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PM de Cabo Verde: "Sem estabilidade e segurança, os países não avançam" 20 Fevereiro 2022

O chefe do Governo cabo-verdiano defendeu a normalidade institucional na Guiné-Bissau, após tentativa de golpe de Estado. À DW, Ulisses Correia e Silva também fez um balanço da cimeira UE-UA que decorreu em Bruxelas.

PM de Cabo Verde:

PM de Cabo Verde: "Sem estabilidade e segurança, os países não avançam"

O chefe do Governo cabo-verdiano defendeu a normalidade institucional na Guiné-Bissau, após tentativa de golpe de Estado. À DW, Ulisses Correia e Silva também fez um balanço da cimeira UE-UA que decorreu em Bruxelas.

Na qualidade de membro da Comunidade dos Estados da África Ocidental, Cabo Verde segue "com alguma preocupação” a situação política na Guiné-Bissau, depois da tentativa de golpe de Estado do passado dia 1 deste mês. Manifesta o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, em declarações à DW África.

"É preciso que haja a criação de condições estruturantes de normalidade institucional, [de modo a] evitar insurreição militar; que haja condições para que a paz e a estabilidade funcionem", disse.

O chefe do Governo cabo-verdiano não opina, entretanto, se se justifica um eventual envio de uma força militar da Comunidade Económica dos Estados da África

Mensagem forte

"Isso vai depender da vontade da própria Guiné-Bissau e da avaliação das condições. Eu não tenho elementos para saber efetivamente qual é o estado da situação relativamente à garantia, pelo menos a prazo, de estabilidade", afirmou.

Por outro lado, Ulisses Correia afirma que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) não intervém em situações de crise como a que se vive na Guiné-Bissau, podendo apenas aconselhar no plano político-diplomático, de modo a que "se faça tudo para que a estabilidade seja um facto".

"E não há dúvida nenhuma de que sem estabilidade, sem segurança e sem confiança, os países não avançam", considerou o PM cabo-verdiano, ressaltando: "E se isso não estiver estabelecido e estruturado – até para os cidadãos sentirem confiança – terão sempre dificuldade em crescer economicamente, em reduzir a pobreza e entrar nos caminhos do desenvolvimento. É essa mensagem forte que é preciso continuar a passar".

Cimeira Europa-África em Bruxelas

O primeiro-ministro cabo-verdiano aproveitou a sua passagem por Lisboa, este fim de semana, para um breve balanço à imprensa sobre a cimeira União Europeia-África, que decorreu em Bruxelas nos dias 17 e 18 deste mês. Ulisses Correia encara como uma nova era as relações entre África e a Europa, marcada por uma maior cumplicidade entre os dois blocos.

O anunciado pacote financeiro de 150 mil milhões de euros para o plano de investimentos em África até 2027 constitui um balão de oxigénio visando criar infraestruturas de desenvolvimento dos países africanos.

Para o PM de Cabo Verde, "estamos a falar de intervenções com impacto na transformação estrutural nas economias dos países a nível da transição energética, da transformação digital, de conectividades, investimento nas pessoas, saúde, educação, conhecimento, tecnologia. E curiosamente são áreas/matérias que para Cabo Verde encaixam como uma luva. São áreas do nosso interesse estratégico".

Responsabilidades dos países

Mas, falando à DW, o chefe do Governo cabo-verdiano admite que matérias como a paz, segurança e estabilidade não dependem apenas de pacotes de financiamento. "São fundamentais, são pressupostos que existem não só boas parcerias. A cooperação para a segurança exige também responsabilidades de cada um dos países".

Reconhece que a estabilidade e segurança são indispensáveis para atrair investimento estrangeiro como um dos motores do desenvolvimento. Mas, acrescenta, África tem de criar capacidade endógena de desenvolvimento, a começar do seu capital humano.

"Capacidade de acesso à ciência e tecnologia; criar condições para que o crescimento seja mais impulsionado por fatores internos. É claro que esses recursos ajudam sempre e são importantes para apoiar o processo [de desenvolvimento] tendo em conta o ponto de partida, que é de muitos países africanos que exigem avultados recursos para poder entrar num percurso de desenvolvimento mais avançado", avaliou o chefe do Governo cabo-verdiano.


Combate à corrupção

O governante assume que o combate à corrupção é igualmente um dos fatores essenciais para que haja confiança na economia africana, nomeadamente por parte dos investidores.

"Sendo ela baixa há maior confiança dos cidadãos e dos poderes públicos, há maior confiança dos investidores, dos mercados e dos parceiros. É bem importante que seja regrado. Para nós, o maior recurso, o maior ativo de um país é a sua estabilidade, a sua segurança, baixos riscos reputacionais, entre os quais a corrupção, porque com isso é que conseguimos fazer a transformação", disse.

Produção de vacinas

Outro resultado da cimeira é o anúncio para a produção de vacinas por alguns países africanos, no âmbito dos esforços mundiais de combate emergente à pandemia da Covid-19. "Trata-se de uma matéria que tem ainda um caminho a percorrer", reconheceu.

"Primeiro, conciliar a necessidade de produção de vacinas em África e a questão da proteção da propriedade intelectual, de patentes que pertencem não a países mas a companhias industriais. Houve uma convergência de interesses relativamente à União Europeia e à União Africana no sentido de se criar condições para que se torne realidade esta produção de vacinas", avançou.

Entretanto, lembra Ulisses Correia, África está confrontada com outras endemias, como a malária, que fustigam gravemente as suas populações. Segundo o primeiro-ministro de Cabo Verde, o continente precisa de outras capacidades para minorar os seus efeitos.

Além do desenvolvimento da indústria farmacêutica para produção própria de vacinas – acrescenta –, também são necessárias outras competências para fazer face a outras doenças. É igualmente importante criar condições para melhorar o acesso à saúde pelas populações, nomeadamente o acesso aos bens básicos, como água e saneamento. A Semana com DWÁfrica

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