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PTS tenta renascer no Congresso deste sábado no Mindelo: Médico Gilson Alves é candidato a solo que aposta nas legislativas de 2021 e contra o capital estrangeiro 14 Abril 2018

O jovem médico Gilson Alves é candidato a solo à liderança do Partido de Trabalho e Solidariedade (PTS), que vai estar em Congresso Nacional, neste sábado,14, no Auditório da Universidade do Mindelo, em S.Vicente. Gilson, cuja Moção de Estratégica tem como título «Fazer o Impossível», vai suceder José Augusto Fernandes, que reside na Capital, à frente desta formação de esquerda que tem o cientista político Onésimo Silveira – tido também com um dos primeiros defensores da Regionalização de Cabo Verde - como seu principal fundador. O candidato revela ao Asemanaonline, levar ao debate a mensagem principal do PTS de lutar pela independência económica de Cabo Verde, apostando fortemente nos ideários de Amílcar Cabral. É que, segundo alerta, «a tendência deste Governo (de Ulisses Correia e Silva) é a de desejar e promover a neo-colonização da nossa pátria pelo capital estrangeiro e apenas o espírito patriótico dos heróis da pátria é suficientemente forte para contrabalançar esta nova postura anti-soberania». O concorrente à presidência do PTS anuncia ainda outros desafios da sua candidatura – um deles é conseguir pelo menos 150 mil votos nas legislativas de 2021. Para mais detalhes, leia a entrevista que se segue, que Gilson Alves concedeu a este jornal.

PTS tenta renascer no Congresso deste sábado no Mindelo: Médico Gilson Alves é candidato a solo que aposta nas legislativas  de 2021 e contra o capital estrangeiro

Confirma que o PTS vai reunir-se em Congresso este fim-de-semana?

- Sim. Confirmo que o PTS vai reunir em congresso neste fim-de-semana, com arranque, neste sábado, 14,às 15 horas no Auditório Onésimo Silveira, na Uni-Mindelo, em São Vicente.

Vai concorrer à liderança da organização?

- Afirmativo. Sou candidato à Presidência do PTS no congresso deste fim-de-semana, no Mindelo.

Já tem a Moção de Estratégia pronta?

- Sim. Tem como título «Sonhar o impossível».

Qual vai a ser a meta principal da sua candidatura?

- A minha principal aposta fazer o PTS obter pelo menos 150 mil votos nas eleições legislativas de 2021.

A mensagem principal vai também focar na Regionalização como uma das outras apostas ou nem por isso?

- Proporei que a mensagem central do partido seja: A total independência económica de Cabo Verde. Ou seja, propor-me-ei a concretizar de vez o sonho de Amílcar Cabral: total independência.

Como pretende alcançar tal desiderato?

- Promoverei a cultura patriótica e Cabralista. Regressarei à fonte - colocarei Cabral no bolso e darei a Cabo Verde o que foi apresentado como sendo importante pela soberania política: a soberania económica.

Mas o actual Governo de Ulisses Correia e Silva não está a fazer isso?

- A tendência atual deste Governo é a de desejar e promover a neo-colonização da nossa pátria pelo capital estrangeiro e apenas o espírito patriótico dos heróis da pátria é suficientemente forte para contrabalançar esta nova postura anti-soberania. O Governo promove o turismo de massas no Sal e na Boavista como sendo uma das nossas galinhas de ovos de ouro, mas isso não é mais do que uma das nossas galinhas dos ovos podres – não nosso. Eu gosto mais da nossa galinha de terra. Se o PTS fizer o que proporá ao povo, Cabo Verde vai ser, de certeza, o país mais rico de África e um dos mais ricos do mundo. Alcançaremos coisas que Cabral pode nunca ter sonhado que pudéssemos conseguir. Faremos assim Cabral feliz e iremos mais além como país livre e soberano.

Acredita na reactivação do PTS?

