ACTUALIDADE

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Parlamento: PAICV questiona política habitacional do Governo e aponta “situação preocupante” em centros urbanos 10 Junho 2020

O Partido Africana da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) questionou hoje a política habitacional do Programa do Governo, apontando uma “situação preocupante” nos principais centros urbanos do País, com “crescentes construções clandestinas”.

Parlamento: PAICV questiona política habitacional do Governo e aponta “situação preocupante” em centros urbanos

Durante a apresentação da interpelação ao Governo, o líder da bancada parlamentar do PAICV, Rui Semedo, disse que a situação que se vive hoje é marcada por uma “grande pressão” sobre os principais centros urbanos como Praia, Mindelo, Espargos e Sal Rei, com construções clandestinas, que tem ultrapassado a capacidade das autoridades.

Segundo a Inforpress, explicou que o momento é caracterizado por uma “grande preocupação” com a produção e comércio de lotes, para os que “detém o poder de compra”, esquecendo-se daqueles que não o tem, ou tem baixo rendimento, mas que como os outros tem “a necessidade e o direito” de ter uma casa onde viver.

“A prática actual está empurrando as pessoas para as periferias geográficas, para as periferias urbanas e para as periferias sociais, propiciando as condições óptimas para reproduzir as assimetrias sociais e, muitas vezes, fomentando o sentimento de revolta e germinando as sementes dos comportamentos à margem da lei”, atestou.

Por outro lado, o deputado referiu que o problema a equacionar é se tratar as pessoas que procuram casas ou espaços para construir as suas casas “como criminosas”, que precisam ser “perseguidas, violentadas e reprimidas”, ou se devem ser tratadas como vítimas de um sistema ou de uma sociedade “desigual e injusta”.

Cabo Verde, continuou o deputado citado pela Inforpress, “não pode e nem deve dar-se ao luxo” de “protagonizar imagens degradantes, a todos os títulos condenáveis”, de colocar “as suas Forças Armadas, de arma de guerra em punho, a testemunhar ou a legitimar a violência contra as pessoas” que procuram o que lhes é negado.

“Esta imagem, que correu mundo, envergonha-nos perante nós mesmos, perante a comunidade internacional e envergonha a todos os cabo-verdianos, na nossa vasta diáspora, espalhados pelo mundo”, indicou, referindo-se ao derrube das barracas clandestinas no Alto da Glória.

Para o PAICV, o Governo anterior colocou em cima da mesa “um grande projecto”, o “Casa para Todos”, concebido com os eixos que permitia construir, reabilitar e assistir as construções individuais e familiares.

No seu entender, como todos os programas, poderá ter “falhas e insuficiências”, mas, prosseguiu, o que “não é justo” é deixar as habitações de “portas fechadas, a degradarem-se, a perder-se dinheiro”, que poderia ser arrecadado com a renda ou com a venda, enquanto “milhares de pessoas procuram uma casa para se abrigar”.

Nesta linha, indicou, todos os partidos, juntamente com o Governo, podem fazer para um programa sustentável e consensual, a nível de todo o território nacional, para garantir uma habitação condigna às pessoas.

Além disso, questionou também o que pretende o Governo fazer com as casas concluídas e que se mantém de portas fechadas, há cerca de quatro anos, conclui a Inforpress.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade





  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    publicidade

    Newsletter

    Abonnement

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project