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Guiné-Conakry/Golpe-de-Estado: Alpha Condé livre "já está na residência da primeira-dama" 30 Novembro 2021

O ex-presidente conacri-guineense — deposto pelo golpe-de-Estado de 05-9 e que esteve "acolhido" no palácio presidencial até segunda-feira 29 — "foi transferido para a residência oficial da primeira-dama onde o esperava a esposa Djènè Kaba", segundo fontes da presidência interina assegurada pelo coronel Mamadi Doumbouya nomeado pela Junta Militar.

Guiné-Conakry/Golpe-de-Estado: Alpha Condé livre

Alpha Condé, quarto chefe de Estado da República inaugurada por Sékou Touré, foi o primeiro presidente conacri-guineense democraticamente eleito desde a independência do país, em 1958. Esteve 32 anos na oposição até ser eleito para dois mandatos presidenciais, em 2010 e 2015.

O terceiro mandato, que Condé impôs ao país com a aprovação da revisão constitucional, indignou os estratos mais ativos da sociedade como demonstraram as manifestações, até violentas. A Guiné-Conakry entrou nos noticiários internacionais.

No primeiro domingo de setembro, o exército entrou no Palácio das Nações SékouTouréya/Palais des Nations SékouTouréya e o presidente Alpha Condé foi capturado por soldados. Foi retirado do palácio presidencial e levado para parte incerta.

O palácio com o nome do primeiro presidente, Sékou Touré, foi — por decisão da Junta Militar que desde há quase três meses dirige a Guiné-Conakry — ocupado pelo presidente interino, o coronel Mamadi Doumbouya, de 41 anos, a esposa francesa, a ex-polícia militar Lauriane Doumbouya, e os seus quatro filhos.

Alpha Condé, de 83 anos, ressentiu-se das condições de encarceramento. Por isso ao fim de dois meses, em novembro, foi autorizado a habitar o palácio presidencial enquanto esperava a reabilitação da sua casa privada em Kiné, a menos de 30 km do centro da capital — o que ainda não aconteceu.

A transferência do presidente deposto para a residência oficial da primeira-dama —sita no bairro de Landreau a uns 3 km do centro de Conakry — aconteceu no mesmo dia em que a esposa, Djènè regressou ao país, após dois meses "em tratamentos médicos no estrangeiro".

Os dez anos da presidência de Alpha Condé foram turbulentos, a começar com as suspeitas de fraude eleitoral na segunda-volta em 2010 e uma (alegada) tentativa de assassinato em 2011, em que os militares são suspeitos.

Em 2016, uma reportagem da France24 indicou que a multinacional da mineração Rio Tinto terá subornado um governante conacri-guineense com 10,5 milhões de dólares para obter direitos na mineradora Simandou. Embora Condé não pareça envolvido, já que os registos gravados só provam que ele defendeu um contrato de 700 milhões de dólares que entrariam nos cofres do Estado, a oposição tem dito o contrário.

Entre esses adversários de Condé — que lidera o RPG-União Popular da Guiné na oposição desde 1978 e teve de esperar 2010 para eleger-se na segunda-volta, com 57,85% dos votos — o mais ativo é Celiou Dalein Diallo que na primeira-volta, em junho, obtivera 42,5% contra 18% de Condé, o terceiro colocado.

Em novembro de 2010, o Centro Carter registou irregularidades na votação e na contagem de votos, dado que cerca de um milhão de votos desaparecem na última contagem.

Militares, fonte de instabilidade

O exército da Guiné-Conakry que em 05 de setembro assumiu o golpe-de-Estado é tido como fonte constante de instabilidade. A entidade nega contudo que tivesse estado por trás da tentativa de assassinato contra o presidente Condé em 2011.

Os militares também apoiaram a ascensão de Moussa Dadis Camara à presidência através dum golpe-de-Estado em 2008, após a morte de Lassana Conté (que derrotou Condé nas eleições de 1993 e 1998), presidente entre 1993 e 2008.
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Fontes: Le Monde/Le Figaro/DW.de/Radio RFI/GuinéeNews.com/. Relacionado: Guiné-Conakry: PR Alpha Condé, 82 anos corre para 3º mandato, 16.out.020; A África ganhou em liderança com a chancelerina", Alpha Condé entre presidentes, UA na despedida em Berlim, 28-8 a 07.set.021; Guiné-Conakry: PR Condé contestado por querer 3º mandato — "Ditadura mata Futuro", 24.jan.020; Guiné-Conacri: Monogamia vira lei sob impulso de Alpha Condé, 13.mai.019; Fotos (AFP/Getty): Presidente interino, coronel Mamadi Doumbouya, de 41 anos, e a esposa francesa, a ex-polícia militar Lauriane Doumbouya. Alpha Condé, de 83 anos, e Djènè, a esposa desde 2010 após dois divórcios. Tem um único filho, Mohammed Alpha Condé, de 53 anos, do primeiro matrimónio, com uma aeromoça ivoirense.

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