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Parque Tecnológico de Cabo Verde “moderadamente vulnerável” às alterações climáticas – estudo 06 Setembro 2022

O Parque Tecnológico de Cabo Verde, em construção nas cidades da Praia e do Mindelo, cumpre o objetivo ambiental, mas é “moderadamente vulnerável” às alterações climáticas, concluiu um estudo de impacto ambiental que a Lusa teve hoje acesso.

De acordo com o Estudo de Impacte Ambiental e Social (EIAS), publicado em agosto pelo Ministério das Finanças e do Fomento Empresarial, a implementação do parque não origina a redução do valor natural da área do projeto, no que tange a flora e a fauna, pelo que “o objetivo ambiental é cumprido”.

O mesmo estudo, promovido pela Unidade de gestão de Projetos Especiais (UGPE) do mesmo Ministério, concluiu que o projeto é “moderadamente vulnerável” às alterações climáticas, exigindo uma revisão dos riscos das alterações climáticas e das medidas de adaptação.

“Especificamente para o Parque Tecnológico de Cabo Verde, os dois núcleos de implementação, localizam-se fora das zonas costeiras, o que diminui os riscos em relação ao potencial aumento do nível da água do mar, razão pela qual se considera residuais os riscos de submersão ou potenciais inundações”, lê-se no documento.

No estudo, é lembrado que as mudanças climáticas são acompanhadas de eventos climáticos extremos, como variações de temperaturas, ilhas de calor, aumento do nível médio do mar, fortes chuvadas, tempestades, inundações, deslizamentos e eventos de seca extrema, que demonstram que as cidades deverão se preparar para serem mais resilientes.

“Tal como outros Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, Cabo Verde, apesar de pouco contribuir para o aquecimento global, está entre os países mais afetados pelas alterações climáticas devido à fragilidade dos seus ecossistemas”, lembrou o estudo, notando que os dois núcleos do parque localizam-se foram de zonas costeiras, o que diminuiu os riscos de submersão ou inundações.

Especificamente para o Parque Tecnológico de Cabo Verde, os dois núcleos de implementação, localizam-se fora das zonas costeiras, o que diminui os riscos em relação ao potencial aumento do nível da água do mar, razão pela qual se considera residuais os riscos de submersão ou potenciais inundações.

O futuro Parque Tecnológico de Cabo Verde é um projeto de 40 milhões de euros que pretende transformar o arquipélago num ‘hub’ tecnológico em África.

O projeto está a ser implementado em duas ilhas de Cabo Verde, nomeadamente em Santiago, no município da Praia, e em São Vicente.

Segundo o estudo, a previsão é que durante a fase de funcionamento as principais perturbações nas águas subterrâneas originadas pela presença do Parque Tecnológico vão decorrer da impermeabilização das áreas de intervenção.

“Trata-se de uma alteração no sistema de drenagem superficial que se traduz no aumento da velocidade de escoamento, reduzindo a infiltração da precipitação no terreno”, precisou o relatório.

E concluiu ainda que a impermeabilização do substrato pode ainda provocar a alteração na hidrodinâmica interna (linhas de fluxo e gradiente hidráulico) do sistema aquífero, devido a alterações no padrão de circulação das águas subterrâneas.

“A impermeabilização do terreno não deverá, no entanto, implicar a alteração significativa na recarga dos aquíferos, dada a extensão da área do projeto”, prosseguiu o estudo, que enumerou algumas medidas preventivas na construção e no funcionamento do projeto.

No que diz respeito à construção, em fase final dos trabalhos, constatou a política ativa de prevenção de acidentes nas atividades, bem como a adoção de medidas específicas de monitorização ambiental.

Por outro lado, verificou que a gestão dos resíduos sólidos produzidos na fase de construção, até agora, vem sendo tratados “de uma forma nem sempre considerado adequado e cumprindo com a legislação e regras de boas práticas”.

Quando o parque estiver a funcionar, recomendou-se a adoção uma política ativa de prevenção de acidentes nas atividades, bem como a adoção de medidas específicas de monitorização ambiental.

“Os resíduos sólidos produzidos nessa fase de operacionalização do Parque, principalmente os resíduos elétricos e eletrónicos produzidos, deverão ter destinos finais adequados”, especificou.

Em outubro de 2021, o vice-primeiro-ministro cabo-verdiano, Olavo Correia, previu à Lusa que o arranque do parque em junho deste ano, mas ainda não aconteceu.

“O problema não é só as obras de engenharia civil, depois tem os equipamentos, todo o sistema de funcionamento das instalações, o recrutamento dos recursos humanos”, disse na altura o também ministro das Finanças e da Economia Digital de Cabo Verde.

O Parque Tecnológico é um projeto financiado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e pelo Estado de Cabo Verde, tendo as obras arrancado em 2015. A Semana com Lusa

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