cabo verde, falaram mais alto".

"Agora, mais uma vez para anestesiar-nos e enganar-nos a todos, o Primeiro Ministro finge bater com os punhos na mesa, simula falar grosso com o parceiro estratégico e desfaz a parceria, em direto na Televisão, deixando o acionista aparentemente surpreso. Para baralhar-nos ainda mais, o chefe do Governo volta a jurar que o negócio era bom, o parceiro era estratégico e que os compromissos, apenas os de Março, que nós desconhecemos, não foram cumpridos", anuncia.

A oposição considera que o Primeiro Ministro, "mais uma vez", não diz tudo aos caboverdianos. "Não nos diz qual é o prejuízo que significa para Cabo Verde a reversão tardia desta privatização, que nem deveria ter acontecido naqueles termos. Não nos diz claramente, quantos recursos foram investidos naquele negócio falhado e os prejuízos que Cabo Verde irá averbar", sublinha.

Falhas na aquisição de 11 aviões e aval de 20 milhões de euros

"O que se sabe é que, só em avales e garantias o Estado de Cabo Verde já perdeu nos últimos tempos por volta de 20 milhões de euros, apesar de todos os avisos e de todas as advertências. O que se sabe também, é que neste negócio falharam todos os objetivos e foram incumpridas todas as metas", indica o Presidente do PAICV.

Para o PAICV, o Governo falhou os objetivos de montagem do HUB do Sal, falhou os objetivos de aquisição dos 11 aviões até finais de 2017, falhou os objetivos da conquista dos mercados e falhou os objetivos de não injeção dos recursos do tesouro do Estado de Cabo Verde naquela empresa.

"E do nosso lado, foi desmantelada uma transportadora aérea, foi entregue o mercado doméstico em regime de monopólio, foi desestruturado um serviço de manutenção de qualidade, foram deslocalizados trabalhadores com custos reais, designadamente, com desestruturação de famílias e foi abandonado o chamado mercado da “sodade” que, no momento de desespero, voltou a ser a tábua de salvação", enumera.

O PAICV prevê que, agora com muitos anos de "atraso", o Governo vai colocar os pés no chão e reverter a privatização, como já anunciou e aproveitar a oportunidade para relançar os TACV nos voos domésticos e voltar a lançar as bases para a estruturação de uma transportadora aérea nacional.

Rui Semedo anuncia, publicamente, que chega a hora de as autoridades competentes investigarem, a "fundo", os contornos deste negócio que, considera ter provocado um "grande prejuízo" para Cabo Verde.

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