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PIB anual de 8% deve reduzir taxa de desemprego angolano para 18% em 2027 – economista 03 Janeiro 2023

Angola deve precisar de uma taxa média anual de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 8% para que em 2027 possa ter uma taxa de desemprego na ordem dos 18%, estimou hoje o economista Alves da Rocha.

PIB anual de 8% deve reduzir taxa de desemprego angolano para 18% em 2027 – economista

“Se admitirmos que a economia angolana não terá ganhos de produtividade significativos até 2027, será necessária uma taxa média anual de crescimento do PIB de 8% para que em 2027 a taxa de desemprego se possa situar nos 18%”, disse hoje o economista à Lusa.

Com medidas de “maior intensidade de crescimento económico, poderemos chegar a 2027 com uma taxa de desemprego a volta de 11,5%”, mas, tudo isto, frisou, “são previsões, são estimativas”, fazendo alusão a dados do relatório económico do CEIC 2021-2022.

“Não nos podemos esquecer que de acordo com a última Folha de Informação Rápida do INE (Instituto Nacional de Estatística) angolano referente ao III trimestre de 2022 a taxa de desemprego estava nos 30% e tem andado nos 30% a muito tempo, há altura que sobe nos 33 ou 34%”, recordou.

A única fonte capaz de criar emprego, disse Alves da Rocha, é o crescimento económico: “Não havendo crescimento económico não se pode criar emprego, isso é impossível, é uma equação impossível na economia”.

“A não ser que a criação desse emprego seja um emprego administrativo e grave seria se fosse um emprego estatístico, ou seja, o falseamento das estatísticas do emprego, sem crescimento económico não é possível”, sustentou.

Falando sobre as perspetivas de crescimento económico de Angola em 2023, o especialista apontou a necessidade de se aumentar a produtividade para responder à elevada taxa de desemprego, que afeta sobretudo jovens.

Argumentou que a criação de emprego não pode ser dissociada dos ganhos da produtividade, considerando que se Angola pretende ser uma economia competitiva em África e no mundo “os ganhos de produtividade são absolutamente fundamentais”.

“Ganhos de produtividade significa a taxa de crescimento da produtividade e temos que saber de que produtividade estamos a falar, é uma produtividade bruta aparente do fator trabalho que é um dos fatores mais essenciais? Estamos a falar de uma produtividade total dos fatores de produção?”, questionou.

Defendeu também a necessidade da valorização da economia informal, que absorve 80% da população empregada no país, tendo criticado o que chama de “ataques” das autoridades à economia informal.

“Mas, é bom que toda gente sabe que o essencial da taxa de emprego em Angola é o emprego informal, o emprego informal representa, segundo os dados do INE, 80% do emprego total, ou seja, a economia angolana é da informalidade”, salientou.

“E é isto que tem atenuado as tensões sociais, as pessoas procuram o informal para sobreviveram, a economia informal é a economia mais liberal que existe em qualquer parte do mundo”, acrescentou o também diretor geral do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola.

A economia informal angolana congrega o maior número de empregos do país porque as políticas públicas, políticas para o crescimento económico, políticas para a criação de emprego, políticas para a redução da taxa de pobreza “falham”.

“Porque o setor informal é isso mesmo, é informal, está arredado da influência das políticas públicas”, realçou Alves da Rocha, classificando a intervenção das autoridades ao setor informal da economia como um “ataque”.

O Governo angolano lançou em novembro de 2021 o Programa de Reconversão da Economia Informal (PREI) para a formalização das atividades comerciais nos mercados informais do país e até maio de 2022 estavam já registados 200 mil operadores.

Alves da Rocha, que disse desconhecer os resultados das ações do governo e do Observatório sobre a Economia Informal, tutelado pelo Ministério da Economia e Planeamento, reconhecendo ao mesmo tempo “queixas” de empresas privadas sobre concorrência desleal de operadores informais.

As empresas privadas “queixam-se muito da concorrência desleal da economia informal, que é uma totalidade sociológica, faz parte do conjunto das forças produtivas angolanas, o que significa haver políticas para destruir a economia informal? O que é que se oferece em troca”, questionou.

“As economias informais existem, sobretudo, para compensarem o não-funcionamento da economia formal, é por isso que aparece a informalidade, se o mercado formal não consegue criar emprego aparece o informal a suprir esta incapacidade da criação de emprego”, insistiu.

Segundo ainda o economista angolano, a taxa de desemprego nos jovens 14 a 24 anos, anda nos 54 a 55%, “estes têm que empreender para sobreviver”, e o mercado informal constitui o único escape.

“É necessário fazer-se uma reflexão profunda sobre os ataques à economia informal, volto a referir, e há estudos que foram feitos por docentes angolanos sobre a economia informal em Angola, não sei quem está no cerne deste Observatório”, rematou o economista.

A Semana com Lusa

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