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Parlamento: Líder da bancada do PAICV alerta sobre aumento de tensão social com protestos de rua 18 Julho 2019

O líder da bancada do PAICV alertou, hoje, no parlamento, que aumenta, a olhos vistos, a tensão social em Cabo Verde e emergem da sociedade movimentações que indiciam que as pessoas estão a chegar ao seu limite de suportar o autismo do Governo de Ulisses Correia e Silva e a narrativa gasta do MpD, que o suporta, em como tudo está bem e que apenas a oposição não consegue enxergar. Tudo por causa dos descontentamentos da população face aos fracos resultados da atual governação ventoinha.

Parlamento: Líder da bancada do PAICV alerta sobre aumento de tensão social com protestos de rua

Rui Semedo fez estas afirmações durante a sua declaração política que aconteceu , esta quarta-feira, no arranque da sessão plenária deste mês da Assembleia Nacional. «Um pouco por todo o país tem-se apercebido sinais de descontentamento e insatisfação traduzidos em atos de massa nas ruas, cada vez mais expressivos, em quase todos os pontos do território nacional e com contornos imprevisíveis».

O parlamentar tambarina alerta que, quem governa um país, como Cabo Verde, cuja estabilidade e paz social são capitais de principal grandeza, não poderá ignorar o que vem acontecendo e muito menos desprezar ou menosprezar a insatisfação, a revolta e as súplicas das pessoas que reivindicam a resolução dos seus problemas e as respostas para às questões que as afligem no seu quotidiano. «As manifestações, em si, não são más porque podem ser interpretadas como sinais de vitalidade da nossa democracia, que não se esvazia nos partidos políticos, embora pilares fundamentais nas democracias modernas, mas que se extravasa para a sociedade para significar, claramente, que somos uma democracia de partidos mas também uma democracia da sociedade e dos cidadãos».

Para Rui Semedo, o que não está bem no meio de tudo isso é a atitude da maioria que ou tenta culpabilizar os outros, designadamente a oposição, ou tenta desvalorizar ou banalizar estes fenómenos quando não tenta impedir a organização destes mesmos atos. «Toda esta atitude pode configurar uma tentativa de passar um atestado de menor idade e incompetência das pessoas para além de desmerecer o nível de maturidade da sociedade que autonomamente pode se organizar para fazer face a situações diversas e demonstrar a sua insatisfação perante as dificuldades impostas por uma governação cujos resultados não correspondem a sua expectativa».

Promessas e desesperança do povo

Numa referência directa às promessas do MpD, o deputado fez questão de realçar “que quem semeia vento colhe tempestade”. É que, segundo fundamenta, o que vivemos hoje é consequência de um conjunto de atos desajustados que tem tido impacto direto no nível de confiança das pessoas nas promessas, nas propostas e nos compromissos dos governantes. «Não é difícil descortinar que os cabo-verdianos, para além de desiludidos, se sentem defraudados, perante os compromissos eleitorais assumidos, pelo MPD antes, em campanha eleitoral e, posteriormente, em programa de governação, programa esse engavetado e esquecido para dar lugar a outras promessas avulsas, desconectadas com a realidade e lançadas ao ar como boias de salvação para camuflar os apuros em que, permanentemente, o governo se sujeita».

Semedo alerta que todos ouvem que o País está a crescera a 5%, mas não sentem os efeitos na sua vida pessoal e não vêem os seus rendimentos a aumentar. «E não aumentam porque não se fez a atualização anual dos salários e pensões, prometida, os custos dos bens essenciais e dos serviços essenciais dispararam, o Rendimento de Inclusão prometido para 25 mil pessoas, chegou ainda a apenas 2.500 famílias, e o aceso à saúde se transforma, cada mais, em um luxo», disse, realçando a destruição de mais de 15 mil postos de trabalho - em contraponto com os 45 mil empregos prometidos – e a substituição dos empregos dignos por estágios profissionais.

Fundamenta o deputado que Cabo Verde não está a conseguir gerar empregos dignos, porque não há uma visão, nem uma estratégia de desenvolvimento, com aposta nos sectores estratégicos. «Se as pessoas não estão satisfeitas é porque o país não vai bem e se o país não vai bem a atitude mais sensata é parar, ouvir, ver, avaliar e corrigir o rumo».

O líder parlamentar do PAICV acrescenta que não valerá a pena apontar o dedo aos outros, vitimizar-se e colocar a culpa nos outros porque a realidade é muito mais do que aquela que a nossa imaginação projeta para a nossa própria auto-satisfação. «Temos todos que ser capazes de desenhar um modelo de governação das ilhas voltado para o desenvolvimento integral do país e para a satisfação das necessidades dos cabo-verdianos».

Rui Semeado termina a sua declaração política na sessão de hoje,17, da AN, concluindo que « se as pessoas estão a agir desta forma é porque perderam a esperança e não há mal maior, em qualquer país, que a destruição dos sonhos e o assassinado da esperança do povo».

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