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Pais de caloiro de engenharia indiciado por terrorismo culpam namorada "mais velha" 10 Abril 2022

A mãe retrata João de 18 anos como um "menininho inocente, sem maldade nenhuma" e culpa uma jovem de Lisboa, namorada "virtual" com quem o filho troca vídeos com assassinatos em série, de o ter mandado fazer tudo", até "matar".

 Pais de caloiro de engenharia indiciado por terrorismo culpam namorada

Os pais do estudante de Informática na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa — detido preventivamente desde 10 de fevereiro por planear um atentado para 11-2, segundo "provas encontradas" no seu apartamento em Lisboa — não querem sequer admitir a possibilidade de João Carreira ter planeado um atentado contra colegas e professores.

"Não consigo sequer acreditar nessa possibilidade. O meu João é tão meigo e carinhoso. Nem habilidade tem para cortar um kiwi. Corta-o a meio e depois come-o à colher. E até sou eu que lhe faço a barba", confessou Cristina Real, à revista "Sábado".

Para Carlos Carreira e Cristina Real, terá sido Micaela, de 21 anos, que manteve com João uma relação "virtual" desde 2018, a principal instigadora do plano. Aliás, foi a jovem três anos mais velha que o convenceu a ir estudar para Lisboa, contrariando os pais, que o queriam em Leiria.

Micaela: "Ele veio para Lisboa porque que lhe pedi e depois abandonei-o", admitiu a jovem ao ser contactada pela Sábado. Mas ela sublinha que não falou mais com João e "ele também não disse mais nada e por isso pensei que estivesse bem".

Unia-os a obsessão por vídeos de assassinatos em série e Micaela admite que possa ter sido um dos motivos para João ter planeado um atentado, embora "não tenh[a] a certeza", e "não acredit[e] que ele o fizesse".

Fórum Discord

As longas horas que o aluno do 1º ano de engenharia informática passava a navegar na internet podem estar relacionadas com "as dificuldades de comunicação interpessoal associdas ao autismo", segundo revelam baterias de testes feitas na prisão-hospital.

Assíduo no fórum Discord — e parece que não na dark web, como esteve a ser amplamente noticiado —, João interagia com um "amigo" a quem contou tudo o que pretendia fazer. Esse amigo virtual chamou o FBI.

A PJ alertada pelo FBI passou a acompanhar a navegação do grande consumidor de vídeos de tiroteios e ataques, nos Estados Unidos.

Na quinta-feira, 10-2, detetado o plano do ataque — bem detalhado, com escalas de tempo e descrição pormenorizada do local a atacar — do dia seguinte, a PJ entrou em casa de João. O adolescente foi preso e a PJ apreendeu várias armas brancas, material com potencial explosivo, como gasolina e botijas de gás.

"A mãe dele esteve lá no fim de semana e não havia nada, nem armas, nem botijas, nada", disse o avô paterno de João. O adolescente "habitava sozinho" um andar, mantido em ordem pela mãe que todas as semanas fazia o percurso, cerca de quatrocentos quilómetros (ida e volta) da aldeia serrana perto de Fátima até à capital.

Nenhuma arma de fogo. A polícia informou que encontrou material explosivo que daria para bombardear o local da faculdade escolhido, armas brancas (catana, punhais) e arco e flechas — como num recente atentado de Oslo (Noruega: Ataque ’terrorista’ com arco e flecha deixa 5 mortos...., 15.out.021).

Fontes: Sábado.pt/JN.pt/... Relacionado: FBI alertou Portugal: PJ trava "ataque terrorista" que caloiro de engenharia programou para hoje, 11.fev.022; caloiro, indiciado por terrorismo agiu por vingança após acusação de plágio, 14.fev.022. Fotos: A captura de ecrã da página do site de jogos Jade Gaming, onde João R. é Test007. A PJ portuguesa detetou a preparação do "atentado", após o aviso do FBI a encaminhar para o fórum Discord.

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