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Parlamento: PAICV considera que pendências e reformas curriculares continuam a adiar a qualidade no sector da Educação 12 Outubro 2022

O deputado do PAICV Luís Pires considera que as preocupações, pendências no sistema de ensino e reformas curriculares feitas no ensino básico e secundário continuam a adiar a garantia da qualidade no sector da Educação em Cabo Verde.

Parlamento: PAICV considera que pendências e reformas curriculares continuam a adiar a qualidade no sector da Educação

Luís Pires, deputado do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV- oposição), fez estas considerações na abertura do debate sobre o Estado da Educação na primeira sessão de Outubro e deste novo Ano Parlamentar, proposto pelo grupo parlamentar do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição).

Segundo este deputado, a reconfiguração da política económica global e os ensaios de uma nova Ordem Mundial, num contexto de cada vez maior imprevisibilidade, ditam a urgência de um novo modelo de escola, salientando que o futuro de Cabo Verde depende de como foram potencializadas as competências e capacidades individuais e colectivas dos cabo-verdianos.

Ao avaliar as principais medidas de políticas previstas e em curso para o sector da Educação em Cabo Verde, considerou igualmente que a avaliação em tempo útil da revisão curricular, a implementação da organização das escolas em agrupamentos, sem auscultar a comunidade educativa, algum facilitismo na avaliação dos alunos, a formação específica dos professores para atender às necessidades educativas especiais não tem contribuído na melhoria do referido sector.

O deputado do PAICV apontou que a morosidade na resolução das pendências dos “heroicos” professores cabo-verdianos, a relativa gratuitidade do ensino e as taxas que violam a Constituição e a própria Lei de Bases, a quase ausência da saúde escolar, a urgente universalização do pré-escolar, a inexistência de manuais escolares no Ensino Secundário são ainda questões que preocupam o PAICV.

A problemática da reabilitação e modernização das escolas, o instável sistema de transporte escolar, a transição digital, a sustentabilidade do ensino superior, são, de acordo com Luís Pires pontos contidos na infindável lista de preocupações que continuam a adiar a qualidade da educação que todos almejam.

A continuar assim fica difícil cumprir o prognóstico optimista de integrar Cabo Verde no ranking do Programa Internacional de Avaliação de alunos e de alinhar o nosso sistema de ensino com os padrões de qualidade da OCDE”, asseverou, realçando que o sucesso da Educação depende da avaliação que é feita durante o processo.

A mesma fonte congratulou-se com o tratamento curricular dado às línguas estrangeiras, neste país que, conforme lembrou, é de emigração e que aposta fortemente no turismo.

Entretanto, frisou, o PAICV discorda redondamente com o tratamento dado ao crioulo introduzido só a partir do 10º ano e ainda por cima como disciplina opcional, afirmando que esta medida fere de certo modo a Constituição e contraria a toda a ciência.

“Discordamos, de igual modo, com a passagem automática dos alunos do 1º ao 4º ano de escolaridade e com muitas outras facilidades noutros níveis, pondo claramente em risco a qualidade da educação”, disse, salientando, por outro lado, que os professores, mesmo quando discordam das várias medidas, continuam sendo autênticos heróis, adaptando-se a todas as orientações emanadas, mas não podem continuar a ser obrigados a dar o que não têm.

Luís Pires declarou ainda que há sérios riscos da falência do ensino superior, e defendeu que é preciso recentrar o ensino superior e trabalhar na sua sustentabilidade e que, pela sua complexidade, deveria ser alvo de um debate nacional à parte.

Já não se pode negar a dificuldade das famílias e a drástica redução de estudantes. Não há recursos para a investigação e os docentes reclamam por uma maior estabilidade laboral. O nosso apelo é estabelecermos um pacto em prol da educação sempre que o interesse for reforçar a resiliência, aumentar a qualidade e não deixar ninguém para trás”, concluiu.

Um total de aproximadamente 131 mil crianças, adolescentes e jovens regressaram às aulas presenciais no dia 19 de Setembro último, sendo que cerca de 17 mil estão a frequentar os jardins de infância, 81.500 no ensino básico obrigatório (do 1º ao 8º ano de escolaridade) e cerca de 32.500 mil no ensino secundário (do 9º ao 12º ano de escolaridade), sob a orientação de 6.266 mil professores, segundo dados do Ministério da Educação.

A Semana com Inforpress

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