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Parlamento: Líder do PAICV alerta para momentos de incertezas que se vive em Cabo Verde 14 Janeiro 2018

«Neste dia -13 Janeiro- de tão importante significado, é particularmente penoso constatar que estamos vivendo momentos preocupantes em relação ao presente e ao futuro. Não são, pois, pequenas as incertezas!». O alerta é da presidente do PAICV, Janira Hopfer Almada, feito, neste sábado, no acto solene da Assembleia Nocional que assinalou a passagem do Dia da Liberdade e Democracia -13 de Janeiro.

Parlamento: Líder do PAICV alerta para momentos de incertezas que se vive em Cabo Verde

Para a líder do maior partido da oposição, são já profundas as preocupações perante factos e actos a que assistimos, a cada dia que passa. «Lembremo-nos das promessas eleitorais, cujos sinais de cumprimento não foram, ainda, vislumbrados. Bem pelo contrário: está-se perante o agravamento das condições de vida em todos os estratos sociais, mas com maior incidência nas camadas mais desfavorecidas da sociedade».

Janira Hopffer Almada fez questão de realçar que não abona em nada a governação estar-se a ouvir declarações - muitas delas irresponsáveis e imponderadas - daqueles que neles confiaram a gestão dos seus destinos, ao mesmo tempo que vão ficando evidentes as disfunções no modo como operam as instituições do Estado.
«Recordemo-nos das tentativas (não poucas) de condicionamento do exercício dos direitos da Oposição Democrática, e da falta de transparência nos negócios do Estado, com obstrução à fiscalização, criando-se um ambiente para se questionar sobre o verdadeiro sentido da ética, na gestão de importantes sectores da economia nacional, da falta de diálogo, da não disponibilização de informações e, aqui e acolá, com alguns laivos de arrogância da actual Maioria», descreve.

Referindo-se a factos concrectos, lembra da investida do partido da maioria em impedir, por exemplo e à Oposição, de exercer o direito potestativo de constituir uma Comissão Parlamentar de Inquérito, que não é uma violação qualquer da letra e do espírito das Leis da República. É que, segundo fundamentou, violar a Constituição da República, usurpando o poder de um Órgão de Soberania, não é um deslize insignificante.

Negócios obscuros e ataque à liberdade de imprensa
Alertou ainda a líder do PAICV que recusar prestar informações ao Parlamento e aos Eleitos da Nação não é um lapso menor e, muito menos, desprezível.

Janira Hopffer Almada critica, por outro lado, que atentar contra a liberdade de imprensa e a independência dos jornalistas não é uma falha que não deva suscitar uma reacção enérgica, de condenação e repúdio!

«A situação tornou-se tão grave e perceptível que, mesmo o Presidente da República, enquanto mais Alto Magistrado da Nação, tem chamado a atenção, nalguns dos seus discursos, para a necessidade de mais respeito pelos direitos da minoria, de mais rigor, de mais transparência, de mais diálogo, de mais disponibilização de informação aos cidadãos e às organizações, de mais trabalho (passando de enunciados à concretização prática das ideias e propostas), de cumprimento de serviços públicos e respeito pelos valores democráticos, de mais articulação em questões sensíveis ligadas à política externa, e de mais responsabilidade», referiu a líder do maior partido da oposição.

Esta mostrou-se ainda preocupada com a postura do Governo em esconder informações ao parlamento sobre o processo da reestruturação e privatização da TACV.

«Não é normal que, no estágio da democracia em que nos encontramos, sejam negadas, ao Parlamento, informações de um negócio tão estratégico como aquele feito em torno dos TACV. E que não se venha com o “truque” de que todas as informações já foram disponibilizadas, porque não corresponde à verdade!
Em relação aos negócios com a Binter, convém deixar claro que apenas foi disponibilizado um Memorando de Entendimento, que não nos permite descortinar os meandros e os contornos de um negócio que levou ao desaparecimento dos TACV nas linhas domésticas», reivindicou JHA.

A líder do PAICV questionou como é possível fazer um negócio desta envergadura, sem um contrato claro, para além das muitas contradições, nas próprias declarações dos Governantes.
«Em relação à Icelandair, as informações são ainda mais parcas e não passam de um mero contrato de gestão para os TACV, ficando por se esclarecer em que circunstâncias operam os dois aviões de 27 anos de uso cada, e qual o custo desta operação, e qual o futuro da Companhia de Bandeira e seus trabalhadores».

Segundo a mesma fonte, a maioria, para furtar-se às suas responsabilidades, atira-se, com toda a fúria, sobre a Oposição - designadamente o PAICV - ora dizendo que a Oposição quer governar, ora que este Partido é anti-patriótico, irresponsável e, até, infantil, nos momentos em que se sente mais acossada.

«Há, pois, uma tentativa clara de isolar o PAICV, na velha máxima de isolar a vítima para implementar uma caça bem-sucedida», referiu a líder da oposição no seu discurso alusivo ao 13 de Janeiro na sessão solene da AN deste sábado, na Praia.

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