- Absolutamente. Se a minha lista for eleita, é o Gilson Alves e muitos outros camaradas patrióticos que o vão pensar e dirigir o partido. Portanto, o PTS estará em mãos seguras. Tudo decorrerá de acordo com um plano definido. Eu não me associaria a mais nenhum partido que não este. Deve estar escrito algures, que o PTS está destinado a fazer coisas grandiosas, porque é o único partido que está à altura dos sonhos de Cabral. Só personagens extraordinárias conseguem fazer coisas extraordinárias e isso os outros partidos não conseguem. Eles nunca conseguirão nada de extraordinário, porque não nasceram para a fazer, especialmente este Governo do MpD - tem pessoas muito limitadas. Além do mais, estão a instituir uma cultura inacreditavelmente anti-patriótica de venda (ou doação) de todos os nossos meios de produção a Espanhóis e tudo o mais. Isso eles aprenderam nos seus manuais de economia da universidade, mas esquecem-se que o melhor manual do Cabo-verdiano é o manual patriótico que Cabral e os outros camaradas de luta escreveram e que é o fundamento para sermos independentes. Esse manual eles não lêem, desconhecem-no completamente.

Porque continua a insistir nos ideários de Cabral?

- Repito: génios não se criam, nascem. Cabral é a imagem do que um Cabo-verdiano pode ser: o Cabo-verdiano ideal, que sonhou coisas "impossíveis" e as concretizou, apesar de não ter visto o seu país renascer livre. Se ele fosse vivo, ele estaria com o PTS, comigo, porque também eu tenho sonhado e feito coisas "impossíveis".

Mas o que sua candidatura quer agora para o país?

- Agora (com minha candidatura à liderança do PTS) quero que o meu país reencontre a saúde interior, a auto-confiança. Quero prosperidade e glória para o meu país. Quero que o meu país faça coisas jamais pensadas em toda a África. E uma responsabilidade destas, apenas um Cabralista consegue aceitar que elas recaiam sobre os seus ombros. Ou seja, isto é demasiado peso, demasiado sonhar para os carreiristas do Governo, que preferem o caminho da esmola envenenada do capital externo. E o que sei é que todo este Governo é anti-Cabralista, anti-patriótico e crivado de carreiristas. Não tenho dúvidas disso. Esse é o tipo de gente que votaria contra a independência do país, se os Portugueses tivessem feito um referendo em 1975. Não serei Cabral, serei Gilson, mas a primeira coisa que um homem deve fazer antes de iniciar uma grande obra, é inspirar-se em grandes obras. O Cabralismo será a cura para o anti-patriotismo deste Governo. Cabral «ca morre».

Nas penúltimas legislativas, o seu fundador Onésimo Silva foi cabeça de Lista do PTS no Mindelo, mas sequer foi eleito deputado. Por isso, considerou na ocasião que estas eleições foram o funeral do PTS. O que diz agora sobre isso com essa tentativa para activar o partido?

- Talvez o camarada Onésimo Silveira tenha sentido na altura que o partido tinha chegado ao final de uma etapa, o que era natural. Não creio que ele tenha querido dizer que o partido estava morto. Nessa altura, também, obviamente, ele não imaginava que ele me iria conhecer e que eu viesse propor-me a pegar no partido. Ele foi a primeira pessoa com quem eu falei sobre a minha candidatura. Julgo que ficou surpreso, mas não notei qualquer hesitação da sua parte. Agora se lhe colocasse esta questão, talvez ele lhe responderia que o PTS vai renascer e existir como nunca existiu. Tenho-o visto muito entusiasmado sempre que nos sentamos a discutir o futuro do partido.

Como pretende o PTS, agora em vias de ser reactivado, participar nas próximas eleições autárquicas e legislativas?

- Chegando a essas datas, se tudo correr como planeado, o partido terá todas as condições para tentar dominar o panorama político em Cabo Verde. O partido não estará ativo apenas nas poucas semanas de campanha. Essas eleições as ganharemos com a execução do nosso plano estratégico para os próximos três anos - serão ganhas muito antes de chegarmos a essas datas.

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