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Partidos políticos angolanos devem "cessar imediatamente" com as agressões e ultrajes — Igreja Católica 29 Mar�o 2022

A Igreja Católica angolana exortou os partidos políticos do país a "cessarem imediatamente" com as "agressões e ultrajes" entre militantes por não comungarem da mesma ideia, sobretudo com o aproximar das eleições, e se "tornarem instrumentos de paz".

Partidos políticos angolanos devem

A Comissão Episcopal de Justiça e Paz, órgão da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), lidera a "Jornada Nacional da Reconciliação e da Paz", que decorre em Angola entre 27 de março a 04 de abril de 2022, alusiva aos 20 anos de paz no país.

Na mensagem alusiva às jornadas, a que a Lusa teve hoje acesso, a comissão da CEAST reitera o apelo dos bispos católicos sobre a "crescente tensão social no país, com atos de intolerância política entre as forças políticas com agressões mútuas e um tom verbal cada vez mais violento".

"Todos estes sinais preocupantes reforçam em nós a necessidade de cada vez mais erguermos a nossa voz e nos colocarmos como instrumentos ao serviço da paz", referiu aquele órgão da Igreja Católica.

"Apelamos assim a todos quantos têm responsabilidades políticas em instituições partidárias a abraçarem este repto de se tornarem instrumentos da paz e constituírem-se como verdadeiros líderes da harmonia e tolerância tanto dentro das suas formações partidárias como na relação com os seus contendores", exortou.

A necessidade de as forças políticas angolanas cultivarem a tolerância e o respeito pela diferença é também defendida pela Igreja Católica.

"As agressões e ultrajes a quem quer que seja, por não comungar das mesmas ideias que as nossas, devem cessar imediatamente e dar lugar à uma cultura de paz e tolerância que nesta jornada nacional da reconciliação queremos juntos proclamar e fazer crescer na nossa sociedade", referiu.

Angola realiza as próximas eleições gerais, o quinto ato eleitoral na história do país, na segunda quinzena de agosto próximo.

O ambiente pré-eleitoral no país é marcado por queixas de alegada intolerância política, sobretudo no interior do país, onde há duas semanas se registaram confrontos entre militantes do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder) e da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA, na oposição).

MPLA e a UNITA trocam acusações sobre a responsabilidade dos confrontos entre partidários que aconteceu recentemente no município de Sanza Pombo, província do Uíje, norte de Angola, que celebra em 04 de abril próximo 20 anos de paz.

A validação dos congressos do MPLA, da UNITA, realizados em dezembro de 2021, do Bloco Democrático e da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), por parte do Tribunal Constitucional (TC) angolano também cria expectativas sociais com "dúvidas e incertezas" sobre a independência da instância judicial, referiu a CEAST.

A Comissão de Justiça e Paz da CEAST salienta que as instâncias judiciais e outras encarregadas na gestão de processos administrativos e judiciais "merecem igualmente particular atenção, pela missão de gerirem todo o processo eleitoral".

Para estas instâncias, apelou "igualmente que atuem com o máximo sentido de isenção e lisura e que contribuam com as suas decisões para que o clima de paz não se degrade, sob pena de perigar todo o caminho de paz já percorrido em 20 anos".

"A nossa experiência de guerra com todo o sofrimento e consequências impostas ao nosso povo não nos devem passar despercebidas, e que este seja o indicador que nunca mais se volte à guerra", lê-se na mensagem.

A "Jornada Nacional da Reconciliação e da Paz", que se estende até 04 de abril próximo, dia em que Angola celebra 20 anos de paz e reconciliação, decorre sob o lema:" Senhor Fazei de Mim um Instrumento da Vossa Paz".

A Semana com Lusa

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