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PSD critica “assédio” a Jovane Cabral e pede que respeitem a vontade do jogador 06 Setembro 2018

O Partido Social Democrata (PSD) não vê com bons olhos o “assédio” ao jogador Jovane Cabral e defende que o jovem não deve ser “perseguido” na sua carreira futebolística, devendo a sua vontade ser respeitada.

PSD critica “assédio” a Jovane Cabral e pede que respeitem a vontade do jogador

Em conferência de imprensa, realizada hoje, o coordenador político nacional do PSD, José Rui Além, afirmou que a vontade do jogador não pode ser contrariada, pois na diáspora muitos cabo-verdianos procuram condições de vida que os dirigentes das instituições nacionais não conseguem proporcionar aos cidadãos nacionais.

“O jovem atleta Jovane Cabral procura uma nacionalidade que lhe permitirá continuar a sua carreira futebolística e ninguém deverá interromper os sonhos do atleta”, defendeu Rui Além.

No seu entender, a FCF deve ser “mais criativa” para que o desporto nacional proporcione condições atractivas aos atletas para que estes possam representar Cabo Verde de livre vontade.

“A FCF deverá junto dos governantes exigir condições aos cabo-verdianos para que não tenhamos que procurar outras nacionalidades”, advogou.

Para o coordenador político nacional do PSD, os dirigentes das instituições nacionais não perderam o velho hábito do tempo da ditadura de 75 e julgam que são donos e senhores dos cidadãos ao “dificultar desnecessariamente” a vida dos jovens cabo-verdianos.

Neste particular, citou como exemplo os jovens desempregados que para um concurso são obrigados a gastar o dinheiro que não têm para concorrerem a um posto de trabalho.

“É-lhes exigido na fase de candidatura o Registo Criminal, o Registo da Polícia Judiciária e da Polícia Nacional, o Atestado Médico e a cópia autenticada do Bilhete de Identidade. Se somarmos a esses gastos o custo dos transportes são cerca de dois mil escudos num país que o salário mínimo é de 13 mil escudos,” contestou.

Por isso José Rui Além questionou se não seria coerente exigir apenas uma assinatura do candidato no formulário e sob compromisso de honra de que não se encontra em condições que impedem a sua integração e permanecia na função a que concorre.

O político questionou, igualmente, se não seria coerente exigir tais documentos apenas quando o candidato é efetivamente seleccionado e porque é que se dificultam tanto financeiramente os jovens que se candidatam a empregos na Administração Pública.

Em jeito de conclusão, José Rui Além pediu que não persigam os jovens que estão em Cabo Verde e os que estão na diáspora à procura de uma vida melhor. Porque, ajuntou, “está provado que os dirigentes nacionais apenas olham para os seus umbigos e os seus interesses mesquinhos e especializam-se em dificultar a vida dos outros”.

Jovane Cabral é jogador do Sporting de Portugal. O futebolista, natural de Santa Catarina, Cabo Verde, jogou no Desportivo de Nhagar e foi contratado pelo Sporting depois de ser o melhor marcador nos Jogos da CPLP em 2014, realizados em Angola.

Foi convocado pela primeira vez, na altura com 18 anos, para a selecção de Cabo Verde pelo treinador Felisberto Cardoso para um jogo com a Líbia, a contar para as eliminatórias do CAN 2017.

O extremo voltou a ser convocado pelo agora seleccionador Rui Águas, para os próximos compromissos dos “Tubarões Azuis”, mas teria declinado o convite tendo em conta a sua opção de vir a representar a selecção portuguesa.

Este caso tem provocado um debate na sociedade cabo-verdiana e está a ser tratado pelo departamento jurídico da Federação Cabo-verdiana de Futebol. A Semana/Inforpress

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