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Papa aceita "rápido demais" renúncia de arcebispo de Paris, mas substituí-lo é ’imbroglio’: "Paris é difícil e tem muitos prelados jovens, brilhantes" 04 Dezembro 2021

O arcebispo Michel Aupetit — que entrou no sacerdócio, aos 44 anos, ao fim de mais de uma década como médico-cirurgião — nega as acusações publicadas sobre "uma ligação íntima com uma mulher". Alguns círculos católicos criticam a "rapidez" com que o papa Francisco aceitou a renúncia, neste caso que é "o menos grave" dentre muitos que "a Igreja protelou até por anos".

Papa aceita

É espantosa a rapidez (menos de uma semana quando a norma é que a resposta do Vaticano costuma ser demorada) com que Roma aceitou a renúncia do arcebispo Michel Aupetit — que "escreveu ao papa Francisco confiante de que estava a pôr os seu futuro nas mãos do Santo Pontífice", referem vaticanistas ouvidos pelo online Le Figaro esta sexta-feira.

"O Santo Padre aceitou a demissão apresentada por Monsenhor Michel Aupetit", anunciou na quinta-feira o Vaticano, ao fim de dias de especulação sobre como iria decidir o papa Francisco acerca do arcebispo de Paris que uma publicação de 22-11 acusa de ter mantido "uma ligação íntima com uma mulher".

"O papa Francisco considera que um bispo ou um cardeal não pode ter uma vida dupla", explicou à AFP o escritor vaticanista Marco Politi, autor de "Francesco: la peste, la renascita"/Francisco: a peste a renascença", publicado em 2020.

O arcebispo Michel Aupetit — um ex-médico-cirurgião que entrou tardiamente no sacerdócio, aos 44 anos — afirma que apesar "dos acontecimentos dolorosos da semana passada" tem "o coração em paz", lê-se no comunicado publicado ontem.

Na semana passada, um artigo do semanário parisiense Le Point afirmava que Michel Aupetit, então sacerdote, tinha em 2012 mantido "uma ligação íntima e consensual com uma mulher".

Um erro de envio num email recente expôs o prelado, hoje com 70 anos, segundo o semanário parisiense. Mas o visado desmente e declara que decidiu "entregar nas mãos do papa o cargo episcopal" a fim de "preservar a diocese da divisão que a suspeita e perda de confiança sempre causam".

"Fiquei, como é óbvio, muito abalado com os ataques de que fui alvo", confessou o arcebispo demissionário que é ademais acusado de uma gestão autoritária.

Durante os seus quatro anos à frente do Arcebispado de Paris, Aupetit destacou-se pelo conservadorismo sobre as questões divisivas: casamento para todos, aborto — sobre o qual presidiu frequentes manifestações.

Nestes últimos dois meses foi muito criticado o seu silêncio sobre o relatório publicado em outubro, que denuncia "Mais de 60 anos de pedofilia na Igreja de Paris".

Comportamento ambíguo

Na sexta-feira a AFP publica que a diocese garantiu que não se trata nem de uma "relação íntima" nem de uma "relação sexual". "Ele teve um comportamento ambíguo, que é inaceitável num cargo que o escolhido tem de estar acima de todas as suspeitas".

Roma de imediato nomeou o bispo emérito Georges Pontier, como substituto interino na arquidiocese de Paris.

Substituição

A substituição é, segundo vaticinistas ouvidos nestes dois dias, uma tarefa difícil, um imbroglio para o Bergoglio papa Francisco. Por exemplo, um especialista diz ao Figaro que Paris é uma das dioceses mais difíceis, senão a mais difícil da Igreja Católica. "Nela estão alguns dos jovens prelatos mais talentosos, mais brilhantes do Catolicismo". Daí a dificuldade que vai representar "a escolha entre tantos bons, excelentes candidatos, animados de tanta ambição".

Fontes: TV5Monde/Le Point/La Stampa/Vatican News. Foto: O papa Francisco entrega ao arcebispo Aupetit o pálio que simboliza a integração no círculo mais próximo do papa.

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