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"Para comer, tenho de ir aos caixotes de lixo": 75% de empregados infelizes e pobres da cada vez mais rica Disney 19 Setembro 2019

A frase "Para comer, tenho de ir aos caixotes de lixo" na carta dum funcionário chocou Abigail Disney, herdeira de Walt Disney, que decidiu ir ver o que se passava. «Todas as pessoas com quem falei disseram-me: ’Já não sei mais como aguento mostrar uma cara alegre quando sei que no caminho para casa vou procurar comida no lixo de outras pessoas’», expressou em entrevista a sobrinha-neta de Walt Disney.

Os salários do pessoal da Disney decresceram 15% neste milénio — apurou a Forbes — enquanto os lucros subiam até níveis estratosféricos, graças aos canais de rádio e televisão, parques de diversões, estúdios de cinema, entre muitos outros negócios.

A empresa avaliada em $238 biliões (mais de 20 mil milhões de contos), segundo a Forbes que a coloca no Top-20 das mais lucrativas dos EUA, tinha sido objeto de um estudo que confirmara, em março de 2018, a “indigna” situação laboral dos seus funcionários. Muito antes da visita, em julho de 2019, de Abigail Disney, que é neta de Roy Disney, co-fundador com o irmão Walt da The Walt Disney Company.

O referido estudo apurou que o salário médio para os trabalhadores tinha caído de 15,80 dólares para 13,36 dls progressivamente desde o ano 2000. A desigualdade salarial traduziu-se por exemplo em que o presidente recebeu 65 milhões de dólares só em bónus, em 2017, o último ano de exercício divulgado.

Abigail Disney diz num podcast que pode ser visto no Yahoo News e comentado em media de referência, omo o NY Times ou a BBC: "Estava tão zangada quando saí de lá, porque o meu avô me ensinou a reverenciar essas pessoas que nos atendem, servem-nos o que comemos e o que bebemos. Elas são parte da receita para o sucesso".

CEO Igler ganha 1.424 vezes mais que o salário médio na Disney

Abigail Disney, que doou metade da sua fortuna nos últimos anos, tinha publicado, dois meses antes, no Washington Post um artigo sobre a tremenda desigualdade salarial na empresa de que é uma das herdeiras.

Concluía que o CEO (presidente) Robert Igler "podia ter melhorado em 15 por cento o salário de 75% funcionários se tivesse recebido "só" um sexto dos 65 milhões do seu bónus anual”.

A também ativista, que pediu aos candidatos da ’Presidencial 2020’ para criarem um imposto sobre as maiores fortunas, referiu "a indecência do salário do presidente da Disney, Robert Iger", que "levou para casa mais de 65 milhões dls (6,5 milhões de contos) em 2018. Isso é 1.424 vezes o salário médio de um trabalhador da Disney", escreveu Abigail Disney, com base num estudo da Equilar.

Após o encontro com os funcionários, Abigail dirigiu um email ao responsável máximo da empresa, o CEO Robert Iger, para lhe expressar que "numa empresa, como a Disney, que nunca teve tanto lucro, não há desculpas para os trabalhadores não terem dinheiro para comprar comida, remédios", o básico para a sobreviência.

Abigail Disney, que continua à espera da resposta do mais alto executivo da Disney, expressa-se assim no podcast referido: "O Bob deve entender que ele é um funcionário da companhia assim como as pessoas que raspam as pastilhas elásticas (chewing-gum) do chão. Todos merecem ter a mesma dignidade e direitos humanos que ele".

A Walt Disney Company reagiu cinco dias depois, com um comunicado à imprensa, em que nega as acusações "infundadas" do "relato particularmente escandaloso".

A administração da empresa refere os esforços para melhorar o ambiente laboral aos mais de 200 mil trabalhadores, com "benefícios e programas que proporcionam oportunidades, mobilidade e bem-estar", e "nos nossos parques em Orlando e Anaheim, a The Walt Disney Company atualmente paga aos seus funcionários uma média de 19,50 dls. por hora, significativamente acima do salário mínimo federal".

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