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PR critica “amiguismo e nepotismo” na Administração Pública cabo-verdiana 11 Novembro 2022

O Presidente da República, José Maria Neves, criticou hoje o “amiguismo e o nepotismo” que considerou que ainda se verificam na Administração Pública e pediu oportunidades iguais para todos, desde logo como forma de travar a emigração atual.

PR critica “amiguismo e nepotismo” na Administração Pública cabo-verdiana

O espaço público é excessivamente partidarizado e nós temos de o despartidarizar, despartidarizar a Administração Pública, promover o mérito, a imparcialidade na prestação dos serviços públicos, para não ter, evitarmos ou afastarmos para longe, o ‘amiguismo’, o nepotismo, e conseguirmos que haja mais igualdade de oportunidades entre todos”, afirmou José Maria Neves, numa conferência de imprensa a partir do Palácio Presidencial, na Praia, para assinalar o primeiro ano do seu mandato como chefe de Estado.

“Devo dizer que os resultados ainda são muito modestos, mas temos que persistir na linha do ditado de que água mole em pedra dura tanto bate até que fura”, acrescentou o também antigo primeiro-ministro.

O chefe de Estado foi ainda confrontado pelos jornalistas com a vaga de emigração que Cabo Verde regista há alguns meses, com empresas europeias, sobretudo portuguesas, a recrutar trabalhadores de várias áreas no arquipélago em concursos que envolvem centenas de candidatos cabo-verdianos.

No mundo de hoje, totalmente interpenetrado, a mobilidade de pessoas vai continuar e vai aumentar, os jovens, as pessoas, tenderão a deslocar-se para países, regiões mais dinâmicas, onde há mais oportunidades de emprego e onde há melhores condições de vida. Portanto, isto vai continuar. Não é uma questão só de Cabo Verde, é uma questão do mundo inteiro e a busca de mais oportunidades, de melhores condições de vida”, reconheceu.

Para José Maria Neves, “esta mobilidade vai continuar” e Cabo Verde deve adaptar-se: “O que nós temos que fazer em Cabo Verde é trabalhar para que o país cresça, seja mais competitivo, haja mais oportunidades. E aqueles que puderem aproveitar as oportunidades a nível do país o façam naturalmente”.

Cabo Verde enfrenta uma profunda crise económica e financeira, decorrente da forte quebra na procura turística desde março de 2020, devido à pandemia de covid-19, agravada por mais de quatro anos de seca severa.

Em 2020, registou uma recessão económica histórica, equivalente a 14,8% do PIB, seguindo-se um crescimento de 7% em 2021 impulsionado pela retoma da procura turística. Para 2022, devido às consequências económicas da guerra na Ucrânia, nomeadamente a escalada de preços, o Governo cabo-verdiano baixou a previsão de crescimento de 6% para 4%.

Um cenário que, reconheceu o Presidente da República neste balanço do primeiro ano de mandato, tem contribuído para a “criminalidade elevada” que se verifica no país, sobretudo na Praia, pelo que pediu políticas para garantir melhores condições de vida às pessoas.

Para reduzir as diferentes formas de exclusão que ainda existem e criar um ambiente social de paz e tranquilidade”, apontou José Maria Neves.

O chefe de Estado acrescentou que são necessárias medidas para combater a criminalidade atual, através do funcionamento das polícias e dos tribunais, incluindo “mais meios humanos e materiais” e “consensos entre os diferentes atores políticos”.

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) cabo-verdiana proclamou José Maria Neves vencedor das sétimas eleições presidenciais de Cabo Verde, realizadas em 17 de outubro de 2021, logo à primeira volta e entre sete candidatos, com 95.974 votos, equivalente a 51,7%, à frente do também antigo primeiro-ministro Carlos Veiga, com 78.612 votos (42,4%).

José Maria Neves nasceu em Santa Catarina, ilha de Santiago, em 28 de março de 1960 (62 anos), autarquia pela qual foi eleito presidente da câmara em março de 2000, e foi empossado em 11 de novembro de 2021 como quinto Presidente da República de Cabo Verde.

Antes foi deputado à Assembleia Nacional, de 1996 a 2000, pelo Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), que passou a liderar em 2000. Venceu as eleições legislativas no ano seguinte, fazendo o PAICV regressar ao poder em Cabo Verde, uma década depois, assumindo o cargo de primeiro-ministro até 2016.

Com formação em Administração Pública, assumiu depois as funções de professor na Universidade de Cabo Verde e criou a Fundação José Maria Neves para a Governança, instituição dedicada à promoção das liberdades, à consolidação da democracia e do Estado de Direito, à boa governação, à efetividade das políticas públicas e ao desenvolvimento sustentável dos pequenos estados insulares. A Semana com Lusa

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