OPINIÃO

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POLÍTICA: FIQUE DE OLHO 25 Janeiro 2018

Muitos que fazem promessas ao povo de dias melhores, principalmente em “períodos eleitorais”, nem sempre parecem entender que a atividade política exige trabalho sério e dedicação incessante e exclusiva ao bem comum; política não é o espaço para realização pessoal e particular, ela é o espaço de trabalho e realização coletiva de uma nação como um todo. Aquele que ainda não consegue ver a política dessa forma ou não se sente capaz de trabalhar em prol do bem comum, pode estar certo que essa atividade não é para ele.

Por: José João Neves Barbosa Vicente*

POLÍTICA: FIQUE DE OLHO

Por todos os cantos ouvem-se discursos e promessas animadores em nome da política, sempre com o foco naqueles que mais precisam, mas a prática e a realidade provam todos os dias que apenas aqueles que discursam e prometem são verdadeiramente beneficiados pela política. Nas democracias representativas, por exemplo, o povo “escolhe” seus “representantes” na esperança de dias melhores, mas estes nem sempre escolhem representa-lo; grande parte escolhe representar e defender os próprios interesses. A esperança do povo em dias melhores por meio da política, infelizmente costuma ser usada por aqueles que periodicamente se apresentam como seus futuros representantes políticos, para alçar o próprio voo rumo à realização pessoal e particular.

A realidade “política democrática” de vários lugares do mundo, muitas vezes deixa a impressão que o povo frequentemente é enganado pelos discursos inflamados e promessas esperançosas daqueles que se apresentam periodicamente como “candidatos” a representá-lo politicamente. Muitos que fazem promessas ao povo de dias melhores, principalmente em “períodos eleitorais”, nem sempre parecem entender que a atividade política exige trabalho sério e dedicação incessante e exclusiva ao bem comum; política não é o espaço para realização pessoal e particular, ela é o espaço de trabalho e realização coletiva de uma nação como um todo. Aquele que ainda não consegue ver a política dessa forma ou não se sente capaz de trabalhar em prol do bem comum, pode estar certo que essa atividade não é para ele.

Todos aqueles que recebem o “voto de confiança” do povo, jamais devem esquecer que esse voto indica que eles foram escolhidos para trabalharem com afinco, transparência, igualdade e justiça em prol dos interesses coletivos de toda a comunidade. O voto do povo não significa, em hipótese alguma, “permissão” para a realização dos desejos e interesses pessoais ou particulares; na política tudo é de todos e para todos. O indivíduo que usa a atividade política para beneficiar a si próprio ou a interesses particulares, não passa de um traidor do povo que nele confiou.


*Filósofo, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Editor da GRIOT: Revista de Filosofia.

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