INTERNACIONAL

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

"Para ele, é um alívio ter sido detido", diz advogado de cirurgião francês suspeito de mais de 200 crimes de pedofilia 21 Novembro 2019

O cirurgião Joël Le Scouarnec, de 68 anos, está há dois anos detido, por crimes de pedofilia cometidos entre 1987 e 2017, em várias regiões de França. As provas incriminatórias foram achadas há dois anos, quando na casa vizinha uma criança de seis anos contou ao pai que o vizinho todo nu lhe mostrou o sexo. Havia mais: o homem tinha em outra ocasião introduzido um dedo na zona genital da menina e a tudo assistira o irmãozinho dela, de apenas dois anos. O caso está de volta aos noticiários esta terça-feira.

"Ele admite que teve esses comportamentos desviantes. Para ele, é quase um alívio ter sido detido porque estava numa engrenagem, da qual não conseguia sair", disse o advogado do suspeito de mais de 200 crimes pedófilos.

A principal fonte para a investigação são os registos, em especial o diário pessoal, que o médico manteve ao longo de mais de três decénios. Com base nesses registos, a polícia começou a falar com as potenciais vítimas listadas no diário e que parece serem todas pacientes do cirurgião.

Um dos pacientes, que em 2000 aos 14 anos foi operado pelo cirurgião, viu com surpresa a polícia a bater-lhe à porta. "Não fazia a mínima ideia de que me tinha acontecido isso!"

O diário secreto do cirurgião continha os detalhes do que fizera ao paciente ainda anestesiado, até agora o único do sexo masculino identificado. Havia mais casos de pacientes, do sexo feminino, que tinham sido vítimas sob anestesia.

Enquanto 183 queixas estão já formalizadas, as autoridades continuam a investigar o que, pelo número de vítimas, parece ser o caso mais extenso de pedofilia em França, segundo o Le Monde.

(Ir)Responsabilidade?

Joël Le Scouarnec tinha sido acusado em 2005 de posse de pornografia infantil. A trabalhar no hospital regional de Vannes, o tribunal local deu-lhe uma pena suspensa de cinco meses. A Ordem dos Médicos foi omissa. Nenhuma das entidades mandou o médico para tratamento.

Os especialistas tendem a tratar cada vez mais a pedofilia como uma doença, que com o atempado diagnóstico pode ser prevenida e tratada.

Entre as doenças mentais, as de cariz sexual têm em tempos mais recentes sido objeto de muita polémica no concernente à sua terapêutica.

Na sociedade de informação em que vivemos, o imediatismo da questão pode obscurecer a necessária reflexão.

Ao contrário do que aconteceu quando, nos anos de 1940, a cidade da Praia enfrentou um surto de casos de estupro que vitimavam as meninas que atravessavam o parque entre o Plateau e a Achadinha depois do sol-posto. Todos sabiam quem era o violador: António Pama.

Os médicos do hospital da capital decidiram dar a devida solução ao caso: castração química de António Pama. O caso está descrito no livro de memórias Nos Tempos da Minha Infância, de Osvaldo Lopes da Silva, editado em 2011.


No arranque da internet

Em 2004, Joël Le Scouarnec, estava a ser investigado. Um inquérito que, segundo o semanário Marianne, tinha arrancado em 30 de julho de 2003, em Paris, com a prisão de três bielorrussios suspeitos de branqueamento e difusão de imagens de cariz pedopornográfico.

O inquérito estendeu-se aos Estados Unidos onde as empresas Connexion.usa, Regpay e Trust-bill, na Flórida tiveram os seus computadores vasculhados pelo FBI. Entre largos milhares de ficheiros de clientes, a investigação encontrou 2 468 franceses.

A lista de "consumidores de imagens pedopornográficas" foi enviada a Paris. o médico-cirurgião Joël Le Scouarnec, de 51 anos, até então uma figura respeitável e sem história, tinha utilizado o seu "visa" bancário para aceder a vídeos "pedopornográficos" nos dias 21 de fevereiro, 7 de março e 19 de abril de 2003.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project