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Paquistão: Criança de 8 anos acusada de blasfémia punível com pena capital 11 Agosto 2021

A intolerância religiosa desta vez acontece entre hindus e muçulmanos: um menino de oito anos urina no tapete duma escola religiosa islâmica, levado a tribunal é solto sob fiança. Em retaliação, um grande número de pessoas muçulmanas atacam fiéis num tempo hindu.

Paquistão: Criança de 8 anos acusada de blasfémia punível com pena capital

O caso atingiu os ’media’ ocidentais esta segunda-feira, através do diário londrino ’The Guardian’ que ouviu um parente do rapazinho de oito anos: "Tivemos de fugir da cidade e deixar os nossos bens para salvar a nossa vida".

No sábado, a imprensa local, em Punjab, noticiou que a polícia prendeu vinte pessoas que atacaram o templo hindu. Mas há relatos desencontrados (ver dois e três parágrafos abaixo)

O governo enviou mais tropas para a região. O primeiro-ministro Imran Khan condenou através do Twitter o ataque e afirmou que "a polícia tem ordens para deter todos os que perturbem a ordem e que será responsabilizada por qualquer incidente".

Mas o relato dum hindu ao diário londrino dá conta da inação da polícia: "Nenhum dos invasores do templo foi detido. Não vemos nenhuma ação concreta para a nossa defesa, nós da minoria neste país de maioria muçulmana".

Esse relato foi confirmado por um porta-voz da polícia: "Estamos a perseguir os atacantes mas até agora não fizemos nenhuma detenção".

Blasfémia vs. liberdade religiosa

A lei contra a blasfémia — em nome da igualdade de direitos das religiões reconhecidas no pais — foi em 1986 introduzida no código penal do Paquistão. O novo crime é desde então punido com uma pena que vai da simples coima à pena perpétua e pena capital.

Mais de trinta anos depois, a ong US Commission of International Religious Freedom/Comissão Internacional dos EUA para a Liberdade Religiosa relata que mais de mil e trezentas pessoas foram acusadas de blasfémia, no país maioritariamente muçulmano.

Apesar da repercussão dos casos que envolvem cristãos, como o da Asia Bibi (link abaixo), a maioria dos acusados são muçulmanos.

A lei da blasfémia não serviu os objetivos de promover maior liberdade religiosa, antes pelo contrário tem servido para agudizar as tensões entre comunidades de religiões diferentes.

Entre os muçulmanos tem servido para resolver quezílias individuais, como no caso em que após vencer um jogo de cricket, um adolescente falsamente acusado por adversários foi condenado.

Outro: um adolescente que ouviu mal a pergunta do imã durante uma celebração religiosa e levantou a mão. A multidão reagiu e o rapaz desesperado entendeu então que tinha praticado uma blasfémia. Foi para casa e voltou com a mão numa bandeja que apresentou ao clérigo. A multidão perdoou-lhe e a família disse à polícia que estavam "orgulhosos dele".

Em tribunal, raros são os casos que recebem a pena máxima. Mas a libertação de acusados tem levado ao seu linchamento por multidões de fanáticos enfurecidos. Recorde-se o que aconteceu à referida Asia Bibi: continuou sob a ameaça de morte mesmo depois de ser inocentada pelo Supremo Tribunal, numa "sentença histórica" que, segundo a imprensa local, "pôs o painel de três juízes, muçulmanos, com a cabeça a prémio".
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Fontes: Guardian/Independent/Pakistan Times. Relacionado: Paquistão: Cristã Asia Bibi inocentada da acusação de blasfémia continua sob ameaça de morte, 06 de Janeiro de 2019; Paquistão: Cristã Asia Bibi ainda presa e advogado foge ameaçado de morte, 04 de Novembro de 2018. Foto: Templo hindu em Lahore, capital da província paquistanesa do Punjab.

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