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Paquistão: Cristã Asia Bibi ainda presa e advogado foge ameaçado de morte 04 Novembro 2018

Este sábado, 3, ao fim de quatro dias de motins de fundamentalistas contra a absolvição, decidida a 31, o governo de Imran Khan cedeu à pressão para não libertar Asia Bibi — em 2010 condenada à morte — enquanto ela aguarda, na cadeia, nova decisão do tribunal agora sobre o recurso impedindo-a de deixar o Paquistão.

Paquistão: Cristã Asia Bibi ainda presa e advogado foge ameaçado de morte

O advogado dela, Saif-ul-Mulook, antes de deixar o país no sábado disse em comunicado de imprensa que essa era a melhor solução para Asia Bibi ainda presa: "Morto não a posso defender. Vou continuar a defendê-la a partir da Europa".

"O mais lamentável é que o governo é impotente para fazer cumprir uma ordem do Supremo", disse Saif-ul-Mulook.

O governo de Imran Khan, que tomou posse em agosto, é apoiado pelo partido TLP-Partido Nacional Paquistanês constituído por fundamentalistas sufistas, incluindo a própria esposa, Bushra Maneka, que é uma respeitada líder espiritual sufista. A promessa eleitoral mais destacada do ex-campeão e atual político, foi “libertar o Paquistão da escravatura imposta pelos Estados Unidos”, como refere a AFP citando o diário “The Nation”, de Lahore.

A ascensão do antigo campeão mundial de críquete à Primatura do Paquistão está a ser perspetivada como parte de uma onda, que se teme imparável, dos novos nacionalistas que, um pouco por todo o mundo dos Estados Unidos às Filipinas, da Hungria ao Brasil), têm sido eleitos com promessas populistas que desafiam alguns dos direitos universalmente reconhecidos.

2009: Água deu início

Os média internacionais divulgaram em novembro de 2009 o caso da camponesa paquistanesa Aasiya Noreen, mais conhecida por Asia Bibi, que enfrentava uma condenação à morte por blasfémia. Ela era acusada como cristã porque, meses antes, em junho, ao ser mandada buscar água, bebeu da água destinada em exclusivo aos muçulmanos.

Diante disso, as suas colegas de trabalho protestaram, porque a lei religiosa prescreve que se um não-muçulmano utilizar o recipiente da água, este torna-se impuro. Para evitar isso, as demais camponesas exigiram a Asia Bibi que ela abandonasse a fé cristã e se convertesse ao Islão.

Asia Bibi respondeu: "Cristo morreu na cruz pelos pecados da humanidade. E Maomé, o que é que ele fez por vocês?" Entretanto, alguns media, como os britânicos Daily Mail, The Guardian, destacam que a interdição sobre o "impuro" nada mais é que uma sobrevivência do multimilenar sistema de castas hindu.

O caso de "blasfémia" chegou à justiça, denunciado pelo marido duma delas, que era o imã da aldeia do município de Sheikhupura, a menos de cinquenta quilómetros da capital Lahore. Na aldeia, só Bibi, o marido e os cinco filhos eram cristãos (praticantes do catolicismo). Com a prisão de Bibi, o marido e os filhos têm andado de terra em terra, a mudar constantemente de residência por medo da perseguição, refere o DW.

Sentença: "A própria acusação não será blasfema?"

O Supremo Tribunal sentenciou que, dadas as contradições, só lhe cabia inocentar a acusada. "Sendo inocentada, tem de ser libertada", escreveu o painel de três juízes. "A blasfémia é uma acusação demasiado séria" que obriga a uma profunda reflexão que nos leva às bases do maometanismo quando no século VII o profeta Maomé celebrou um pacto com os cristãos e que continua válido", escreveu o magistrado Asif Saeed Khosa, segundo quem "o insulto à religião (da Bibi) e as falsidades proferidas sobre o Santo Nome do Profeta Maomé (A Paz seja com Ele) não estão longe de ser considerados uma blasfémia", concluiu.

Fontes: AFP/Le Monde/ DW.de/outras referidas. Foto: Em Paris, um cartaz no Louvre pede a libertação de Asia Bibi. O movimento ativista, com apoios de grupos religiosos, políticos, etc., mantém-se vivo desde 2009.

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