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Paris a arder: Curdos em protesto pelo triplo assassínio de cariz racista chocam com polícias 24 Dezembro 2022

Sábado, é o segundo dia de protestos pelo atentado de "cariz racista" de ontem (sexta-feira) perpetrado por William M., de 69 anos, que matou três pessoas e feriu outras três nas proximidades do centro cultural curdo em Paris. Um crime "hediondo", como disse o presidente Macron, e que levou a comunidade curda ao local num protesto pacífico. Mas tudo degenerou e o centro de Paris desde ontem que se tornou arena de contenda entre curdos e polícias.

 Paris a arder: Curdos em protesto pelo triplo assassínio de cariz racista chocam com polícias

Centenas de pessoas estavam na praça da República numa homenagem às vítimas do atentado racista. Um ato pacífico em que participavam pessoas da comunidade curda — o "povo das montanhas" que manteve a sua identidade cultural e étnica, apesar de sucessivas invasões, por mais de dois mil anos, por arménios, romanos, bizantinos, árabes, otomanos, turcos, persas).

Na manifestação de sexta estavam pessoas de várias gerações. De repente tudo degenerou e a polícia aparece a empurrar a multidão, uma octogenária cai no chão desmaiada.

Labaredas começaram a erguer-se de contentores de lixo e pneus queimados, jovens lançaram paralelos contra as forças da ordem que os atacavam com gás lacrimogéneo, bastões e jatos de água. Há notícias de viaturas incendiadas.

Pessoas são detidas. Entre elas, o líder idoso da comunidade curda que é fotografado de joelhos no chão a render-se à polícia(foto ao alto à d.ta).

Atentado perpetrado por William que "odeia" estrangeiros

Tudo começou pois com o quase septuagenário William M, maquinista de comboios reformado, que na sexta-feira, 23 arma um tiroteio em três lugares no 10º bairro. Primeiro abriu fogo sobre quem se aproximava do centro cultural Ahmet-Kaya (que comemora o músico curdo exilado em Paris, onde faleceu aos 52 anos em 2000). Depois, disparou contra um salão de cabeleireiros e um restaurante próximos. Uma mulher e dois homens morreram, três outras pessoas ficaram feridas.

O atirador foi dominado por um "herói" que conseguiu desarmá-lo antes da polícia intervir.

Paralelo com autarca do ’Chega’. O ato insano do francês William M. traz à memória dois crimes de "ódio racial" ocorridos em outubro e novembro de 2021 em Portugal perpetrados por Vítor Ramalho, autarca do Chega.

Movido pelo ódio racial, Ramalho, de 53 anos e dono de treze armas de fogo, disparou sobre nove pessoas duma família birracial sueca (mãe ’branca’, pai ’preto’ e sete filhos birraciais entre os 11 anos e os 3 meses).

Em novembro, já destituído do cargo autárquico, voltou a disparar sobre outra família estrangeira, desta vez imigrantes do Curdistão.

Curdos refugiados da Guerra da Síria

O crime de William M "aparentemente determinado por ódio racial", como qualificado pelas autoridades francesa, traz à memória, pois, o que sucedeu há um ano no Alentejo protagonizado por um autarca do ’Chega’, o partido com um discurso anti-minorias sociais e raciais (ciganos, africanos/negros...).

Há três anos, o Chega chegou ao parlamento e em janeiro do ano passado, o seu líder André Ventura obteve em Alvito, freguesia do Alentejo bastião comunista de Portugal, o segundo lugar, só precedido pelo recandidato Marcelo Rebelo de Sousa.

É um caso que ilustra o ditado "os extremos tocam-se" e que todavia só espanta quem esteve desatento ao avanço do partido lepenista em França desde há mais de 40 anos.

Entretanto, Portugal é um dos países da União Europeia que acolhe refugiados da Guerra da Síria. Entre estes, os curdos que desde outubro de 2019, com a retirada dos Estados Unidos da fronteira turco-síria e a invasão turca, se tornaram os novos deslocados da região.

Na guerra da Síria que lavra desde 2011, os curdos perseguidos pela Turquia aliaram-se às forças internacionais para combater o Estado Islâmico. Mas com a "traição americana" oito anos depois, as forças curdas tornaram-se aliados dos sírios contra os turcos.

Fontes: RFI/TF1/Le Monde/Le Figaro /... Relacionado: França-Violência de cariz racista: 3 mortes e vários feridos em tiroteio num centro curdo em Paris — Atirador de 69 anos é reincidente, 23.dez.022; Portugal: Eleito extrema direita do Chega destituído volta a disparar contra estrangeiros no Alentejo, 01.dez.2021; Portugal/ Ódio racial: ’Membro do Chega’ arguido por homicídio tentado contra família sueca birracial no Alentejo, 13.out.021; Guerra da Síria: Curdos traídos por Trump aliam-se a Assad — "Turcos são piores que Estado Islâmico", 13.out.019. Fotos (Reuters): Centenas de pessoas num protesto pacífico que de súbito degenerou. Contentores de lixo e penus queimados, paralelos (de pedra) atirados. A polícia usou gás lacrimogéneo, bastões e jatos de água. Entre inúmeros feridos, contam-se cinco agentes da polícia.

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