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PR Portugal atribui Ordem da Liberdade ao “homem grande” Amílcar Cabral 10 Dezembro 2022

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, atribuiu hoje a Ordem da Liberdade a Amílcar Cabral, líder histórico da independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde, “homem grande” que não “chegou a chefe de Estado por uns meses”.

PR Portugal atribui Ordem da Liberdade ao “homem grande” Amílcar Cabral

“Como esperar um dia mais para prestar uma homenagem por tanto tempo adiada”, questionou Marcelo Rebelo de Sousa, ao intervir hoje, na ilha cabo-verdiana de São Vicente, na outorga do grau de Doutor Honoris Causa a Amílcar Cabral (1924-1973) pela Universidade do Mindelo.

“Apesar de ter sido um pioneiro, e de entre os pioneiros porventura o mais conhecido a nível universal por aquilo que era, por aquilo que simbolizava, por aquilo que simboliza hoje e simbolizará amanhã: O ‘homem grande’ Amílcar Cabral”, disse ainda o chefe de Estado, ao anunciar a entrega à família do Grande Colar da Ordem da Liberdade “em nome de Portugal”.

Marcelo Rebelo de Sousa acrescentou que Portugal se junta a "este instante tão rico de futuro" e declarou que todos os seus antecessores, António Ramalho Eannes, Mário Soares, António Sampaio, Aníbal Cavaco Silva, haviam prestado por diversas vezes "o tributo ao `homem grande´" e condecorado os "chefes de Estado das pátrias nascidas das lutas dos anos 60 e 70" mas, assinalou, "faltava condecorar quem não chegou a chefe de Estado por uns meses".

A Universidade do Mindelo, ilha cabo-verdiana de São Vicente, atribuiu hoje o grau de Doutor Honoris Causa a Amílcar Cabral, cerimónia na qual participaram os chefes de Estado de Cabo Verde e de Portugal, José Maria Neves e Marcelo Rebelo de Sousa, e o presidente da Fundação Amílcar Cabral (FAC) e ex-Presidente cabo-verdiano Pedro Pires.

Poderia ser em qualquer parte do mundo, tal como a paz, a liberdade, a igualdade, a fraternidade, a tolerância, o diálogo que o fizeram grande entre os grandes. Mas tinha de ser aqui, no Mindelo, pela mão de uma universidade, por natureza universal e portadora dos seus valores, em encontro de Universitários”, afirmou Marcelo Rebelo.

“Um, o novo doutor Honoris Causa desta casa, tendo a abraçá-lo outro universitário com mais de meio século de escola. Um, cabo verdiano, mas também guineense. O outro companheiro desta jornada académica e humana, português. Um, o presidente de duas independências que só o não foi porque uma coligação de interesses táticas e estratégias ao serviço do colonialismo, daquelas de que a história se encontra povoada, lhe ceifou essa vocação e esse destino, o outro, que convosco vive este momento singular, Presidente de Portugal”, afirmou, sobre a sua presença no evento de hoje como chefe de Estado e académico.

Um, representante dos povos colonizados pátrias, libertadas depois de tempos que pareciam jamais terminar. O outro, representante de uma pátria que foi império colonial, antes de, ao depor a ditadura, assumir em plenitude a responsabilidade do império e do colonialismo de cinco séculos e se comprometer com um futuro de fraternidade e não de repressão de paridade e não de dominação, de justiça e não de exploração”, acrescentou.

Aqui, no Mindelo, Amílcar Cabral recebe a consagração dos seus méritos no saber, na militância cívica, na personalidade moral. O seu doutoramento Honoris Causa é isso mesmo: Gratidão, homenagem, proclamação de exemplo ao estudioso, ao cientista, ao teórico e prático, ao especialista e ao humanista, ao pensador e ao homem do terreno, das pessoas de carne e osso, ao universitário da universidade dos Livros e ao universitário da universidade da vida”, disse ainda Marcelo Rebelo de Sousa.

Esta cerimónia marcou igualmente o 20.º aniversário da Universidade do Mindelo e antecede os 50 anos da morte de Amílcar Cabral (2023) e o centenário do seu nascimento (2024).

Amílcar Cabral em nenhum momento confundiu a luta pela independência, a luta contra a subjugação, e não há nada mais sublime na vida de um povo do que a luta contra a subjugação. Amílcar Cabral nunca confundiu o colonialismo português, o sistema colonial com o povo português. Tinha um grande afeto pelo povo português. Tenho uma grande admiração pela língua portuguesa e em vários momentos teria dito que devíamos construir, após a independência, as mais sólidas relações com Portugal”, destacou, na sua intervenção, José Maria Neves, Presidente cabo-verdiano.

Chegou a dizer que teríamos de discutir, negociar, programas especiais de cooperação entre os dois países e povos. Hoje, nós falaríamos de cumplicidades, falaríamos de parceria estratégica. E foi o sonho de Amílcar Cabral ver esses dois povos em paz, a dialogar e a construírem pontes para um futuro melhor para os povos de Cabo Verde, da Guiné-Bissau e de Portugal”, acrescentou.

José Maria Neves disse que a presença de Marcelo Rebelo de Sousa na cerimónia de hoje “é uma nova claridade que vai continuar a iluminar os caminhos do futuro das relações entre Portugal e Cabo Verde”.

E é simbólico termos aqui o presidente da pátria democrática portuguesa, o professor Marcelo Rebelo de Sousa, a antiga potência colonizadora e o Presidente de Cabo Verde, pátria livre, independente, democrática a podemos juntos celebrar Amílcar Cabral, celebrar a independência, celebrar a liberdade celebrar a amizade entre os países”, disse José Maria Neves.

Fundador do então Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que em Cabo Verde deu lugar ao Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), e líder dos movimentos independentistas nos dois países, Amílcar Cabral nasceu em 12 de setembro de 1924 e foi assassinado em 20 de janeiro de 1973, em Conacri, aos 49 anos.

Filho de Juvenal Cabral e Iva Pinhel Évora, o líder histórico nasceu na Guiné-Bissau e partiu com oito anos, acompanhando a sua família, para Cabo Verde, onde viveu parte da infância e adolescência, antes de se licenciar em Agronomia, em Portugal, em 1950.

O ideólogo das independências da Guiné-Bissau e Cabo Verde, Amílcar Cabral, foi considerado em 2020 o segundo maior líder mundial de todos os tempos, numa lista elaborada por historiadores para a BBC e com a votação dos leitores.

A lista é da “BBC World Histories Magazine” e foi feita por historiadores, que nomearam aquele que consideraram o maior líder, alguém que exerceu poder e teve um impacto positivo na humanidade. A Semana com Lusa

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