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Parlamento: PAICV critica Governo pela ausência de uma visão estratégica para relançamento da economia no pós-covid 27 Outubro 2021

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição) disse no parlamento que o Governo, até hoje, “não teve a arte nem o engenho” para delinear e materializar uma visão estratégica, para o relançamento da economia no pós-pandemia.

Parlamento: PAICV critica Governo pela ausência de uma visão estratégica para relançamento da economia no pós-covid

Estas declarações foram feitas pelo líder da bancada parlamentar do PAICV, João Baptista Pereira, durante a sua intervenção inicial na 2ª Sessão Plenária de Outubro que arrancou esta quarta-feira.

“É absolutamente pacífico que o ambiente de incertezas e de dificuldades que vivenciamos deve-se, em larga medida, à pandemia de covid-19 e os seus efeitos”, disse, segundo a Inforpress, o parlamentar, para quem “Cabo Verde está prestes a entrar no novo normal com os mesmos instrumentos com que navegava antes e após a devastação causada pela pandemia”.

Mais à frente, João Baptista Pereira defendeu que é preciso acelerar o passo e realizar, com urgência, as reformas estruturais para, definitivamente, recolocar Cabo Verde no trilho do desenvolvimento sustentável e inclusivo.

Para o PAICV, disse, a reconstrução do sistema produtivo nacional deve estar assente nos sectores onde, globalmente, já existe um consenso político.

“Estamos a falar, designadamente, da economia azul, da diversificação do sector turístico, da modernização da agricultura, das pescas e do sector digital. O problema que se nos coloca é como lá chegar”, acrescentou.

Segundo a mesma fnte, o líder parlamentar do maior partido da oposição realçou ainda que, desde 2016, tem-se verificado “um custo elevado” da governação, “um custo muito alto” da máquina pública, mas também um “custo elevado “decorrente de “decisões de duvidosa, ou nula,” eficácia adoptadas pelo Governo.

“O País precisa conhecer que medidas de política está a executar para resgatar da pobreza extrema os 115 mil cabo-verdianos que vivem com menos de 200 escudos por dia e que vivem em situação de insegurança alimentar. Trata-se, como com certeza se recorda, de um compromisso seu assumido na noite eleitoral”, continuou.

Para o PAICV, prossegiu, a situação de vulnerabilidade social de mulheres e meninas e a desigualdade de género que ainda persiste em Cabo Verde devem ser atacadas e debeladas, com “urgência máxima”.

“No domínio da educação, é verdade que já atingimos uma taxa de escolarização básica de mais de 90%. Todavia, a qualidade da nossa educação tem vindo a sofrer uma forte erosão e o aumento do abandono escolar já é preocupante. Por outro lado, continua a aumentar o número de jovens, particularmente nas ilhas e concelhos da periferia, que não estudam, não trabalham e nem frequentam qualquer formação profissional”, acrescentou.

João Baptista Pereira afirmou ainda que as assimetrias regionais têm vindo “claramente a aumentar, contra todas as promessas de um Governo que apregoa o desenvolvimento regional, mas que age na contramão daquilo que deveria ser um desígnio nacional”.

“Os municípios rurais da ilha de Santiago, por exemplo, estão hoje muito mais atrasados em termos de pobreza monetária, acesso a serviços básicos e oportunidades económicas. A pobreza extrema atinge, igualmente, de forma brutal as ilhas do Fogo, da Brava e Santo Antão”, relatou segundo a Inforpress.

Este parlamentar questionou ainda como falar de desenvolvimento sustentável se há em Cabo Verde um “inegável e estrangulador” problema de acesso ao emprego e ao rendimento, particularmente para os jovens, porque a política do Governo para este segmento da população se resume a estágios profissionais, para reduzir a procura de emprego e, assim, maquilhar as estatísticas do mercado de emprego.

“No mais, a falta de acesso também se faz sentir no sector da saúde, mas também nos domínios da formação, do acesso à água potável, à energia eléctrica e habitação. Concentrar todo o sector social em programas como o Rendimento Social de Inclusão, sem outras valências que garantam o emprego para que o cidadão saia da pobreza, não pode, seguramente, ser uma boa política de desenvolvimento sustentável”, declarou.

Para João Baptista Pereira, não deixa de ser “caricato” que um Governo que condenou o chamado “assistencialismo” faça da subsidiodependência a sua imagem de marca, “atirando para o caixote do lixo” a sua promessa de campanha de “restituir” a dignidade aos cabo-verdianos através de empregos dignos e bem remunerados, conclui a fonte deste jornal.

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